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Género e violência

Mortes de LGBT, por ano, no Brasil. Fonte: Grupo Gay da Bahia.

Não aprecio anúncios de autopromoção, independentemente da categoria social, inclusivamente de género. Mas incomoda-me a discriminação, frequentemente, violenta de que são vítimas os LGBT. O anúncio brasileiro Thierty-Five, da Athosgls, está bem concebido. A parte final é excelente. O cover da canção Forever Young, dos Alphaville, pelo braileiro Liniker, é notável.

“No Brasil, devido à violência e ao ódio, a expectativa de vida de pessoas trans é de apenas 35 anos, metade da expectativa da população cisgênero. Esse dado é brutal e é a mensagem entregue nesse filme para o Portal de notícias LGBTQI+ Athosgls” (Athosgls Brasil).

Marca: Athosgls Brasil. Título: Thierty-Five. Agência: Young & Rubicam. Brasil, Abril 2019.
Alphaville. Forever Young. Forever Young. 1984.

Apologia

Somewhere Over the Rainbow #PrideMatters Pride in London 2018.

A autopromoção está no vento. Multiplicam-se as alavancas de pessoas e categorias sociais, nos mais diversos domínios: marketing, publicidade, comunicação, religião, política, arte, ciência, moda, desporto, género… Ao contrário dos vasos comunicantes, na sociedade, a exaltação de si tende a deprimir o outro. Acontece, por exemplo, nos anúncios publicitários. O mundo gira aos saltos e em bicos de pés. O anúncio Somewhere Over the Rainbow, da Pride of London, está bem feito. Exprime uma força tranquila. A presença do outro, maioritariamente disfórica, é reduzida ao mínimo. Desprende-se, porém, a impressão de que os LGBT se compreendem, sobretudo, entre si. Duvido que seja verdade. Duvido, também, que seja uma estratégia de sensibilização interessante. Será o isolamento um reforço da comunicação?

Junto o vídeo, de rara qualidade, com Klaus Nomi a interpretar, em 1981, a Cold Song de Henry Purcell (King Arthur, 1691).

Anunciante: Pride of London. Título: Somewhere over the rainbow. Agência: BMB. Direcção: Billy Boyd Cape. Reino Unido, Julho 2018.
Klaus Nomi interpreta, em 1981, a Cold Song, de Henry Purcell.

Sexualidades

Magnum ceremony

Uma cerimónia esplendorosa! Com este balanço, todos os passos vão dar ao altar. A “surpresa” concede mais brilho ao caminho. A homossexualidade, ver o mundo LGBT, tornou-se tema destacado da publicidade actual. Depois da Diesel (https://tendimag.com/2017/02/21/um-buraco-no-muro/), da Nike (Vídeo 2), da SJ Swedish Railways (https://wordpress.com/post/tendimag.com/31215) ou da Coca-Cola (Vídeo 3), a Magnum sustenta a diversidade da sexualidade e do amor. Ao primeiro anúncio, podia-se pensar num capricho de uma grande marca; afinal, deve ser investimento. O tema vende junto dos públicos alvo!

Marca: Magnum. Título: Ceremony. Agência: LOLA MullenLowe. Direcção: Martin Werner. Espanha, Março 2017.

Marca: Nike. Título: We believe in the power of love. Direcção: Luca Finotti. Internacional, Feveiro 2017.

Marca: Coca-Cola. Título: Pool Boy. Agência: Santo (Buenos Aires). Argentina. Março 2017.

 

Transformação

sjswedishrailways_pellepiasjourney17

Multiplicam-se os anúncios com pessoas LGBT. O Paul’s Journey, da SJ Swedish Railways, é especial. Como diria Edgar Morin (1967, Commune en France, Paris, Fayard), é stendhaliano: tem o sentido do detalhe. Durante uma viagem de comboio, gesto a gesto, assiste-se a uma transformação da aparência identitária.

 

Marca: SJ Swedish Railways. Título: Paul’s Journey. Agência: TBWA Stokholm. Direcção: Anders Hallberg. Suécia, Março 2017.

Pegada

brady-campaign2Em Junho de 2016, em Orlando (Florida), um terrorista matou 49 pessoas e feriu 53 numa discoteca frequentada pela comunidade LGBT.  No anúncio Cellphones, The Brady Campaign inspira-se no cenário do atentado para denunciar a violência homofóbica. Os telemóveis insistiam em tocar e funcionar para além da morte. A focagem nos telemóveis constitui uma espécie de assombração convincente. No passado, a pegada humana era assegurada pelos filhos, pelas obras e pelas missas perpétuas. Hoje, também temos o cellphone, o smartphone, o iPhone, o tablet, o notebook e outros prodígios com nome estranho.

Anunciante: The Brady Campaing. Título: Cellphones. Agência: Brand+Aid Creative. USA, Outubro 2016.

Mix Brasil: Cultura da diversidade

mix brasil 2014Não vai muito tempo, os homossexuais eram estigmatizados, marginalizados e silenciados. A homofobia ainda perdura. Hoje, as organizações e os movimentos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros) fazem-se ouvir. É o caso do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade (13 a 23 de Novembro de 2014, em São Paulo). Os anúncios são criativos e bem concebidos. O primeiro, “Fantasias”, ilustra, com recurso a várias técnicas de animação, a diversidade de práticas sexuais, apelando ao sexo seguro. O segundo, “Todo o mundo é gay”, assume que qualquer pessoa pode ser rotulada, ao mínimo indício e preconceito, como homossexual. O festival abre-se, portanto, a toda a população, independentemente da orientação sexual. “Se todo mundo é gay, o Mix Brasil é para todo o mundo”.

Anunciante: Mix Brasil. Título: Fantasias. Agência: Neogama/BBH. Direção: Fábio Acorsi. Brasil, Setembro 2014.

Anunciante: Mix Brasil. Título: Todo o mundo é gay. Agência: Neogama/BBH. Brasil, Novembro 2014.