Atração sem união

Bem concebido, com imagem, música e “coreografia” notáveis, o extenso (5:40) anúncio holandês We Will Become Beter, para a Rede LGBT Russa (Russian LGBT Network), em que dois homens propendem a aproximar-se sem, contudo, conseguir alcançar-se, obteve o prémio Golden Drum.
“In July 2020, Vladimir Putin changed the Russian constitution to ban same-sex marriage with an amendment that explicitly defines marriage as between a man and woman. It has encouraged a wave of hate crimes including beatings, rape and torture that continue to this day. One year on from the constitutional change, we released a film to challenge these offensive portrayals of same-sex relationship with a simple message: ‘Love is everyone’s right’. By making and releasing the film we took the risk of essentially breaking the Gay Propaganda law. This is the first Russian LGBTQIA+ film in years that actually portrays a gay relationship and the country’s first anti-homophobic project” (Russian LGBT Network).
Outros beijos

Outros beijos, outros géneros. Beijos com história, beijos com arte, numa chuva de beijos emblemáticos. Outros beijos, outros géneros, beijos humanos. Belas imagens, boa música.
Apologia

A autopromoção está no vento. Multiplicam-se as alavancas de pessoas e categorias sociais, nos mais diversos domínios: marketing, publicidade, comunicação, religião, política, arte, ciência, moda, desporto, género… Ao contrário dos vasos comunicantes, na sociedade, a exaltação de si tende a deprimir o outro. Acontece, por exemplo, nos anúncios publicitários. O mundo gira aos saltos e em bicos de pés. O anúncio Somewhere Over the Rainbow, da Pride of London, está bem feito. Exprime uma força tranquila. A presença do outro, maioritariamente disfórica, é reduzida ao mínimo. Desprende-se, porém, a impressão de que os LGBT se compreendem, sobretudo, entre si. Duvido que seja verdade. Duvido, também, que seja uma estratégia de sensibilização interessante. Será o isolamento um reforço da comunicação?
Junto o vídeo, de rara qualidade, com Klaus Nomi a interpretar, em 1981, a Cold Song de Henry Purcell (King Arthur, 1691).
Sexualidades
Uma cerimónia esplendorosa! Com este balanço, todos os passos vão dar ao altar. A “surpresa” concede mais brilho ao caminho. A homossexualidade, ver o mundo LGBT, tornou-se tema destacado da publicidade actual. Depois da Diesel (https://tendimag.com/2017/02/21/um-buraco-no-muro/), da Nike (Vídeo 2), da SJ Swedish Railways (https://wordpress.com/post/tendimag.com/31215) ou da Coca-Cola (Vídeo 3), a Magnum sustenta a diversidade da sexualidade e do amor. Ao primeiro anúncio, podia-se pensar num capricho de uma grande marca; afinal, deve ser investimento. O tema vende junto dos públicos alvo!
Marca: Magnum. Título: Ceremony. Agência: LOLA MullenLowe. Direcção: Martin Werner. Espanha, Março 2017.
Marca: Nike. Título: We believe in the power of love. Direcção: Luca Finotti. Internacional, Feveiro 2017.
Marca: Coca-Cola. Título: Pool Boy. Agência: Santo (Buenos Aires). Argentina. Março 2017.
Transformação
Multiplicam-se os anúncios com pessoas LGBT. O Paul’s Journey, da SJ Swedish Railways, é especial. Como diria Edgar Morin (1967, Commune en France, Paris, Fayard), é stendhaliano: tem o sentido do detalhe. Durante uma viagem de comboio, gesto a gesto, assiste-se a uma transformação da aparência identitária.
Marca: SJ Swedish Railways. Título: Paul’s Journey. Agência: TBWA Stokholm. Direcção: Anders Hallberg. Suécia, Março 2017.
Pegada
Em Junho de 2016, em Orlando (Florida), um terrorista matou 49 pessoas e feriu 53 numa discoteca frequentada pela comunidade LGBT. No anúncio Cellphones, The Brady Campaign inspira-se no cenário do atentado para denunciar a violência homofóbica. Os telemóveis insistiam em tocar e funcionar para além da morte. A focagem nos telemóveis constitui uma espécie de assombração convincente. No passado, a pegada humana era assegurada pelos filhos, pelas obras e pelas missas perpétuas. Hoje, também temos o cellphone, o smartphone, o iPhone, o tablet, o notebook e outros prodígios com nome estranho.
Anunciante: The Brady Campaing. Título: Cellphones. Agência: Brand+Aid Creative. USA, Outubro 2016.
Mix Brasil: Cultura da diversidade
Não vai muito tempo, os homossexuais eram estigmatizados, marginalizados e silenciados. A homofobia ainda perdura. Hoje, as organizações e os movimentos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros) fazem-se ouvir. É o caso do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade (13 a 23 de Novembro de 2014, em São Paulo). Os anúncios são criativos e bem concebidos. O primeiro, “Fantasias”, ilustra, com recurso a várias técnicas de animação, a diversidade de práticas sexuais, apelando ao sexo seguro. O segundo, “Todo o mundo é gay”, assume que qualquer pessoa pode ser rotulada, ao mínimo indício e preconceito, como homossexual. O festival abre-se, portanto, a toda a população, independentemente da orientação sexual. “Se todo mundo é gay, o Mix Brasil é para todo o mundo”.
Anunciante: Mix Brasil. Título: Fantasias. Agência: Neogama/BBH. Direção: Fábio Acorsi. Brasil, Setembro 2014.
Anunciante: Mix Brasil. Título: Todo o mundo é gay. Agência: Neogama/BBH. Brasil, Novembro 2014.



