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A incomensurável leveza do beijo

lacoste_big_leapUm amigo enviou-me este anúncio da Lacoste. A agência BETC tem destas coisas: um beijo à Matrix, capaz de rivalizar com o Shrek e a Fiona. Um beijo que vence o abismo, mais rápido e mais potente do que um teleférico ou um helicóptero. Ao mínimo toque, levitamos.

Marca: Lacoste. Título: The Big Leap. Agência: BETC, France. Direcção: Seb Edwards. França, Fevereiro 2014.

Da banalidade da levitação

Royksopp. What else is thereAnda uma pessoa a aperceber-se da importância da levitação nas imagens medievais para logo descobrir que a suspensão da gravidade se tornou uma banalidade contemporânea. Até apetece estudar outro tema. Por que não o inverso? O enterro, assunto obsessivo na Idade Média e discreto na actualidade.

Royksopp. What else is there. Direção: Martin de Thurah. 2007.

Voar ou levitar?

Este anúncio da Dell aposta na continuidade (quase sobreposição) da realidade, do sonho e do ecrã. Ajudem! No fim do anúncio, a menina no ecrã voa ou levita?

Marca: Dell. Título: Annie, The girl who could fly. Agência: Y & R New York. Direção:  Peter Thwaites. EUA, Agosto 2012.

Levitação 2

Por falar em suspensão da gravidade, a Madonna levita a pequena altura no vídeo musical da canção Frozen. Até lembra a Marilyn Monroe fotografada pelo Philippe Halsman.

Philippe Halsman. Marilyn Monroe

We Robots

Personagens fabulosas, carnavalescas. Extensões do corpo, hologramas, levitação, bocas, controlo remoto e corrida de galgos mecânicos num deserto de sal. Música dos Swedish House Mafia. Este anúncio da vodka Absolut é um saboroso cocktail grotesco servido numa taça barroca.

Marca: Absolut. Título: Greyhound. Agência: TBWA\Chiat\Day. Direção: Carl Erik Rinsch. EUA, Março 2012.

Perdido em movimento

A dança também é uma forma de desafiar a gravidade, pelo menos, de vez em quando. É um voo sem asas, um perder-se para se sentir. Faz parte do gesto que se solta.

Anunciante: National Ballet of Canada. Título: Lost in Motion. Agência: Krystal Lew Pictures. Direcção: Ben Shirinian. Coreógrafo/baillarino: Guillaume Côté. Canadá, Fevereiro 2012.

A insustentável leveza da compra

Este anúncio encaixa-se que nem uma luva no que tenho andado a estudar: a suspensão da gravidade como levitação e libertação, ou seja, como desprendimento  das amarras da vida e do mundo. A realização aposta nesta leveza eufórica, por sinal partilhada, confinando-a, porém, a uma espécie de não lugares, ao interior de bolas de neve. Que bolas de neve? Aquelas onde cabem a Nossa Senhora de Lourdes, os nossos sonhos, mas não os nossos pecados. Por exemplo, as lojas Matalan, nem mais, nem menos! O que me recorda um velho texto dedicado ao imaginário e à suspensão da experiência nos hipermercados e nos centros comerciais.

Anunciante: Matalan. Título: Christmas Advert 2011. Reino Unido, Novembro 2011.

Libertação

O desejo de libertação não nasceu ontem. Tão pouco o ser humano. Mas tem vindo a multiplicar-se na publicidade, despoletando sensações e movimentos de sobressalto, sonho e prazer. O anúncio Do What You Want (2011) ergue-se como um manifesto do género, pontuado, metonimicamente, pela explosão dos sinais de sentido proibido.

Anunciante: Loterías y Apuestas del Estado. Título: Do What You Want. Agência: Shackleton Group. Espanha, Outubro 2011.

Mas não é o único. Existem sérios rivais, tais como o anúncio Viento (2007). Enxertados na aspiração ou na impotência dos públicos, estes “manifestos da libertação” costumam fazer apelo ao tópico do voo e da levitação. Assim acontece, ostensivamente, durante todo o anúncio Viento; e assim termina o anúncio Do What You Want.

Anunciante : Ford. Título : Viento. Agência : JWT Argentina. Direcção: Pucho Mentasti. Argentina, Julho 2007.

A gravidade e a levitação constituem assunto que me tem interessado; apresentei, em Junho, uma comunicação sobre “La suspension de la gravité dans l’enluminure médiévale et dans la publicité actuelle” (Socialité Postmoderne, Journées du CEAQ, Sorbonne, 20 e 21 de Junho de 2011).

Levitação

Fiz, recentemente, uma comunicação sobre a suspensão da gravidade nas iluminuras medievais e na publicidade actual. Neste domínio, Marc Chagall é incontornável. Deixo aqui um pequeno apontamento dedicado não tanto a quem levita, mas a quem faz levitar os outros.