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Sair para cuidar de si

LALCEC .The Black Campaign. Argentina, Agosto 2020.

Apelar às pessoas para sair de casa, quando as autoridades e a razão nos aconselham o recolhimento, parece uma provocação ou um contra-senso. É, no entanto, o que propõe a agência Leo Burnett Argentina na The Black Campaign, para a LALCEC (Liga Argentina de Lucha contra el Cáncer). A campanha coloca letreiros gigantes nos prédios de Buenos Aires, letreiros que incentivam as pessoas a sair de casa. Faz sentido? Fernando Sosa, presidente criativo de Leo Burnett Argentina, argumenta:

“En un momento en el que es una locura pedirle a la gente que salga de sus casas, le explicamos que también es una locura no salir. (…) La enfermedad oncológica no debe ser minimizada, ya que cada año se detectan más de ciento veintinueve mil nuevos casos de cáncer en el país y sesenta mil argentinos mueren por esta enfermedad .”
Al respecto, Diego Paonessa, director general de LALCEC, agregó: “Un chequeo a tiempo y no interrumpir los tratamientos son el camino para prevenirlo y reducir estos indicadores. El cáncer sigue siendo la segunda causa de muerte en la Argentina y se prevé que para 2040 se convierta en la primera” (…) Todas las recomendaciones del Ministerio de Salud de la Nación son para proteger a la salud pública frente a la propagación de la pandemia. Sin embargo, invitamos a las personas a mantener sus controles y chequeos de rutina y a los pacientes con diagnóstico a mantener en tiempo y forma sus tratamientos. En ambos casos, quedarse en su casa no es una opción”, concluyó (https://www.adlatina.com/publicidad/nuevo:-leo-burnett-argentina-y-lalcec-incentivan-a-las-personas-a-salir-de-sus-casas).

Anunciante: LALCEC. Título: The Black Campaign. Agência: Leo Burnett Argentina, Presidente criativo: Fernando Sosa. Argentina, Agosto 2020.

Não sei se a publicidade é a catequese da mercadoria ou do poder, mas sinto quando estou perante uma campanha e um anúncio inteligentes.

Portugal não escapa ao problema. Verifica-se um “excesso de mortalidade” durante a pandemia. Um diagnóstico consensual para diversos laboratórios e centros de investigação. Divergem apenas nos números. Dois artigos do jornal Público abordam a questão:

– “Investigadores procuram respostas para “excesso de mortalidade” em Março” (https://www.publico.pt/2020/04/13/sociedade/noticia/investigadores-procuram-respostas-excesso-mortalidade-marco-1912015) e

“Se houve “excesso de mortalidade” em Portugal, foi de quanto?” (https://www.publico.pt/2020/05/02/ciencia/noticia/excesso-mortalidade-portugal-1914755).

Mortalidade em Portugal. 2020 (DGS-SNS. Sico – eVM. 12.08.2020; https://evm.min-saude.pt/)

O Gráfico 1 regista os óbitos oficiais entre 1 de Janeiro e 12 de Agosto de 2020. Comprova-se o excesso de mortalidade, designadamente nos meses de Março e Abril e no mês de Julho, cujos valores ultrapassam o registo das mortes oficiais pelo Covid-19. Para Pedro Aguiar, professor em epidemiologia e estatística da Escola Nacional de Saúde Pública,

“É curioso que, numa altura em que ninguém anda de automóvel e não há acidentes de trabalho, surja esta mortalidade extra. Tudo aponta que a razão principal tem a ver com o facto de as pessoas evitarem os serviços de saúde, acabando por descompensar os seus problemas, sejam agudos ou crónicos.” (https://www.publico.pt/2020/05/02/ciencia/noticia/excesso-mortalidade-portugal-1914755).

Sair para cuidar de si não é suficiente. Convém haver cuidadores. A capacidade actual do Sistema Nacional de Saúde talvez não ajude. A disponibilidade dos hospitais, sobrecarregados pelo Covid-19, revela-se inferior ao mês de Fevereiro de 2020, antes da pandemia. O que comporta consequências, inclusivamente, ao nível da mortalidade.

Este verão, há banhos de gente, cumprem-se ajuntamentos políticos e celebra-se o futebol. Saia de casa para cuidar de si. Pela saúde!

Comunicação, realidade e ficção

O que é realidade e o que é ficção? A ausência de discernimento releva da hiper-realidade, da psicose, do discurso político ou de media sobre-excitados? Tornar uma ficção realidade, desfazer e refazer é um ato de comunicação?
Nos anúncios seguintes, são notórios os efeitos de verdade/ficção graças aos media.
Why an eccentric brazilian billionnaire dug a grave for his Bentley é um caso digno de atenção. O abuso dos media, a dramatização, a interacção e a  mobilização compõem uma receita de sensibilização social com um futuro promissor. Com este anúncio, o Brasil recoloca-se na vanguarda da publicidade.

Marca: Associação Brasileira para o Transplante de Órgãos. Título: Why an eccentric brazilian billionnaire dug a grave for his Bentley. Agência: Leo Burnett Tailor Made – Brazil. Brasil, Outubro 2013.

Portugal também tem os seus truques à Orson Welles. No seguinte “anúncio”, um noticiário de televisão capta em directo uma invasão de aranhas gigantes na ponte 25 de Abril. Convenha-se, contudo, que aranhas gigantes em Lisboa não são grande novidade. As teias cobrem, há muito, o país. Carregar na imagem.

Aranhas Gigantes em Lisboa

Aranhas Gigantes em Lisboa

 

A Cenoura e o Sonho

Hemant Morparia. 2005

Hemant Morparia. 2005

Este anúncio da Samsung, concebido pela elite da criação publicitária, é um belo exemplar de mitologia urbana contemporânea (ler a notícia que acompanha o vídeo). E não digo mais! Estou assoberbado a preencher mapas e formulários para a instituição governamental responsável pelo financiamento e pela avaliação da produção científica e tecnológica nacional. Ocorre-me pensar, a propósito, como com apenas meia dúzia de cenouras é possível conduzir organizações históricas e culturais gigantescas!…

Marca: Samsung. Título: The Developer. Agência: Leo Burnett. Direção: Adam Hashemi. USA, Outubro 2013

Limites do Digital

Le trefle. Emma.Um amigo enviou-me este anúncio francês na versão inglesa. O anúncio mostra, intimamente, os limites do digital face ao papel. Há momentos em que o digital deixa a desejar. Segue a versão francesa do anúncio francês, porque o inglês, tal como o digital, não atende a todas as necessidades ou, pelo menos, deixa a desejar.

Marca: Le Trefle. Título: Emma. Agência: Leo Burnett France. Direção: Bart Timmer. França, Março 2013

Aconchego

Warde. Home is a quest.

Warde. Home is a quest.

A Warde é a maior empresa revendedora de tecidos da África e do Médio Oriente. Neste anúncio, apresenta uma animação fabulosa feita com tecidos. Animais de todo o mundo demandam o lar, num movimento cheio de cor e de paz, com música a condizer.

Marca: Warde. Título: Home is a Quest. Agência: Leo Burnett Lebanon. Direção e produção: Onesize. Líbano, Fevereiro 2013.

Matrículas

leo_burnettHá meses, apresentei, com uma colega, uma comunicação sobre o papel dos banners na publicidade. Este anúncio da Car One é, neste domínio, particularmente criativo. As matrículas, como os estigmas em Erving Goffman, são indiscretas, fazem ecrã e viciam as situações. Caricaturam certas propriedades em desabono de outras. Desenham máscaras e palcos. Quando se é GIL (pascácio, na Argentina), FAT (gordo), GAY ou GOY (gentio; não judeu), como apagar estas letras? Como sombrear a indexação abusiva tornada reclame ofuscante? Nestas circunstâncias, um conselho: se pretende comprar um automóvel, compre um automóvel analfabeto.

Marca: Car One. Título: Patentes DEeafortunadas. Agência: Leo Burnett, Argentina. Direção: Alejo Rosemberg & Julian Castro – Nah!. Argentina, Dezembro 2012.

Há o amor que se diz e há o amor que se dá

Hallmark. Old friendsMais um anúncio, antigo, da Hallmark. Da primeira à última imagem, contempla-se. momento a momento, um permanente postal ilustrado. O mutismo, a quietude e a espera lembram Samuel Beckett, para quem “toda a palavra é como uma mácula desnecessária no silêncio e no nada.”

Marca: Hallmark. Título: Old Friends. Agência: Leo Burnett (Chicago). Direção: Bob Shallcross. EUA, 1997.

A Maçã, o Desejo e o Caos

Allstate Insurance. MayhemA maçã é um fruto pretensioso e perverso. Ainda sinto o caroço na garganta. E as duas laranjas que Eva tem no peito, não são laranjas, não: são duas metades de maçã, fontes primitivas do desejo. As maçãs caem como anjos na cabeça de Newton e brilham tenebrosas nas mãos da bruxa malvada. São diabólicas. “Pomo da discórdia”, semeiam caos. Erotizam a vida. A macieira é do género Malus (Malus domestica). E o planeta é cada vez mais a uma grande maçã. Proteja-se! Você não é o Guilherme Tell. Entregue-se nas mãos da Allstate Insurance, e beberá sidra para sempre.

Marca: Allstate Insurance. Título: Mayhem. Agência: Leo Burnett. Direção: Phil Morrison. EUA, Janeiro 2013.

Teleassistência

Um anúncio da Cruz Vermelha Portuguesa com bom senso, bom gosto e um slogan claro e oportuno: “Você é o primeiro a saber que precisa de ajuda. Seja o primeiro a pedir.” Barroco q.b., nada grotesco. Aguarda-se a divulgação na televisão portuguesa.

Anunciante: Cruz Vermelha Portuguesa. Título: Água. Agência: Leo Burnett Lisboa. Direção: João Fanfas. Portugal, Agosto 2012.

“Num país cada vez mais envelhecido — há 129 idosos para cada 100 jovens –, 400 mil idosos vivem sozinhos (CENSUS 2011). Este é um problema que é mais grave nas grandes cidades onde as redes de apoio familiar e de vizinhança são mais frágeis. As últimas notícias de idosos encontrados mortos em casa, dias ou mesmo semanas depois de terem morrido, retratam bem esta triste realidade. A dependência das pessoas, seja por idade, incapacidade, doença ou isolamento, bem como a sua segurança e saúde, são preocupação constante da Cruz Vermelha Portuguesa.
Neste âmbito, a Cruz Vermelha Portuguesa decidiu lançar uma campanha que chama a atenção para estas questões e dá a conhecer o seu serviço de Teleassistência.
Este filme, com o título “Água”, conta a história de alguém que precisa de ajuda e de algumas pessoas que estão próximas dela sem se aperceberem desse facto. O objectivo é mostrar que numa emergência, não se pode contar com a sorte, é preciso ser directo e pedir ajuda.
Com o desenvolvimento criativo da Leo Burnett Lisboa e a produção da Stopline como mecenato.” (Cruz Vermelha Portuguesa).

Uma morte regalada

“Buvons à la mort qui danse à nos côtés” (Henry-Jacques, La Symphonie Héröique, Paris, Aux Editions des “Belles Lettres”, 1921, p. 19). Bebamos à morte, que a vida merece ser bebida. A morte risonha e as danças macabras tiveram o seu momento alto no fim da Idade Média. Mas, espantalhos ou ceifeiros, os esqueletos nunca nos largaram.

Marca: Schincariol. Título: Caveirinhas. Agência: Leo Burnett Brasil. Direção: Rafaela Carvalho. Brasil, Agosto 2012.