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Gianna Nannini e a tribo dos PIGS

Gianna Naninni. Giannabest. 2007.

Gianna Nannini, a “rainha do rock Italiano”, nasceu em 1954 e continua ativa. Uma voz única, na música, no pensamento e na intervenção política. Lembra Janis Joplin, mas à italiana. A música italiana possui uma identidade forte, no ritmo, na melodia, no canto e na performance. Ainda não se afogou no oceano. Berço da Europa, a Itália oferece uma música, viva e melancólica, que empolga e embala. Reconforta. Como é bom pertencer à tribo dos PIGS!

Gianna Nannini completou em 2019, com La Differenza, uma trintena de álbuns publicados, o primeiro, homónimo, Gianna Nannini, em 1976. Quarenta e cinco anos de carreira! Resulta difícil selecionar cinco dedos de canções. Limitei a escolha ao CD, que seguro na mão, Giannabest – 1 (2007): uma música de estúdio, Io senza te, e três ao vivo, Meravigliosa creatura,  Sei nell’anima e Radio baccano. Como extra, acrescento o vídeo oficial de La differenza, nome de batismo do álbum mais recente de originais (2019).

Gianna Nannini. Io senza te. X forza e X amore. 1993.
Gianna Nannini. Meravigliosa creatura. Dispetto. 1995. Ao vivo com Il Volo, no programa House Party, em 2017.
Gianna Nannini. Sei nell’anima. Grazie. 2006. Ao vivo com Laura Pausini, em San Siro. DVD Amiche Per L’Abruzzo (2010).
Gianna Nannini. Radio Bacano. X forza e X amore. 1993. Ao vivo, convidada de radioItaliaLive. 2013.
Gianna Naninni. La differenza. La differenza. 2019.

Sem sombras

Rodolphe-Théophile Bosshard. L’accordeoniste aveugle. 1923. A figura do acordeonista cego, eventualmente pedinte, faz parte do nosso imaginário.

Há mais de uma centena de músicos cegos célebres (ver um inventário em https://en.wikipedia.org/wiki/Category:Blind_musicians). Ray Charles, Stevie Wonder, José Feliciano e Andrea Bocelli constituem alguns exemplos. É admirável, mas sem pasmar. Como diria Vilfredo Pareto, o cego ouve e fala. Mais espantoso é um surdo compor uma sinfonia. Ou talvez não! Cego mesmo cego é o “que não vê com o coração”.

Cego não é invisual, invisual é aquilo que não se vê; invisual não é quem não vê. Assim como um cego não é um invisual, um velho não é um idoso, um sénior ou um terceiro idoso. Um velho é um velho! Os trapos são trapos! Irritam-me os reformadores de palavras empenhados em enfeitar artificialmente a língua.

Deu-me para colocar duas músicas com intérpretes cegos. De preferência, em dueto, para observar a interacção no palco. Optei por José Feliciano e Andrea Bocelli. José Feliciano fez, em 1968, um cover da canção Light my fire, dos Doors. Canta com Minnie Riperton um novo cover (1979). Pares não faltam a Andrea Bocelli. Hesitei entre a canção Time to say goodbye, com Sarah Brightman, e Dare to live, com Laura Pausini. Seja Laura Pausini.

Andrea Bocelli & Laura Pausini. Dare to live. Ao vivo no Teatro Del Silenzio. Itália, 2007.

Para aceder ao vídeo com o José Feliciano e a Minnie Riperton, carregar na imagem seguinte ou neste link: https://www.youtube.com/watch?v=RMttEWdVj7k.

José Feliciano & Minnie Riperton. Light my fire. Do álbum Minnie, de Minnie Riperton, publicado em 1979.