Demasiado velho para sonhar

Há notícias funestas que ameaçam as identidades das pessoas e dos lugares. Em má hora alguém se lembrou de minerar o território do Fojo junto ao Parque Nacional da Peneda-Gerês. A causa é a extracção do lítio e outras substâncias. A consequência é a perfuração do Fojo, com explosões e químicos à mistura. É difícil imaginar pior cenário. São lugares que resistiram a desafios de milhões de anos. Sossega-me acreditar que em Portugal se gosta do País. Gostam as pessoas, os animais e até os políticos. Tenho fé que a caravana, como outras, acabará por passar. O Fojo faz parte do “reino maravilhoso” que Miguel Torga pressente quando sobe rumo a Castro Laboreiro. É enorme o que está em risco: o ser, o estar, o sentir e o prazer das fragas, das águas, dos vales, das plantas, dos animais e, naturalmente, dos homens. Homens estúpidos que optam pelo que os prejudica. Que protegem a natureza com palavras e protocolos. O pior é que a minha geração está “demasiado velha para sonhar”.
Nada daquilo que mostra o anúncio Dream, da WCFF, devia acontecer. E, no entanto, está a chegar ao fim… Junto a canção When I Grow Too Old To Dream, interpretada por Nicki Parrot, com Rossano Sportiello.
Cheiro a Lisboa
A agência Mother London resgata a canção Puttin’ on the Ritz, de 1929, numa animação dançante, com trejeitos psicadélicos e cenários inspirados nas ruas de Lisboa. Formas, cores e ritmos embriagantes. Um anúncio fantástico. Portugal está no vento!
Marca: Ritz. Título: Puttin’on the Ritz. Agência: Mother London. Direcção: Fredrik Bond. UK, Julho 2015.
A música que veio do frio
Os Building Instrument publicaram recentemente o primeiro álbum, homónimo. Trata-se de um trio norueguês. O ano passado, já tínhamos colocado no blogue uma canção de um dos seus elementos: Mari Kvien Brunvoll (http://tendimag.com/2013/02/24/mari-kvien-brunvoll/). A música dos Building Instrument ainda é uma raridade, a merecer alguma atenção.
Building Instrument. Kanskje. Building Instrument. Noruega. 2014.
Irresponsabilidade
Gosto de ser europeu, da Europa “irresponsável”. Gosto da Itália irresponsável. Da arte, dos escritores, da comida, dos scallops Marsala, do futebol, das ragazze, das praças, das igrejas, dos palácios, das fontes … Da música e do cinema, também. Este Caruso de Aldo Romano, apetece ouvi-lo na Piazza Navona, com bandeira brasileira e Fonte dos Quatro Rios. Que irresponsabilidade!
Aldo Romano. Caruso / Estate. Non Dimenticar. 1993.
Mari Kvien Brunvoll
Este artigo é para aqueles que gostam de subir o monte só para ver o outro lado. Mari Kvien Brunvoll é uma cantautora norueguesa que acaba de publicar o álbum Daydream Twins (ainda a pendurar na net). Vale a pena ver, entretanto, o seu show a solo Live at Jazz and the City, em Salzburg, no dia 13 de Outubro de 2012.

