Crianças graúdas
Apetece-me pensar leve! Como um floco de neve que se recusa a aterrar. Não conheço sociedades que não tenham heróis, ou que, pelo menos, não os sonhem. Quanto à publicidade. ela é um imenso jardim onde passeia o nosso imaginário. Dá para o sentir à distância.
Quem são os nossos heróis? Aqueles que nos empolgam? O anúncio da Toyota, My Dad My Hero, é claro: um super-herói com superpoderes, à maneira da Marvel; um cowboy; um guerreiro; e… um astronauta (vídeo 1).
Marca: Toyota. Título: My Dad My Hero. Agência: Saatchi & Saatchi. Direção: Simon Willows. França, Agosto 2013.
A campanha Apollo, da AXE, resgata mais dois heróis: o bombeiro (http://www.youtube.com/watch?v=WWpNTNjyzr8) e o salva-vidas (http://www.youtube.com/watch?v=WWpNTNjyzr8). Não chegam, porém, aos calcanhares do… astronauta!
No anúncio da TalkTalkTV (vídeo 2), o protagonista é, de novo, um astronauta, acompanhado pela sua amada, num ternurento desenho animado itinerante, ao jeito do anúncio Graffiti, da Aides (2010).
Marca: TalTalkTV. Título: Date Night. Agência: Chi and Partners London. Reino Unido, Setembro 2013.
Em suma, quem são os nossos heróis? O astronauta, o astronauta, o astronauta, o Superman, o cowboy, o guerreiro, o bombeiro e o salva-vidas.
Estou a pensar leve demais. Os anúncios têm um toque tão infantil! Mormente, os anúncios da Toyota e da TalkTalkTv. Estes heróis são os heróis das crianças… Duvido! São os heróis das crianças que fomos. Destinam-se aos papás que compram popós e contratam operadores de televisão. São as crianças graúdas que se desodorizam para cheirar a macho. Mas estes heróis não são intemporais? Não pertencem a todas as gerações? É possível… Os cowboys caíram em desuso; os super-heróis e os guerreiros tendem a falar japonês; quanto ao Buck Rodgers, não sei por que nome o tratar na pós-modernidade.
Concluindo, quem pensa leve, escreve pesado.
O Sex Appeal do Inorgânico: O Pirolito
Ainda bem que surgem novidades para descobrirmos antiguidades. Um anúncio recente da Chupa-Chups (Spaceship, junho 2012) serviu de pretexto para explorar o arquivo da marca. Deparei-me com o anúncio Here Kitty Kitty de 2000. Pouco há a acrescentar que não esteja à vista. Erotização do objeto e excitação masculina. Uma história simples, ao jeito dos cartoons, embalada numa salsa compassada pelo voyeurismo (o olhar é o alfa e o ómega do anúncio).
Marca: Chupa Chups. Título: Here Kitty Kitty. Prazer oral. Agência: The Richards Group. EUA. Dezembro 2000.
Se considerarmos que o Chupa-Chups é saboreado, sobretudo, por crianças, este anúncio resulta algo embaraçoso. Ou talvez não: “Há poucos anos atrás, a marca iniciou um projeto ousado de conquistar adultos com uma guloseima caracteristicamente infantil. E a empresa vem colhendo resultados surpreendentes. Na Europa, por exemplo, os consumidores acima de 20 anos já respondem por 50% das vendas. Uma campanha capaz de despertar nos adultos o lado, digamos erótico do produto, fez muito sucesso nos Estados Unidos e na Europa. Um anúncio exibia uma loura deslumbrante, degustando sensualmente o pirulito. Título da propaganda: “Prazer. Oral” (http://mundodasmarcas.blogspot.pt/2006/05/chupa-chups-o-pirulito-original.html). Não deve ser fácil visar públicos tão heterogéneos. Que fazer? Dar uma no cravo e outra na ferradura? Ser explícito para uns e implícito para outros? Ser meio implícito? O seguinte anúncio reúne um pouco de tudo. Tanto dá para freudianos como para fraldianos…
Marca: Chupa Chups. Título: Spaceship. Agência: BBH Singapore. Singapura, Junho 2012.
