Podia ser pior!

Para uma noite de insónia
Meu avô contava-me a seguinte anedota:
Um minhoto e um galego estavam entusiasmados numa espécie de conversa ao desafio.
- Unha cabra golpeo cos cornos unha muller que pasaba polo camiño.
- Podia ser pior.
- Como podería ser peor?
- Se em vez de uma cabra fosse um rinoceronte.
- Unha procesión pasaba pola liña e un tren chega a toda velocidade…
- Podia ser pior.
- Como podería ser peor?
- Se o comboio, em vez de vir de frente, viesse de lado, atravessado.
- Onte, Francisco estivo con María, chegou o seu marido e apuñalouno por todas partes.
- Podia ser pior.
- Como podería ser peor?
- Se fosse uma hora antes, não teria sido o Francisco, teria sido eu.
Vem esta anedota a propósito do último anúncio da Levi’s em que um homem troca a vaca por umas calças. Segundo as conveniências contemporâneas, podia ser pior.
La vache et le prisonnier (primeira parte): https://gloria.tv/post/wLaTA7bRYzhr4UCiDfgixsame#25
La vache et le prisonnier (segunda parte): https://gloria.tv/post/R8nxZNx9ViJY1f4XLWnx8k3FY#5
La vache et le prisonnier (terceira parte): https://gloria.tv/post/JR4Wyu7Jkmgx4gHAK8uKbEQyu#5
Peixinhos pós-modernos

A publicidade é descaradamente intrusiva. Ubíqua e omnívora, ninguém lhe escapa. Interpela sem pedir licença. Até a consciência dispensa. E expande-se! Apoderou-se, num ápice, da Internet. Intromete-se. Chegamos ao cúmulo de pagar para a evitar. O YouTube é um exemplo. Ao abrir um vídeo, somos agraciados com um mínimo de cinco segundos publicitários. Até em casa, o “último reduto”, a publicidade se insinua. A publicidade é o nosso molho quotidiano. Com a agravante de nos conhecer bem, demasiado bem. Somos uns “peixinhos pós-modernos” (ver vídeo 1). Gansos e tansos. Os anúncios Les Oies e Le Tombeau, da France Televisions Publicité, ilustram, breves como cartoons, a omnipresença absurda da publicidade (ver vídeos 2 e 3).
Requiem desportivo
Eis um anúncio que não aspira à santidade. O protagonista é viciado em futebol. Não se enxerga! Confunde uma urna com uma claque e o cemitério com um estádio. Somos contemplados com dois minutos de equívoco. O que é obra! Raia o incómodo. Sem belas almas, mas com boa gente, o ser humano dança o tango no humor argentino. “Nem anjo, nem demónio”, oscila, pardo, entre a graça e o pecado. De vez em quando, cai bem um anúncio dissonante que não prega fé, esperança e caridade.
Marca: T&C Sports. Título: Requiem. Agência: Young & Rubicam. Argentina, Dezembro 2013.
