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Senhora do Vale

Medalha de Nossa Senhora do Vale (Manuel Pinho)

Fig 1. Medalha de NS do Vale 

O Manuel Pinho desafiou-me a fazer um pesquisa a partir da medalha de Nossa Senhora do Vale (Figura 1). Na Internet, surgem medalhas semelhantes, algumas brasileiras. Percorri sete países: Portugal, Espanha, França, Itália, Suíça, Brasil e Argentina. Todos promovem o culto a Nossa Senhora do Vale.

Em Portugal, sobressai a Nossa Senhora do Vale de São Pedro de Cête, em Paredes (ver Figura 2: postal ilustrado de 1913).

Nossa Senhora do Vale. Cliché Claudiniz. 1913. São Pedro de Cete. Paredes.

Fig 2. Nossa Senhora do Vale. 1913. São Pedro de Cete. Paredes.

Na Argentina, impressiona a Catedral Basílica de Nuestra Señora del Valle (Catamarca). Duvido, porém, que esta Senhora pertença à mesma linhagem que a europeia. A Itália, com um número elevado de igrejas dos sécs. XII e XIII, destaca-se no culto à Senhora do Vale. Justifica dois apontamentos:

Fig. 3. Rock-cut church of Santa Maria della Valle (or Vaglia), VIII century.

Fig 3. Rock-cut church of Santa Maria della Valle, Matera. VIII century.

Fig. 4. Chiesa Rupestre di Santa Maria De Idris . Matera. Séc. XII.

Fig 4. Chiesa Rupestre di Santa Maria De Idris . Matera. Séc. XII.

A Basílica de Santa Maria do Vale, em Matera, foi escavada na rocha no séc. VIII. Na região, existem várias igrejas “rupestres” (Figura 4), património mundial da UNESCO desde 1993 (http://www.basilicatatour.com/en/stone_churches_matera.html).

Fig. 5. Parrocchia di San Vincenzo, Santa Maria della Valle

Fig 5. Parrocchia di San Vincenzo, Santa Maria della Valle

Na Paróquia de San Vicenzo Ferrer (Atessa, Itália), a imagem da Senhora do Vale é associada ao trabalho (Figura 5). O menino Jesus segura, na mão direita, o Evangelho e, na esquerda, três ferramentas de carpintaria: um martelo (força), um esquadro (inteligência) e um pincel (beleza ou harmonia):

Nuestra Sra del_Valle. Monasterio de Rodilla. Espanha. Séc. XII.

Fig 6. Nuestra Sra del Valle. Monasterio de Rodilla. Espanha. Séc. XII.

“Il Bambino, assiso come maestro e lavoratore sulle ginocchia della madre, presenta con la mano destra il vangelo e con quella sinistra tre attrezzi da falegname, lavoro che la tradizione gli attribuisce agli anni vissuti a Nazaret.
Essi indicano tre rispettive dimensioni dell’attività umana: il martello, che il lavoro è forza, fatica, sacrificio, quantità produttiva; la squadra, che è espressione di intelligenza, competenza, professionalità, qualità; il pennello, in quanto arte e ingegno umano, bellezza di lavorare insieme, nel rispetto dell’ambiente” (http://www.madonnadellavalle.it/la_madonna_della_valle.asp).

Catedral Basílica de Nuestra Señora del Valle. Catamarca, Argentina.

Fig 7. Catedral Basílica de Nuestra Señora del Valle. Catamarca, Argentina.

Morte social

Louis-Vincent Thomas

Louis-Vincent Thomas

“Nunca estou só com a minha solidão” (Georges Moustaki, La Solitude, 1971).

Este anúncio é  poesia com imagens. Há séculos que se faz poesia com imagens. Agora, também.

A solidão pode aproximar-se da morte social (Louis-Vincent Thomas, Anthopologie de la mort, 1975).

Perdura, é verdade, a vida biológica, mas afrouxam-se os laços sociais e o sentido da vida. O mundo perde calor.

Marca: Les petits frères des pauvres. Título: Poisson d’Avril. Agência Euro RSCG. Direcção: Christelle D’Aulnat. França, 2001.

Maria Madalena: O Corpo e a Alma

“A razão nunca superou totalmente a imaginação, mas o contrário é corrente” (Blaise Pascal, Pensamentos). E quando a razão imagina? Quando sonha, segundo Goya, produz monstros. E quando imagina?

Levou semanas esta visita a Maria Madalena. Muito ficou por ver.

Giovanni Bellini. Maria Magdalena.1490.

Giovanni Bellini. Maria Magdalena.1490.

Maria Madalena consta entre as figuras mais fascinantes do Novo Testamento. Ambivalente e controversa, a imagem de Madalena sofre várias transfigurações ao longo dos séculos:
Companheira de Cristo, “apóstola dos apóstolos”, nos primeiros tempos da cristandade;
Santa pecadora perdoada por Cristo, a partir do século IV;
– Santa pecadora penitente, no fim do primeiro milénio;
– Santa penitente, “bela de corpo e bela de alma”, a partir do século XV.

Os evangelhos mencionam Maria Madalena em três episódios marcantes da vida de Jesus Cristo: a crucifixão, o sepultamento e a ressurreição.

Statue de Marie-Madeleine d'Écouis (Eure), Église Notre-Dame, 1311-1313

Statue de Marie-Madeleine d’Écouis (Eure), Église Notre-Dame, 1311-1313

Evangelho segundo Marcos. Capítulo 15

37  E Jesus, dando um grande brado, expirou.
38  E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.
39  E o centurião, que estava defronte dele, vendo que assim clamando expirara, disse: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.
40  E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;
41  As quais também o seguiam, e o serviam, quando estava na Galileia; e muitas outras, que tinham subido com ele a Jerusalém.
42  E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,
43  Chegou José de Arimateia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.
44  E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.
45  E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José;
46  O qual comprara um lençol fino, e, tirando-o da cruz, o envolveu nele, e o depositou num sepulcro lavrado numa rocha; e revolveu uma pedra para a porta do sepulcro.
47  E Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o punham.

Donatello. The Penitent Mary Magdalene 1425 Cathedral Museum, Florence. Detail.

Donatello. The Penitent Mary Magdalene 1425 Cathedral Museum, Florence. Detail.

Evangelho segundo Marcos. Capítulo 16.

1  E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.
2  E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.
3  E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?
4  E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande.
5  E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca; e ficaram espantadas.
6  Ele, porém, disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram.
7  Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse.
8  E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém porque temiam.
9  E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios.
10  E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando.

Colijn de Coter,The Mourning Mary Magdalene (1500 - 1504) detail.

Colijn de Coter,The Mourning Mary Magdalene (1500 – 1504) detail.

Evangelho segundo João. Capítulo 20.

11 Maria Madalena tinha ficado perto da entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, ela se abaixou, olhou para dentro
12 e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus. Um estava na cabeceira, e o outro, nos pés.
13 Os anjos perguntaram: -Mulher, por que você está chorando? Ela respondeu: -Levaram embora o meu Senhor, e eu não sei onde o puseram!
14 Depois de dizer isso, ela virou para trás e viu Jesus ali de pé, mas não o reconheceu.

“Noli Me Tangere” by Fra Angelico, c. 1440.

“Noli Me Tangere” by Fra Angelico, c. 1440.

15 Então Jesus perguntou: -Mulher, por que você está chorando? Quem é que você está procurando? Ela pensou que ele era o jardineiro e por isso respondeu: -Se o senhor o tirou daqui, diga onde o colocou, e eu irei buscá-lo.
16 -Maria! -disse Jesus. Ela virou e respondeu em hebraico: -“Rabôni!” (Esta palavra quer dizer “Mestre”.)
17 Jesus disse: -Não me segure, pois ainda não subi para o meu Pai. Vá se encontrar com os meus irmãos e diga a eles que eu vou subir para aquele que é o meu Pai e o Pai deles, o meu Deus e o Deus deles.
18 Então Maria Madalena foi e disse aos discípulos de Jesus: -Eu vi o Senhor! E contou o que Jesus lhe tinha dito.

Anónimo italiano. Madalena. Séc. XVI.

Anónimo italiano. Madalena. Séc. XVI.

Segundo as escrituras, Maria Madalena é a discípula mais próxima de Jesus Cristo. Acompanha-o no Calvário; observa o sepultamento; dispõe-se a preparar o seu corpo. É a primeira pessoa a ver Cristo ressuscitado e a primeira a dar a boa nova (“primeira apóstola”). Entre as mulheres, o seu nome surge em primeiro lugar (a guia das seguidoras de Jesus). Retenha-se, ainda, o reparo de Marcos: Jesus tinha expulsado sete demónios de Maria Madalena. Sete demónios, tantos quanto os pecados capitais. Maria Madalena terá levado, antes de se converter a Jesus, uma vida de vício e pecado.

Enfim, não identificada, a pecadora da casa de Simão (Evangelho de Lucas), que molha os pés de Cristo com lágrimas e os enxuga com os próprios cabelos, será, alguns séculos mais tarde, associada, pela Igreja, a Maria Madalena.

Evangelho segundo Lucas. Capítulo 7.

36 Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa.
37 E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento;
38 e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento.
39 Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora.
40 Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Diz, Mestre.
41 Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta.
42 Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?
43 Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem.
44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.
45 Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés.
46 Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés.
47 Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.
48 Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados.
49 Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?
50 Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

Rubens Pieter Paul - Feast in the House of Simon the Pharisee. 1618-20.

Rubens Pieter Paul – Feast in the House of Simon the Pharisee. 1618-20.

A associação, controversa, de Maria Madalena à pecadora de Lucas acaba por afetar a sua imagem. Consta que, naquele tempo, só as mulheres de má vida traziam o cabelo solto em público. A prostituição seria um dos sete demónios de Maria Madalena.

O Evangelho, apócrifo, de Maria (Madalena), retrata a santa como companheira, confidente e intérprete de Jesus Cristo, e com algum ascendente sobre os discípulos. Atente-se neste pedido de Pedro a Maria (Madalena): “Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos”. Em consonância, Hipólito, Bispo de Roma (170-235 D.C), classifica Maria Madalena como a “Apóstola dos Apóstolos”.

Perugino. Saint Mary Magdalene. Circa 1500-1502.

Perugino. Saint Mary Magdalene. Circa 1500-1502.

Que destino reserva a Igreja à companheira de Jesus, a “Apóstola dos Apóstolos”?

Bartolomeo di Giovanni. Sainte Marie-Madeleine. XV siècle.

Bartolomeo di Giovanni. Sainte Marie-Madeleine. XV siècle.

O Papa Gregório, o Grande (540-604 D.C.), acrescenta uma primeira interpretação decisiva. Num sermão, apresenta Maria Madalena como a prostituta que se arrependeu, e por isso foi salva. Esta imagem consolida-se com a fusão de três figuras do Novo Testamento: Maria Madalena, Maria de Betânia e a prostituta arrependida de Lucas. Para o Papa Gregório, o Grande, as três são uma única. Duas chamavam-se Maria e as três possuíam vasos com unguento.

“Se ela foi até o sepulcro para ungir o corpo do Senhor; se em João e Mateus está escrito que a mulher que ungira Jesus durante a ida a Betânia seria lembrada por ungi-lo, preparando-o para a morte futura; e se a mulher que lhe lavara os pés em Lucas também O ungira, então todas são a mesma pessoa: Maria Madalena era também Maria de Betânia e era a prostituta do texto de Lucas” (Sociedade das Ciências Antigas, Santa Maria Madalena, a Companheira do Salvador, http://www.sca.org.br/news/134/58/Santa-Maria-Madalena.html).

A imagem de Maria Madalena começa a pender para o lado do pecado e da penitência. O vaso com unguento será o seu principal símbolo. Maria Madalena afasta-se da Virgem Maria rumo a Eva.

Gregor Erhart. Maria Madalena. 1510. Museu do Louvre.

Gregor Erhart. Maria Madalena. 1510. Museu do Louvre.

No segundo quartel do século XI, “descobre-se” em Vézelay, no sul de França, o “santíssimo corpo da bem-aventurada Maria Madalena”. Como explicar semelhante fenómeno? “Impunham-se, pelo menos, duas explicações: qual foi a vida de Maria Madalena após a ressurreição de Cristo? Como é que o corpo de Maria Madalena veio da Judeia para a Gália?” (Duby, Georges, As damas do século XII, Companhia de Bolso, 2013). Os sermões vão encarregar-se de dar resposta:

Elevation of Mary Magdalene with angels raising her. SS Johns Cathedral. Toorun, 14th century. Detail.

Elevation of Mary Magdalene with angels raising her. SS Johns Cathedral. Toorun, 14th century. Detail.

““Após a ascensão do Salvador, movida por uma afeição ardente pelo Senhor e pela tristeza que sentia após sua morte”, Maria Madalena “nunca mais quis ver um homem nem um ser humano com seus olhos”; “retirou-se durante trinta anos no deserto, ignorada por todos, jamais comendo alimento humano nem bebendo. A cada uma das horas canônicas, os anjos do Senhor vinham do céu e a conduziam no ar a fim de que ela rezasse em companhia deles.” Um dia, um padre percebeu anjos que esvoaçavam acima de uma caverna fechada. Ele se aproximou e chamou. Sem se mostrar, Madalena se fez conhecer e lhe explicou o milagre. Pediu-lhe que lhe trouxesse roupas, pois “não podia aparecer nua entre os homens”. Ele retornou, e conduziu-a à igreja onde celebrou a missa. Ela expirou ali, após ter comungado o corpo e o sangue de Jesus Cristo. “Por seus santos méritos, grandes maravilhas se produziam junto de seu sepulcro.” Na época em que Geoffroi se empenhava em fazer admitir que esse sepulcro se achava na abadia da qual era o encarregado, uma outra vida de Maria Madalena circulava, a que os historiadores chamam apostólica. Pretendia que Madalena, após o Pentecostes, tinha viajado por mar em companhia de Maximino, um dos 72 discípulos. Desembarcando em Marselha, os dois se puseram a pregar, a evangelizar a região de Aix. Morta Maria Madalena, Maximino lhe fez belos funerais e colocou seu corpo num sarcófago de mármore que mostrava, esculpida numa de suas faces, a cena da refeição na casa de Simão. Era possível conjugar essa segunda lenda com a primeira, situando o deserto de que esta falava nas montanhas provençais, na Sainte-Baume” (Duby, Georges, As damas do século XII, Companhia de Bolso, 2013).

Lucas Moser. The Magdalene Altar. St. Mary Magdalene Church, Tiefenbronn, 1432. Em cima, na casa de Simão. À esqueda, a viagem para França. À direita, a última comunhão de Madalena.

Lucas Moser. The Magdalene Altar. St. Mary Magdalene Church, Tiefenbronn, 1432. Em cima, na casa de Simão. À esqueda, a viagem para França. À direita, a última comunhão de Madalena.

Enxertam-se duas lendas na biografia de Maria Madalena. A vida depois de Cristo e a travessia de Galileia até França. A vida de eremita é decalcada de Maria do Egipto (344-421), prostituta convertida que se retirou em penitência no deserto. As imagens das duas santas são tão próximas que, por vezes, só os três pães, de Maria do Egipto, e o vaso com unguento, de Maria Madalena, as distinguem.

Hairy Mary of Egypt. Missal and book of hours, Lombardy, ca. 1385-1390.

Hairy Mary of Egypt. Missal and book of hours, Lombardy, ca. 1385-1390.

Ressalve-se que, no sermão analisado por Georges Duby, são dois os motivos que levam Maria Madalena a retirar-se do mundo: o amor a Jesus Cristo e a fuga ao contato humano: “movida por uma afeição ardente pelo Senhor e pela tristeza que sentia após sua morte, nunca mais quis ver um homem nem um ser humano com seus olhos”. Não se alude à vida de eremita como expiação dos pecados até à morte. Mas não será necessário aguardar muito tempo.

Ascensão de Maria Madalena. Fresco da Capela de St Erige, Auron. França. Séc. XV,

Ascensão de Maria Madalena. Fresco da Capela de St Erige, Auron. França. Séc. XV,

No início do século XII, Geoffroi de Vendôme escreve sobre Maria Madalena: “Pecadora famosa, depois gloriosa pregadora (…) mais por meio das lágrimas do que das palavras”.

“A mulher que Geoffroi mostra como exemplo é antes de tudo a que foi habitada pelos sete demônios, ou seja, pela totalidade dos vícios. Pecadora — a palavra retorna catorze vezes nesse curto texto —, peccatrix, mas também accusatrix, consciente de suas faltas e confessando-as, prostrada aos pés do mestre. (…) Submissa como devem ser sempre as mulheres, Maria Madalena só foi plenamente redimida após ter feito penitência. Interpretando à sua maneira a vida eremítica, Geoffroi afirma que, após a Ascensão, ela se lançou com fúria sobre seu próprio corpo, castigando-o com jejuns, vigílias, preces ininterruptas. Por meio dessa violência voluntária, Maria Madalena, “vítima”, e “vítima obstinada”, ficou sendo no limiar da salvação “porteira do céu”” (Georges Duby, op. cit.).

Em mil anos, a Igreja retoca sucessivamente a imagem de Maria Madalena até transformar a santa num “arquétipo do pecado” (Daniela Crepaldi Carvalho, Madalena: Arquétipo do Pecado, http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/m00015.htm).

Ticiano. Sta Maria Madalena penitente. 1533.

Ticiano. Sta Maria Madalena penitente. 1533.

A figura de Maria Madalena penitente, sofredora, empenhada na expiação dos pecados, vai marcar a arte cristã desde a Idade Média:

“A cabeleira solta, o perfume espalhado, ambos intimamente associados no imaginário da cavalaria aos prazeres do leito. Evocar essas armadilhas da sensualidade era atiçar no espírito dos ouvintes os fantasmas que a leitura da vida eremítica despertava: as doçuras de um corpo de mulher, nu entre as pedras ásperas, a carne adivinhada sob os cabelos em desalinho, a carne mortificada e no entanto resplandecente. Tentadora. Desde o final do século XIII, pintores e escultores se empenharam em oferecer da Madalena essa imagem ambígua, perturbadora. Sempre, mesmo os mais austeros, mesmo Georges de La Tour. Inclusive Cézanne” (Georges Duby, op. cit.).

Artemisia Gentileschi - Madalena desmaiada, ca 1653.

Artemisia Gentileschi – Madalena desmaiada, ca 1653. Tem na mão o instrumento com que se vergasta.

Na arte medieval, predominam duas imagens matriciais de Maria Madalena: penitente, eremita, nua, com os cabelos a cobrir o corpo; ou em ascensão, amparada pelos anjos, rumo ao céu para alimento celestial.

Antonio del Pollaiolo. Assunzione di Santa Maria Maddalena, ca. 1460.

Antonio del Pollaiolo. Assunzione di Santa Maria Maddalena, ca. 1460.

Estas imagens medievais esbatem-se durante o Renascimento. Maria Madalena tende a ser retratada vestida, em ambiente doméstico, acompanhada pelo vaso de unguento e por um livro, símbolo da gnose. Da Maria Madalena renascentista, desprende-se uma atmosfera de recato.

Piero Cosimo. Santa Maria Madalena. 1490.

Piero Cosimo. Santa Maria Madalena. 1490.

Bernini, “St. Mary Magdalen,” 1661-1663, Chigi Chapel, Siena Cathedral, Siena.

Bernini, “St. Mary Magdalen,” 1661-1663, Chigi Chapel, Siena Cathedral, Siena.

Com o barroco, regressa a Maria Madalena penitente. Mas, agora, ambivalente, foco de uma tensão entre o corpo e o espírito. Vivo, perturbador e inquieto, o corpo é castigado, mas nem por isso perde sensualidade (repare-se na escultura de Bernini). Uma sensualidade que se exacerba nos momentos de êxtase (ver as pinturas de Artemisia Gentileschi, Andrea Vaccaro e Francesco del Cairo). A corporalidade e a espiritualidade dobram-se mutuamente. Nem a Idade Média, nem o Renascimento lograram tamanha veemência assente na tensão entre o corpo e a alma (atente-se nas pinturas de Georges de la Tour, Angelo Caroselli, Giacomo Galli ou Carlo Sellito). Para o barroco, Maria Madalena é, antes de mais, uma bela alma num corpo belo.

A. Vaccaro. Magdalena penitente. Séc. XVII.

A. Vaccaro. Madalena penitente. Séc. XVII.

Para George Duby, esta alteração da imagem de Maria Madalena tem a ver com a reforma eclesiástica implementada entre 1075 e 1125: generalização do celibato dos membros do clero, instituição do casamento e combate aos pecados da carne. Neste cenário, a imagem de Maria Madalena, santa pecadora, presta-se como emblema e como arma, às mãos da Igreja.

Em mil anos, a Igreja masculiniza-se e a imagem de Maria Madalena feminiza-se. E, quanto mais mulher, mais pecadora. Ser mulher comporta custos, mesmo na corte celestial.

Andrea Vaccaro. Madalena em êxtase. 1654.

Andrea Vaccaro. Madalena em êxtase. 1654.

Nos primeiros séculos da era cristã, as mulheres foram, gradualmente, afastadas dos cargos da Igreja. “O Concílio de Elvira, em 305, instruiu que, todos aqueles que participassem do cerimonial do altar, mantivessem total abstinência de suas esposas. Em 325, o Concílio de Laodiceia proibiu as mulheres de servirem como sacerdotes e de possuírem paróquias; e em 425, o Concílio de Cartago, que contou com a presença de Santo Agostinho, decretou que todo o alto clero deveria se separar de suas esposas, sob pena de perder seus direitos sacerdotais” (Sociedade das Ciências Antigas, Santa Maria Madalena, a Companheira do Salvador, http://www.sca.org.br/news/134/58/Santa-Maria-Madalena.html).

Angelo Caroselli. The Penitent Magdalene, c. 1620, San Diego Museum of Art.

Angelo Caroselli. The Penitent Magdalene, c. 1620, San Diego Museum of Art.

Em 1073, o Papa Gregório VII alargou a obrigação de celibato a todo o clero. Em 1123, o Concílio de Létran decreta a invalidade do matrimónio dos clérigos. Pode ser meramente casual, mas a correlação entre a masculinização da Igreja e a feminização pecadora de Maria Madalena manifesta-se uma hipótese tentadora.

Evasão

 

Louis Vuitton

Hoje, apetece-me algo bom! Sim! Algo mesmo bom! Para despedir as férias. Apetece-me zarpar para a ilha das pessoas raras. Apetece-me, por exemplo, um Aveillan! Um balsamo para os olhos e para os ouvidos. Que a boca e o tacto são dados à luxúria… Bruno Aveillan dirigiu em 2008 a primeira campanha para a Louis Vuitton: “Where Wil Life Take You”. Sob o signo da travessia. Recebeu 14 prémios internacionais. As imagens são fantásticas. A fotografia é inconfundível. Sequências passageiras despedem-se suavemente. A música é da autoria de Gustavo Santaolalla, vencedor de dois prémios Nobel pela melhor banda sonora dos filmes O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Babel (2006). Hoje, apetece-me algo bom! Mesmo bom! Uma pitada de evasão com as asas de Bruno Aveillan e Gustavo Santaolalla.

Marca: Louis Vuitton. Título: A Journey. Agência: Ogilvy. Direção: Bruno Aveillan. Produção: Quad. Música: Gustavo Santaolalla. França, 2008.

O Corredor Tecnológico

ARRISA ARRIS é uma empresa da área da comunicação e da informática. O anúncio Inventing the Future começa num hangar com imenso espaço inocupado. Uma metáfora do presente? Do futuro? Do futuro no presente (Barbara Adam)? O protagonista entra num corredor. Não se vislumbra o fundo. Em jeito de paredes, inúmeros objectos electrónicos empilhados: televisores, computadores, monitores, despertadores, rádios… A disposição não é casual, mas também não é linear, nem geométrica. Há margem para a diversidade e para a originalidade. Este desarranjo na representação da história da tecnologia electrónica constitui uma das características mais relevantes do anúncio. O corredor é o passado no presente (Barbara Adam). Parece um labirinto. Mas não é! Não há modo de se perder. O homem da Arris avança seguro, sem hesitação, maquinal. Sem parar! O avanço no corredor faz lembrar um videojogo. Mas não é. Tem níveis mas não tem conclusão. Trata-se de um passado num presente que tem futuro. Pelo caminho, alguns marcos, por sinal, heterogéneos: a difusão da televisão, os Looney Tunes, a viagem à lua, a MTV, o skate, a queda de Hussein, a câmara de filmar incorporada nos portáteis… Um pouco de tudo. Não se enxergam, pelo menos à primeira vista, imagens disfóricas. Nem Hiroshima, nem Dallas 1963, nem 11 de Setembro! Estamos perante um mundo fantástico, sedeado algures entre o Canadá e o México. À semelhança dos brinquedos de E.T.A. Hoffmann ou do filme Toys Story, os objectos técnicos têm vida própria. Parecem dispensar mão humana. No início, o comando pousado no solo activa-se sozinho. O mesmo sucede com os ecrãs e demais objectos técnicos durante o avanço no corredor. Arris é artífice e herdeira deste mundo mágico. É uma garantia e uma promessa. Uma promessa garantida.

Marca: ARRIS. Título: Inventing the future. Agência: Story Worldwide. Direcção: Alex Topaller, Dan Shapiro. USA, 2014.

ARRIS is a global innovator in IP, video and broadband technology. We have continually worked with our customers to transform the experience of entertainment and communications for millions of people across the world. The people of ARRIS are dedicated to the success of our customers, bringing a passion for invention that has fueled our 60-year history: We created digital TV, delivered the first wireless broadband gateway and are pioneering the standards and pathways for tomorrow’s personalized, Ultra HD, multiscreen, and cloud services. We are dedicated to meeting today’s challenges and preparing for the tasks the future holds. Collaborating with our customers, ARRIS will continue to solve the most pressing challenges of 21st century communications.
Together, we are inventing the future.

O Corpo e a Imagem

Dtac. The Power of Love

A propósito da integração de lusodescendentes na sociedade portuguesa, aludi num encontro internacional (Universidade Nova de Lisboa, 9 a 12 de Julho) às consequências da perda ou da hibernação dos laços sociais. Não podem as “redes sociais”, o skype e outras ferramentas de comunicação à distância facultar alternativas? Os laços sociais requerem tempo, proximidade, intercorporalidade e materialidade. Ainda não há abraços electrónicos; e os emigrantes portugueses em Paris não se reúnem no Natal à volta de um bacalhau virtual. Ainda há símbolos que exigem materialidade. Um mero contacto ou um simulacro não configuram um laço social. Que o diga este anúncio tailandês. Os estímulos maternos via tablet não conseguem que o bebé pare de chorar. Foi preciso o colo do pai. O corpo em vez do ecrã. Na ponta da tecnologia, o amor.

Marca: Telco Dtac. Título: The Power of Love. Agência: Y&R Thailand. Direcção: Kumphol Whitpiboolrut. Tailândia, Julho 2014.

Selfie desfocado

Lagarto Tatu de Ouro. África do Sul

Lagarto Tatu de Ouro. África do Sul

Eis o meu corpo! Eis a minha imagem! Tirada por mim, para comunhão digital. Não é alienação, é dádiva, subjectivamente autenticada. Não é selfish, é selfie. A onda selfie tem os seus pergaminhos. Alexandre o Grande foi o primeiro governante a estampar o seu rosto na moeda. Para seduzir todo o Império. Alguns dos selfies que piscam o olho na internet vão ser mais famosos do que os auto-retratos de Rembrandt ou de Van Gogh. Subsiste, no entanto, um risco. E se, devido à anunciada revolta dos objectos, o fundo da imagem ofusca a figura. Se os selfies emergentes forem do tipo: mobiliário de cozinha com figura desfocada ou despixelada em primeiro plano. É o que acontece no anúncio intitulado, precisamente, Selfie. Um dia, atardei-me a observar um lagarto. De repente, começa a andar à roda até que abocanha a própria cauda. Começa a morder. Tanto morde que só sobram os dentes. Se calhar, o lagarto fez um selfie réptil. Não é verdade que o selfie seja um modo de estar só no meio da multidão, para retomar a expressão de David Riesman. É apenas uma maneira de não estar acompanhado. O que não vai dar ao mesmo.

Marca: Leroy Merlin. Título: Selfie. Agência: BETC Paris. Direcção: Blacktool Brieuc Dupont & Clément Langlais. França, Maio 2014.

OVMI (Objecto Voador Mal Identificado)

À memória de Raphael Pividal

Por estranho que pareça, na Idade Média a sexualidade era mais liberta, menos inibida e menos censurada do que nos nossos dias.

“Entre a maneira de falar sobre relações sexuais representada por Erasmo e a representada aqui por Von Raumer, é visível uma curva de civilização semelhante à mostrada em mais detalhe na manifestação de outros impulsos. No processo civilizador, a sexualidade, também, é cada vez mais transferida para trás de cena da vida social e isolada em um enclave particular, a família nuclear. De maneira idêntica, as relações entre os sexos são segregadas, colocadas atrás de paredes da consciência. Uma aura de embaraço, a manifestação de um medo sociogenético, cerca essa esfera da vida. Mesmo entre adultos é referida apenas com cautela e circunlóquios” (Norbert Elias, O processo civilizador, vol. I, Rio de Janheiro, Zahard Ed., 1994, p. 180).

Decretum Gratiani with the commentary of Bartolomeo da Brescia, Italy 1340-1345.

Decretum Gratiani with the commentary of Bartolomeo da Brescia, Italy 1340-1345.

Os manuscritos e as imagens medievais evidenciam esta “curva civilizacional” ao nível do controlo e da expressão da sexualidade. As aventuras de Panurgo no Pantagruel, de François Rabelais, fornecem uma amostra. Nas iluminuras, multiplicam-se, explícitas, as cenas de sexualidade, ora realistas, ora caricatas: árvores que dão falos, coitos, exibicionismos, sodomia… Não as mostro porque estamos no século XXI e este blogue é para todas as idades. A maioria pertence a cópias do Romance da Rosa (1230-1280).  Subsiste, no entanto, uma imagem que não resisto a partilhar. Considero-a a mais extraordinária. Pintada entre 1340 e 1345, representa um objeto voador mal identificado (OVMI).

Hieronymus Bosch. As Tentações de Sto Antão.  Pormenor. 1495-1500. Lisboa.

Hieronymus Bosch. As Tentações de Sto Antão. Pormenor. 1495-1500. Lisboa.

Será um peixe voador como aqueles que Hieronymus Bosch pintou 150 anos mais tarde no tríptico de Lisboa (As Tentações de Santo Antão, entre 1495 e 1500)? Ambos transportam pessoas, mas ao OVMI, o que falta em barbatanas sobra em orelhas. Ressalve-se a existência de uma associação simbólica entre o peixe e o OVMI, por exemplo, na mitologia maia (Chevalier, Jean & Gheerbrant, Alain, Dictionnaire des Symboles, Paris, Robert Laffont, 1982).

Illustrations depicting Waldensians as witches in Le champion des dames, by Martin Le France, 1451.

Illustrations depicting Waldensians as witches in Le champion des dames, by Martin Le France, 1451.

Será o OVMI uma vassoura montada por uma bruxa? A nudez confere, mas o dispositivo voador pode ter cabo, mas não tem feixe para varrer. Ora, as bruxas eram muito ciosas das suas vassouras… Não varriam e ainda menos voavam em vassouras amputadas.

Será um pão, um cacete, como o “pão catalão” de Salvador Dali (1932)? Um pão voador? Nada de pasmar, há vários registos do fenómeno. Um restaurante em Singapura chama-se The Flying Bread. Tratar-se-ia, neste caso, de um OVMI pasteleiro surrealista.

Salvador Dali. Catalan Bread. 1932.

Salvador Dali. Catalan Bread. 1932.

O peixe, a vassoura e o pão constituem três hipóteses plausíveis. Acrescento uma quarta: o OVMI é o fruto de uma faleira que tem como propriedade levar o homem e a mulher a cavalgar um peixe voador.

Subsistem, contudo, muitas dúvidas e algumas insuficiências metodológicas. Quer-me parecer que tamanho enigma só pode ser resolvido mediante uma investigação sistemática e aprofundada, conduzida por uma equipa interdisciplinar internacional, com acesso a alta tecnologia, apoiada por uma ou várias fundações mecenas, com publicação dos resultados numa revista estrangeira com factor de impacto.

Espelho meu

Dove. Retratos da Real Beleza

Dove. Retratos da Real Beleza. 2013

Ano após ano, as campanhas da Dove primam pela inteligência. Uma série de ovos de Colombo. O princípio de que há mais estética para além da estética revelou-se um filão. Nada que a história da arte não saiba. Não obstante, na publicidade o padrão pertence à Dove. Por quê insistir em sintonizar os anúncios em torno de uma centésima de mulheres? Por quê ignorar as mulheres que não se entusiasmam com o que vêem no espelho? São receitas que dão frutos, mas outras receitas podem lograr frutos mais saborosos. Pasmar com a beleza alheia é uma coisa, cuidar de si é outra. O anúncio Retratos da Real Beleza transpira talento, criatividade e sensibilidade. O retratista vê com os ouvidos, porventura “com o coração”. Assim se faz um dos anúncios mais premiados em 2013 (cinco grandes prémios em Cannes). Por sua vez, o director criativo, o brasileiro Anselmo Ramos, da Ogilvy Brasil, é o mais premiado do ano.

Marca: Dove. Título: Retratos da Real Beleza / Real Beauty Sketches. Agência: Ogilvy. Brasil, Abril, 2013.

O Pixel Nosso de Cada Dia

Samsung, Life in every pixelO sentimento está a desbotar para o azul? Pixelize-se. Quanto mais cedo, melhor. Mergulhe, da cabeça aos pés, numa caixa de cores e deixe-se absorver pelas imagens. Não se canse de “imaginar”, massaje-se, imagem a imagem, a duas, três ou quatro dimensões. Se a vida está demasiado azul, o arco-íris está à sua espera no aquário electrónico. Concentre-se visualmente. Assuma como uma imagem num televisor que não presta, o seu, é uma imagem do outro mundo num televisor mágico, o Samsung. Deve ser isto a alquimia pictórica. Curiosamente, falou-se ontem no mago, Bruno Aveillan, na sessão de abertura do  Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Marca: Samsung. Título: Life in every pixel. Agência: Cheil, UK. Direção: Bruno Aveillan. Reino Unido, Setembro 2013.