Novas sensações tecnicamente assistidas

A técnica dá a mão à estética. Ocorrem-me, por exemplo, as serigrafias de Andy Warhol. As novas tecnologias audiovisuais permitem ver a realidade como ninguém, pelo seus próprios meios, alguma vez viu. É o caso dos movimentos de dança no anúncio Feel Something New, da Royal Opera House, de Londres.
Imagens babélicas

É cada vez mais frequente as imagens não se alinharem harmoniosamente em função de uma história. Há vídeos em que as imagens se acotovelam e se atropelam sem prosseguir um destino. Parecem mosaicos que se desfragmentam à medida que o tempo passa. Não têm princípio, nem trama, nem desenlace. Quando muito, retorno. Descuidam a razão e o raciocínio. Agarram-se ao corpo, às sensações, aos sentimentos, às emoções e ao imaginário. Aceleradas e babélicas, as imagens atordoam e excitam os sentidos. Abraçadas à música, multiplicam os efeitos. Geram ambientes e disposições. Absorvem. Perturbadoras, remetem para a potência, para o sonho e para o mito. Dispensam a lógica e a palavra (artigo Chuva de Imagens, Tendências do Imaginário, 18.09.2011).
Segue “Life Wasted” (2006), dos Pearl Jam, vídeo musical eventualmente chocante. Para aceder, acarregar na imagem seguinte.

Multidão Solitária e Morte Social


Nos artigos que seguem, nem a morte ri, nem a velhice pressagia. A massa e a indiferença conduzem a um abismo sem fundo. Lúgubres e insustentáveis, engolem sem regurgitar. Relevo as fotografias de Misha Gordin no vídeo musical de La Solitudine, do Leo Ferré, colocado por TiresiaXX, em setembro de 2013.
Uma perdição!
À Minda

Ano após ano, reuni centenas de imagens de livros de oração medievais. Constituem um dos principais repositórios fantásticos da humanidade. Não foi fácil seleccioná-las. Quanto às músicas, ainda foi mais complicado: destacaram-se duas cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, interpretadas pelo Clemencic Consort. A meu ver, a música é a parte mais preciosa do vídeo.
Há treze anos, no dia 23 de agosto de 2013, coloquei o vídeo “Imagens de Salvação”, com iluminuras e músicas medievais. Uma montagem que me deixou duplamente satisfeito: pelo resultado e pelo prazer. Mais palavras para quê?
Credo da Técnica

Estamos atualmente na fase de evolução histórica de eliminação de tudo o que não é técnico (Jacques Ellul).
Será que um destes dias o monte de Santa Tecla se chamará monte de Santa Técnica?
Anúncio português vintage 4. Quanto mais cópias, menos originais
Folha a folha, apaga-se a floresta. O anúncio “Cópias”, do Observatório do Ambiente, não precisa nem mais tempo, nem mais imagens. “Quanto mais cópias, menos originais. Não desperdice papel”. Neste aspeto, bem-vindo o digital. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]

“E esta, hein?” Arte com drones

De Seul, na Coreia do Sul, os meus rapazes enviaram-me estes dois pequenos vídeos. Primeiro, pensei que era uma nova espécie de holograma. Mas não! Geram este efeito espantoso com drones mais que sincronizados. “E esta, hein?”
A amamentação através do tempo. II – Primeiro milénio pagão

Com tempo para semear, acrescento um novo episódio à história ilustrada da amamentação, desta vez, com imagens pagãs, não cristãs, do primeiro milénio.
Nos primeiros séculos da era cristã, predominam as figuras “pagãs” celtas, galo-romanas e do culto a Ísis, então no auge. As obras, sobreviventes, com a Virgem Maria resultam raras até finais do milénio, principalmente no continente europeu.
Imagem: Estela funerária De Medinet el-Fayumséc. Egito. Séc. IV ou V d.C.Talvez uma das primeiras virgens do leite (Galakotrophousa) coptas. Museum fürByzantinische Kunst. Berlim
As Deusas-mães, ou Matronas, de origem celta e galo-romana conheceram uma divulgação considerável durante este período (Figuras 2.01; e 2.07 a 2.15). Estatuetas de terracota, frequentemente com menos de um palmo, eram reproduzidas com recurso a moldes (Figuras 2.12 a 2.14). Ísis, entretanto, romanizou-se, passando a exibir túnicas e mantos ao estilo greco-romano (Figuras 2.02; 2.03; 2.16; e 2.17). Acrescem alguns relevos com uma mãe e um bebé em estelas de túmulos de crianças (Figuras 2.04 a 2.06).
Colocadas em altares domésticos, santuários e sepulturas, estas imagens, associadas à proteção das crianças, à maternidade, à terra, às fontes, à fecundidade e à abundância, não só precedem como prefiguram as dedicadas posteriormente à Virgem Maria.
Segue uma galeria com menos de dúzia e meia de imagens. Permitam-me, todavia, uma confidência: excecionais, são exemplares deveras difíceis de encontrar e identificar, inclusivamente na Internet. Trata-se de uma tarefa que requer algum engenho e muita paciência. Só mesmo para quem se interessa por coisas que não lembram ao diabo!
Galeria 2. Imagens pagãs do primeiro milénio da era cristã



















