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Novas sensações tecnicamente assistidas

A técnica dá a mão à estética. Ocorrem-me, por exemplo, as serigrafias de Andy Warhol. As novas tecnologias audiovisuais permitem ver a realidade como ninguém, pelo seus próprios meios, alguma vez viu. É o caso dos movimentos de dança no anúncio Feel Something New, da Royal Opera House, de Londres.

Novas sensações, 05.10.2018

Dá cor à vida! Pixaliza-te.

O Pixel Nosso de Cada Dia, 02.10.2013

Imagens babélicas

Building of the Tower of Babel. Detail of a miniature from the Bedford Hours, ca. 1410-1430.

É cada vez mais frequente as imagens não se alinharem harmoniosamente em função de uma história. Há vídeos em que as imagens se acotovelam e se atropelam sem prosseguir um destino. Parecem mosaicos que se desfragmentam à medida que o tempo passa. Não têm princípio, nem trama, nem desenlace. Quando muito, retorno. Descuidam a razão e o raciocínio. Agarram-se ao corpo, às sensações, aos sentimentos, às emoções e ao imaginário. Aceleradas e babélicas, as imagens atordoam e excitam os sentidos. Abraçadas à música, multiplicam os efeitos. Geram ambientes e disposições. Absorvem. Perturbadoras, remetem para a potência, para o sonho e para o mito. Dispensam a lógica e a palavra (artigo Chuva de Imagens, Tendências do Imaginário, 18.09.2011).

Segue “Life Wasted” (2006), dos Pearl Jam, vídeo musical eventualmente chocante. Para aceder, acarregar na imagem seguinte.

Pearl Jam – Life Wasted. Pearl Jam, 2006

Multidão Solitária e Morte Social

Misha Gordin – The New Crowd. Fotografia seguinte: Crowd and Shadows of the Dream.

Nos artigos que seguem, nem a morte ri, nem a velhice pressagia. A massa e a indiferença conduzem a um abismo sem fundo. Lúgubres e insustentáveis, engolem sem regurgitar. Relevo as fotografias de Misha Gordin no vídeo musical de La Solitudine, do Leo Ferré, colocado por TiresiaXX, em setembro de 2013.

A multidão solitária, 01.09.2015
Morte social, 01.09.2015
Teleassistência, 01.09.2012

Uma perdição!

À Minda

Ano após ano, reuni centenas de imagens de livros de oração medievais. Constituem um dos principais repositórios fantásticos da humanidade. Não foi fácil seleccioná-las. Quanto às músicas, ainda foi mais complicado: destacaram-se duas cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, interpretadas pelo Clemencic Consort. A meu ver, a música é a parte mais preciosa do vídeo. 

Há treze anos, no dia 23 de agosto de 2013, coloquei o vídeo “Imagens de Salvação”, com iluminuras e músicas medievais. Uma montagem que me deixou duplamente satisfeito: pelo resultado e pelo prazer. Mais palavras para quê?

Imagens de Salvação. Tendências do Imaginário, 23.08.2013

Credo da Técnica

Gino Severini – Red Cross Train Passing a Village, 1915. Guggenheim, New York

Estamos atualmente na fase de evolução histórica de eliminação de tudo o que não é técnico (Jacques Ellul).

Será que um destes dias o monte de Santa Tecla se chamará monte de Santa Técnica?

Anúncio português vintage 4. Quanto mais cópias, menos originais

Folha a folha, apaga-se a floresta. O anúncio “Cópias”, do Observatório do Ambiente, não precisa nem mais tempo, nem mais imagens. “Quanto mais cópias, menos originais. Não desperdice papel”. Neste aspeto, bem-vindo o digital. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]

Anunciante: Observatório do Ambiente. Título: Cópias [?]. Agência: McCann Erickson. Portugal, 2001

Higiene digital

“The real danger is not that computers will begin to think like men, but that men will begin to think like computers” / O verdadeiro perigo não é que os computadores venham a pensar como os homens, mas que os homens comecem a pensar como computadores” (pensamento atribuído ao jornalista Sydney Harris).

A revolução informática tem limites? Talvez…

Imagem: Computer man, by GigachadUndertaleFan. DeviantArt

Marca: Emma. Título: Le Trèfle. Agência: Leo Burnett Paris. Direção: Bart Timmer. França, 2013

“E esta, hein?” Arte com drones

De Seul, na Coreia do Sul, os meus rapazes enviaram-me estes dois pequenos vídeos. Primeiro, pensei que era uma nova espécie de holograma. Mas não! Geram este efeito espantoso com drones mais que sincronizados. “E esta, hein?”

Espetáculo com drones. Seul. Coreia do Sul. Novembro 2024. Carro. Filmado por Fernando Gonçalves
Espetáculo com drones. Seul. Coreia do Sul. Novembro 2024. Tigre. Filmado por Fernando Gonçalves

A amamentação através do tempo. II – Primeiro milénio pagão

Com tempo para semear, acrescento um novo episódio à história ilustrada da amamentação, desta vez, com imagens pagãs, não cristãs, do primeiro milénio.

Nos primeiros séculos da era cristã, predominam as figuras “pagãs” celtas, galo-romanas e do culto a Ísis, então no auge. As obras, sobreviventes, com a Virgem Maria resultam raras até finais do milénio, principalmente no continente europeu.

Imagem: Estela funerária De Medinet el-Fayumséc. Egito. Séc. IV ou V d.C.Talvez uma das primeiras virgens do leite (Galakotrophousa) coptas. Museum fürByzantinische Kunst. Berlim

As Deusas-mães, ou Matronas, de origem celta e galo-romana conheceram uma divulgação considerável durante este período (Figuras 2.01; e 2.07 a 2.15). Estatuetas de terracota, frequentemente com menos de um palmo, eram reproduzidas com recurso a moldes (Figuras 2.12 a 2.14). Ísis, entretanto, romanizou-se, passando a exibir túnicas e mantos ao estilo greco-romano (Figuras 2.02; 2.03; 2.16; e 2.17). Acrescem alguns relevos com uma mãe e um bebé em estelas de túmulos de crianças (Figuras 2.04 a 2.06).

Colocadas em altares domésticos, santuários e sepulturas, estas imagens, associadas à proteção das crianças, à maternidade, à terra, às fontes, à fecundidade e à abundância, não só precedem como prefiguram as dedicadas posteriormente à Virgem Maria.

Segue uma galeria com menos de dúzia e meia de imagens. Permitam-me, todavia, uma confidência: excecionais, são exemplares deveras difíceis de encontrar e identificar, inclusivamente na Internet. Trata-se de uma tarefa que requer algum engenho e muita paciência. Só mesmo para quem se interessa por coisas que não lembram ao diabo!

Galeria 2. Imagens pagãs do primeiro milénio da era cristã