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Um contra um, todos por todos

Keith Vaughan. Cain and Abel. Tate. 1946.

O videojogo afirma-se como vanguarda das indústrias do lúdico e do audiovisual. Potente, competitivo, flexível, acelerado, certeiro e ubíquo. Como o arco de Dario (sobre o arco de Dario, rei da Pérsia, recomendo o artigo: O Espetáculo do Poder).

Não é de admirar que os anúncios a videojogos constem entre os mais impactantes das últimas décadas. HUMANKIND (Amplitude Studios) frisa a perfeição apelativa, narrativa, técnica e estética. Nada é descurado: a luz, a cor, a fotografia, o desenho, os cortes, os contrastes, o enquadramento, a profundidade, os planos, os ritmos, as sequências, o som, as referências… Qualidade, critério e criatividade. HUMANKIND recupera uma opção cada vez mais frequente: a substituição da figura humana por objetos e símbolos. Ganha em projeção e sublimação. Os objetos e os símbolos tornam-se, porventura, mais humanos do que o humano.

HUMANKIND. Amplitude Studios. Official trailer. Agosto 2021.

Retenhamos a lição: agonístico e diabólico, o universo, assevera-se exíguo para dois protagonistas; o anúncio termina, porém, com uma avalanche de multidão. Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto: o anúncio não enjeita ressonâncias bíblicas e míticas: o crepúsculo, egoísta e homicida, de Caim, e a alvorada, coletiva e mobilizadora, de Moisés. Onde não cabem dois, cabem milhões.

Fernando Gonçalves e Albertino Gonçalves

Natal andróide

Edeka. Christmas. 2117

Num mundo disfórico entregue às máquinas, um andróide deixa-se cativar por alguns vestígios de vida humana num cartaz e num filme com a ceia de Natal. Começa uma odisseia da máquina em busca do humano. Simula a ceia de Natal com manequins, mas não resulta, falta o espírito. Acaba por reconhecer a paisagem numa fotografia de um jornal.  Por vales e montanhas, encontra finalmente a família humana que o acolhe com generosidade.

Este anúncio lembra filmes tais como O Planeta dos Macacos (1968), Blade Runner (1982), Equilibrium (2002) ou WALL-E (2008). E convoca uma série de mitos mais ou menos contemporâneos:

– A superação e a dominação do homem, aprendiz de feiticeiro (Goethe, 1797), pelas suas próprias obras, nomeadamente computadores e andróides;

– As máquinas assumem-se mais humanas do que os humanos, propiciando um espelho, mais ou menos deformado, da condição humana;

– Uma ovelha negra redentora galga fronteiras e vence obstáculos contribuindo para a emancipação, mais ou menos fugaz e inconsequente, dos oprimidos.

Marca:  Edeka. Título: Will we celebrate Christmas in 2117? Agência: Jung von Matt. Alemanha, Novembro 2017.

Sete

Rua Sésamo. A Casa das Sete Cores

Música electrónica, voz distorcida, levemente hipnótica. Fotografias, a preto e branco, veladamente humanas. Lista de frases breves, dispersas, estranhamente encadeadas.O que é?

Um anúncio brasileiro em português, não um anúncio português em inglês. Um excelente anúncio brasileiro.

Marca: Época. Título: A Semana. Agência: W/Brasil. Brasil, Junho 2014.

Com uma pequena ajuda dos Beatles

Beatles_DrumsO Elvis Presley é um herói do rock e da publicidade. Mas os Beatles não ficam atrás. Fazem parte de inúmeros anúncios. Os anúncios seguintes são autênticos vídeos musicais. O primeiro, da BBC, com o título de uma música dos Beatles, I’m the Whalrus, é um mosaico de sequências que confrontam o humano e o animal. Trata-se de um anúncio antigo (2000) e raro. O segundo anúncio, Beatles Story, da Mtv games/Xbox, é mais recente (2009). Propõe uma animação do percurso dos Beatles, desde o underground até ao psicadélico.

BBC Curiosity. The WhalrusMarca: BBC Curiosity. Título: I’m the Whalrus. Agência: Leagas Delanay. UK, 2000.

Marca: Mtv games/Xbox. Título: Beatles Story. 2009