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O espírito do vento

Ayrton Senna.

In 1989, F1 star Ayrton Senna shattered the lap record at Suzuka driving a McLaren-Honda, when the science of onboard racecar telemetry was still fairly new. In this new film short, Honda technicians took the original data files and, using only sound and light to indicate Senna’s position, reconstructed his flying lap around the historic Suzuka track” (http://www.ayrton-senna.net/sound-of-honda-ayrton-senna-1989/).

Ayrton Senna “regressa” ao circuito de Suzuka, numa iniciativa da Honda.

Marca: Honda. Título: The Sound of Honda. Ayrton Senna 1989. Agência: Dentsu (Tokyo). Direcção: Kosai Sekine. Japão, Agosto 2013.

Fantasmas não faltam na música Spirit in the Night, de Bruce Springsteen (1973). O cantor esquece-se da letra durante um concerto em Barcelona (2002).

Bruce Springsteen. Spirit in the Night. Greetings from Asbury Park, N.J., 1973. Ao vivo em Barcelona, em 2002.

Os Manfred Mann’s Earth Band retomam a música de Bruce Sprinsteen no álbum Nightingales & Bombers (1975). Uma versão distinta.

Manfred Mann’s Earth Band. Spirits in the Night. Nightingales & Bombers. 1975.

Sonho à solta

“Que de sonhar ninguém se cansa” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego).

honda-dreamer-print (1)O sonho saiu à rua! Com quatro rodas. Esgueirou-se pela nuca do criador. Coisa de pasmar, fantástica e surreal! Abram! Abram alas à imaginação que o Honda Civic vai passar. Num rodopio. Gosto da palavra rodopio: combina curva, movimento e velocidade. Num mundo em perpétuo inacabamento, a travessia segue os passos de Antonio Machado: faz-se andando. Acaba mal começa. Desfaz-se em metamorfoses e fragmentos num puzzle desconexo e acelerado de paisagens e figuras oníricas. Pictóricas: os volumes e as diferenças sobrepõem-se aos contornos e aos elementos. Este anúncio lembra os culpados do costume: Hieronymus Bosch, Peter Bruegel, René Magritte, Salvador Dali… Também lembra outros anúncios. No meio de tanta lembrança, também vem a propósito a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz. Sonhem! Que “o homem é do tamanho do seu sonho” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego).

Carregar nas imagens para aceder aos vídeos.

Honda the dreamerMarca: Honda. Título: The Dreamer. Agência: RPA. Direcção: Guto Terni, Sam Mason, Vinicius. USA, Dezembro 2015.

Berliotz Symphonie FantastiqueBerlioz: “Symphonie Fantastique” – 5th Mvt. – Leonard Bernstein

Com a cabeça entre as pernas

Honda faces

Ulisse Aldrovandi's 1642 book, History of Monsters (Monstrorum Historia)

Fig 1. Ulisse Aldrovandi’s 1642 book, History of Monsters (Monstrorum Historia).

É difícil, porventura incerto, corrigir um perfil. Pior ainda quando se ajusta sempre o mesmo, do mesmo modo, no mesmo sítio.

Amassa-se a miséria, embala-se e empurra-se para baixo.

Como no monstro da Figura 1, a cabeça desce quase até aos pés. De tempos em tempos, talvez dê para bater as asas e pôr um ovo (Figura 2).

Mas, equacionados todos os pontos e todos os ângulos, equilíbrio redondo, provavelmente, só ao volante de um crossover Honda HR V.

Marca: Honda. Título: Give and Take. Agência: RPA. USA, Junho 2015.

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Fig 2. Ulisse Aldrovandi’s 1642 book, History of Monsters (Monstrorum Historia)

Imagine-se um desfile de monstros acompanhado pelo “Coro das Velhas”, de Sérgio Godinho, “a caminho de Caminha”.

Sérgio Godinho. Coro das Velhas. Era uma vez um rapaz. 1985.

 

 

Imagens do impossível

Honda Illusions

“Estes anúncios apresentam‐nos, ao jeito de Escher, mundos impossíveis. Impossíveis, mas convincentes: “Tudo ali nos parece muito estranho e, no entanto, é bastante convincente” (Ernst, 2007: 51). Trocam‐nos os olhos e até nos causam um impacto físico. “Falam‐nos ao corpo” (Kerckhove, 1997: 38). Mexem connosco e, sobretudo, conduzem‐nos a experienciar o impossível. Eis a principal razão para o tamanho do quadro ter que ser maior do que o tamanho do mundo. Para se pintar, além das paisagens e das histórias previstas por Alberti, o sonho e o impossível”,
Albertino Gonçalves, “Como nunca ninguém viu”, Martins, Moisés de Lemos et alii (2011), Imagem e Pensamento, Coimbra, Grácio Ed., pp. 139-165.

“Como nunca ninguém viu” (ver pdf) aborda o papel da ilusão nos anúncios publicitários. O novo anúncio da Honda, Illusions (vídeo 1), teve o condão de ressuscitar este texto entre páginas amortalhado (por sinal, um dos meus preferidos). O anúncio da Honda não é de todo original. O Illusions do Audi A6 (vídeo 3) abriu caminho há quase dez anos. Já os conteúdos, inspirados na arte de rua, têm assinatura própria: oito ilusões ópticas de belo efeito.
Pdf: Albertino Gonçalves. Como nunca ninguém viu. Imagem e Pensamento

Marca: Honda. Título: Illusions. Agência: Mcgarrybowen, London. Direção: Chris Palmer. Reino Unido, Outubro 2013.

The Making of of Honda Illusions.

Marca: Audi. Título: Illusions. Agência: Bartle Bogle Hegarty.  Direção:  Anthony Atanasio. Alemanha, Junho 2004.

Sem pestanejar

Há anúncios assim. Comparativamente longos, optam por se atardar em torno de um assunto lateral. O produto propriamente dito é abordado na parte final. O corpo e a conclusão do anúncio requerem, no entanto, algum tipo de ligação. É frequente a ligação entre o tema e o produto convocar as figuras do excesso e da excepção. Por excesso, a mulher, ofuscada pelo Honda, não conseguiria parar de pestanejar. O anúncio aposta, porém, na excepção: seduzida pelo automóvel, a mulher, contra a natureza humana, deixa de pestanejar. De qualquer modo, seja por excesso, seja por excepção, o produto, o automóvel, respira diferença e distinção, num piscar de olhos feito de luz e visão.

Existe um anúncio argentino, enternecedor, que também incide sobre o ato de pestanejar  (para aceder: https://tendimag.com/2012/06/24/teus-olhos-risonhos-sao-mundos-sao-sonhos-alves-coelho/).

Marca: Honda. Título: Papadeos. Agência: DraftFCB, Puerto Rico. Direção: Alvaro Aponte Centeno, Porto Rico, Agosto 2013.

Uma espécie de spoiler

Estética visual primorosa mais originalidade na forma e no conteúdo é o que se espera de um anúncio dirigido por Bruno Aveillan. Neste, estranha-se, porém, o desenlace. Não basta adivinhar o protagonista pelos seus efeitos? Torna-se imperioso destacá-lo entre iguais? Não é possível evocá-lo apenas com um nome, um símbolo ou um slogan? Ademais, o final parece um spoiler. O carro não é mais bonito enquanto ninguém o vê? A aparição banaliza-o. Sem a imagem do carro, as pessoas talvez não percebam… Pelo menos, assim, vê-se-lhe a pinta. Mas há tanta coisa que a gente não percebe mesmo quando a vê! Por exemplo, como é que um carro livre como o vento acaba engaiolado numa fila de trânsito? Em suma, não se pode dizer que é mais um anúncio, talvez mais um carro…

Marca: Acura. Título: Wilderness. Produção: Believe Media. Direção: Bruno Aveillan. EUA, 2004.