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Sevdaliza

Sevdaliza

Uma descoberta que nos cativa é uma janela aberta para o prazer. Conheci a música de Svdaliza na página de facebook da Helena Amaro: https://www.facebook.com/helena.amaro.12.

Sevdaliza é uma cantora de origem iraniana residente na Holanda. Prevê-se o lançamento do seu primeiro LP, ISON, no próximo dia 26 de Abril. Entretanto, publicou vários EPs. A canção “Human” foi editada em 2016 como single e como vídeo musical; “Hubris” foi publicada como single em 2017. Ambas integram o LP ISON.

Sevdaliza. Human. Dir. Emmanuel Adjei. 2016.

Sevdaliza. Hubris. 2017.

O aguilhão da inteligência

AbelhaConcentração! Muita concentração… O teste é manhoso. Na sala, nem um murmúrio. Apenas o zumbido de uma abelha, que pousa no ombro. Veio para ficar. Longos minutos, pele contra patas, braços contra asas. Estaremos perante uma nova técnica de alavancagem de testes? Algo como um aguilhão à inteligência? Vinte garantido. Esta experiência, recente e verídica, lembra o anúncio, antigo, da companhia de seguros Centraal Beheer, protagonizado por um funâmbulo e uma abelha.

Marca: Central Beheer. Título: Wasp. Agência: Result/DDB. Direcção: Paul Vos. Holanda, 1999.

Um buraco no muro

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Fotografia de David LaChapelle para a Diesel. 1995.

Vinte e dois anos após a fotografia com dois marinheiros a beijar-se (Diesel, 1995), David LaChapelle dirige o novo anúncio da marca: Make Love Not Walls. Próximo, nos anos oitenta, de Andy Warhol, David LaChapelle é uma referência no domínio da fotografia e da realização de vídeos musicais.

Make Love Not Walls, da Diesel, tem concitado rasgados elogios. A qualidade da imagem condiz com a fama do realizador. Uma explosão de cores sobre o cinzento do muro. A dança, o movimento e a fusão tornam o anúncio empolgante. A música parece talhada à medida. Os graffitis, os anos sessenta, o amor, o desejo e a sexualidade desafiam preconceitos e barreiras.

#makelovenotwalls trata de derrubar as paredes mentais e físicas que nos separam, e deixar todos os lados se unir em nome da unidade e do amor. [A marca] Diesel quer derrubar essas paredes mostrando que um amanhã mais brilhante e emocionante é possível (Diesel. Make Love Not Walls).

A história de Make Love Not Walls  é simples: uma abertura no muro dá azo a uma quase orgia: dança, libertação, comunhão e sexo. O anúncio assume-se contra a opressão e a discriminação. Para um velho do Restelo, sobram dois reparos tímidos e fugazes como fagulhas. Primeiro, a libertação, a comunhão e o amor tendem a aparecer mais associados a uma orientação sexual específica. Uma questão de impacto? Segundo, o vídeo fragiliza ou reforça a imagem do “profeta do muro”? Pressuponho, com algum risco de erro, que o anúncio visa promover, antes de mais, a imagem da Diesel. Não resisto a recolocar um anúncio da Levi’s em que um casal também arrasa “paredes mentais e físicas”.

Marca: Diesel. Título: Make Love Not Walls. Agência: Anomaly Amsterdam. Direcção: David LaChapelle. Holanda, Fevereiro 2017.

Marca: Levi’s. Título: Odyssey. Agência:  Bartle Bogle Hegarty. Direcção: Jonathan Glazer. Reino Unido, Janeiro 2002.

Uma gota de água

bavariaUma gota de água é um das expressões mais belas das línguas latinas. E é versátil. Como uma gota de água no oceano, um infinitamente nada. A gota de água que faz transbordar o copo, um ocasionalmente tudo. Vem este devaneio a propósito do anúncio The Drop, da Bavaria (2009). Original, turbulento, airoso e jovial, com estética e humor a preceito. Um ramalhete de qualidades raramente próximas. Com uma gota de cerveja…

Marca: Bavaria. Título: The Drop. Agência: Selmore. Direcção: Matthijs Van Heijningen. Holanda, 2009.

A solidão como companheira

Georges Moustaki. Ma Solitude. Le Métèque. 1969.

“Não, nunca estou só com a minha solidão”. Sou mais prosaico do que o Georges Moustaki: gosto de estar só, mas não gosto de me sentir só. A solidão existe. A solidão das margens e a solidão na multidão. A solidão de quem se perdeu no mundo ou no mundo perdeu a mão de Deus. Existe, também, a solidão de quem não suporta a sua própria companhia. Nos anúncios BoardingThe Box, não se fala da mesma solidão. Uma é desejada e a outra imposta. Em contrapartida, no extremo oposto, aquele que anda sempre acompanhado não tem folga para pensar ou pensa, então, em equipa.

Marca: Air France. Título: Boarding. Agência: BETC Euro RSCG. Direcção: Hou Hsiao Hsein. França, 2006.

Carregar na imagem para aceder ao anúncio The Box.

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Anunciante: Anti Exclusion. Título: The Box. Agência: McCann Erickson. Direcção: Joris Bergsma. Holanda, 1996. Imagem: Digital Art by A. Meyer.

O amor da morte pela vida

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A curta-metragem “The Life of Death”, de Marsha Onderstijn (Holanda), é vagarosa. Sossega. Convida-nos a manter o espírito em vigília. A morte lembra Midas. Tudo que tocava transformava-se em ouro. A morte tudo que toca perde a vida. Há séculos que se alude ao beijo, ao abraço, ao sopro ou ao toque da morte. Nesta curta-metragem, a morte toma-se de amores por um veado e, por extensão, pela vida. A recompensa de Midas revelou-se um pesadelo; a potência da morte, uma prisão. Não pode tocar sem matar, incluindo quem gosta. Como em todas as pequenas e boas histórias, os dados estão lançados: o veado abraça a morte e morre. Matar por impotência e morrer por amor. Esta relação entre a morte e o veado enquadra-se num intervalo da ordem do mundo, uma espécie de limbo para a morte. Para que conste, houve um tempo em que a morte amou a vida e a vida amou a morte.

Obrigado, Celeste! Este vídeo é uma pérola.

Marsha Onderstijn. The Life of Death. Holanda, 2012.

O espírito do surf

Corona The Flow

Em modalidades como o surf, “os desportistas controlam aparelhagens leves e flexíveis gerindo, em equilíbrio instável, as informações provenientes do ambiente (água e vento) de feição a retirar, não pela força mas graças aos reflexos e ao domínio técnico, o melhor proveito da situação” (Gonçalves, Albertino, Vertigens: Para uma sociologia da perversidade). É comum afirmar-se que em desportos como o surf o adversário é a natureza. Duvido. O surfista não joga contra a natureza; joga com a natureza, sua parceira. O surf é um desporto informacional e ecológico. Mas subsistem outros saltos no raciocínio. Encarar, por exemplo, o surf como uma experiência cósmica e quase sagrada, e a sua prática como uma espécie de oração. Proliferam as páginas da Internet que associam o surf ao sagrado. Dorian Paskowitz, surfista, médico, falecido em 2014, uma referência do surf, confirma:

“O surf é algo muito especial. Sei que cada um de vós tem uma ideia do surf – e está correto -, mas à medida que vão envelhecendo vão perceber que há algo de mágico no surf, e misterioso. É do sol que vem a energia para fazer o vento, o vento faz as ondas e nós só precisamos de surfá-las. É como surfar o sol, somos filhos das estrelas. É quase sagrado (…) É preciso o melhor de cada um de vocês. Têm de tomar conta da vossa saúde, amizades, responsabilidades. Surfar é uma prece, é a nossa forma de rezar” (Surftotal – Dorian Paskowitz: https://vimeo.com/110658972).

Acredito que muitos surfistas se reconhecem nas palavras de Dorian Paskowitz. Ao cósmico e ao quase sagrado (almost holy), convém acrescentar a estética. Estética de quem pratica e estética de quem observa. O surf é arte e espectáculo.

Edu Petta

Edu Petta. Uluwatu. Bali. Indonésia.

O anúncio Flow, da Corona, convoca estas vertentes do surf, desde a primeira onda do surfista até à comunhão final. O anúncio absorve estes traços, reais ou imaginados, envolve-os em emoção e beleza, de modo a dar corpo ao espírito do surf e, por extensão, da cerveja Corona. Se tal existe, deve ser isto a sobriedade eloquente.

Dedico este artigo ao Edu Petta, um aficionado do surf e um nómada à escala planetária. Sempre com a câmara fotográfica e a prancha na mão.

Marca: Corona. Título: Flow. Agência: Wieden + Kennedy Amsterdam. Holanda, Maio 2016.

The Memorable Doc Dorian Paskowitz. Surftotal TV.

Aurora boreal

Não sou gota de água puxada pelo vento. Não estou no vento. Não faço parte. Sou o que resta. Pássaro com asas de fogo a chamuscar a sombra. Gosto do cósmico e do cómico. Gosto do cósmico cómico. Quem dera ser garrafa de cerveja astronauta e pintar a atmosfera. De verde, claro, cor de sonho.

Carregar na imagem para aceder ao anúncio:

HeinekenMarca: Heineken. Título: Nature’s wonder. Agência: Czar. Direcção: Bart Timmer. Holanda, Dezembro 2015.

A electricidade das plantas

UTEC logoDou, por deformação profissional, alguma atenção aos anúncios promovidos pelas universidades. A UTEC, Universidade de Ingeniería & Tecnología, do Perú, iniciou a disseminação de uma nova forma de produção de energia eléctrica mediante recurso à fotossíntese das plantas. Num país com cobertura eléctrica insuficiente, como é o caso do Perú, a “plantalámpara” é uma bênção. O anúncio mostra, até certo ponto, como se faz e como se usa. Falta saber quanto custa. Na Holanda, uma empresa associada à Universidade de Wageningen trabalha no mesmo sentido (http://www.semprequestione.com/2015/06/empresa-colhe-eletricidade-partir-de-plantas.html#.VjjqcbfhCHt).

Marca: UTEC, Universidad de Ingeniería & Tecnología. Título: Plantalámparas. Agência: FCB Mayo. Direcção: Antonio Sarria. Perú, Outubro 2015.

Calças de perder a cabeça

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Ave Maria por Ave Maria, este anúncio optou por a de Franz Schubert, originalmente intitulada Ellens dritter Gesang (1825).

As calças Replay Hyperskin são tão flexíveis e tão leves que nem dá para sentir.

Se se cruzar com um par de calças Replay, olhe sem ver, imagine o nu e esqueça as calças, não vá perder, com o espanto, a cabeça, que tão mau aparafusada anda.

Permitam-me acrescentar um intérprete, eventualmente inesperado, da Ave Maria de Schubert: Nina Hagen, considerada por muitos a “Rainha do Punk”: Ave Maria, Nina Hagen (1989).

Marca: Replay Hyperskin. Título: A New Dimension in Denim Experience. Agência: 180 Amsterdam. Direcção: Tell no one. Holanda, Outubro 2015.