Tag Archive | Henry Purcell

Arrepio cego

Henri Rousseau. Ice Skaters On A Frozen Pond. 1907

É nos momentos de maior sobreaquecimento que mais sinto cravar-se-me o frio nas costas. Como um dardo de gelo.

Madonna. Frozen. Ray of Light. 1998. Realizador do vídeo: Chris Cunningham.
Klaus Nomi. Keys of Life. Klaus Nomi. 1981. A partir da performance “Klaus Nomi – Angel of Suburbia”, por Sven Henriksen, em Oslo, abril 2011
Henry Purcell. The Cold Song (da ópera King Arthur, 1691). Contratenor: Andreas Scholl. Accademia Bizantina. Diretor: Stefano Montanari. 2010.

Canções frias

Klaus Nomi (1944-1983)

Gosto do Klaus Nomi, um cometa extraordinário que teve uma breve passagem pela música antes de ser vítima da sida em 1983. Quase todas as suas canções estão contempladas no Tendências do Imaginário. O que não me impede de continuar a procurar versões com melhor qualidade. Encontrei três respeitantes a outros tantos covers: The Cold Song, da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell (1691); Can’t Help Falling in Love, de Elvis Priesley; e Death, da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell (1689). Com votos de frescos sentimentos!

Klaus Nomi. The Cold Song. 1981. Cover da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell, 1691.
Klaus Nomi. Can’t Hel Falling in Love. Cover de Elvis Priesley, Can’t Help Falling in Love, 1961.
Klaus Nomi. Death. Cover da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell, 1689.

A desgraça humana

O tempo anda arredio. Foge! Há músicas que convocam a desgraça humana. Por exemplo, The Cold Song (1691), de Henry Purcell (ver interpretação de Klaus Nomi: https://tendimag.com/2019/02/20/apologia/), Na Gruta do Rei da Montanha (1876), de Edvard Grieg (ver https://tendimag.com/2020/02/05/na-gruta-do-rei-da-montanha/) e Danse Macabre (1874), de Camille Saint-Saens (ver https://tendimag.com/2019/11/01/feliz-dia-dos-mortos/). Um bom exemplo de música da desgraça humana é a Psycho Suite, de Bernard Herrmann (1960). Se o tempo for seu amigo, oiça até ao fim. Oito minutos bem compensados. Como pode ser bela a música da desgraça!

Bernard Herrmann. Psycho Suite (filme Psycho, de Alfred Hitchcock, 1960). BBC Concert Orchestra. Royal Albert Hall. 2011.

Vibrações


Henry Purcell. Musica Per Il Funerale Della Regina Maria, Processione.

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Henry Purcell (1659-1695).

Que lembra esta música? Um trailer do Assassin’s Creed? O filme A Laranja Mecânica? A canção Iron, do Woodkid? A “Musica Per Il Funerale Della Regina Maria, Processione”, de Henry Purcell, é um expoente da música barroca. Permanece viva. A pergunta está mal formulada. Purcell não lembra Woodkid ou A Laranja Mecânica. Woodkid é que pode lembrar Purcell. Não são semelhantes, mas nada impede duas diferenças de se lembrar uma à outra. Devia ter invertido as posições: perguntar o que é que o Iron do Woodkid lembra? Talvez ocorra a alguém Henry Purcell e a Musica Per il Funerale Della Regina Maria.

Assim gira o mundo! Acanhado. De tão “comprimido”, o tempo parece anorexo. Encolhe-se no presente sem grande sobra para o passado. Qual é o lugar da memória? A memória comemora-se. No e para o presente, com ou sem funeral. Mais ou menos como um fato domingueiro pendurado num armário.

Woodkid. Iron. 2013.