Maus tratos
Na era da velocidade, dezoito anos significam, paradoxalmente, muito tempo. Em 1999, poucas empresas se aventuravam na publicidade de consciencialização e a campanha contra os maus tratos a crianças ainda estava a aquecer. Sin Cinturón, da Solido Khakis, é um anúncio duro. Desentranha-se. São imagens que molestam os valores e os símbolos instituídos: a paternidade, a infância, o caixão, o túmulo, o morto e a morte. Espanhol, o anúncio lembra Goya. Uma criança é vítima de maus tratos, com um cinto, por parte do pai. Falecido o pai, a criança não resiste a dar umas cinturadas no caixão. O cinto perdura, de geração em geração. Sin Cinturón é um anúncio ousado: foi proibido em muitos países.
Marca: Sólido Khakis. Título: Sin Cinturón. Agência: Ruiz Nicoli. Direcção: Sebastian Grosset. Espanha, 1999.
Sociologia sem palavras 6: Envelhecimento
Os fracos a ajudar os fortes é espectáculo corrente. Em contrapartida, quando os fortes ajudam os fracos é motivo para primeira página com foto-reportagem no interior. Pode não ser verdade, mas parece. Parece, também, que a balança do Senhor está estragada!
O sexto episódio da série Sociologia sem palavras é dedicado ao envelhecimento. Não resisto a acrescentar a canção Les vieux (1963), de Jacques Brel.
Jaques Tati. Mon Oncle. França, 1958. Excerto.
Jacques Brel. Les Vieux. 1963.
Revolução Digital
Por cá, onde andamos a meter os dedos?
Respira uma beleza requintada, mas singela, este anúncio da Orange com o toque de Bruno Aveillan. Por falar nisso, por cá, onde andamos a meter os dedos?
Marca: Orange. Título: Ten Little Fingers. Agência: Marcel (Publicis). DOP: Bruno Aveillan. França, Junho 2013.
Tempos ingratos
Passei o mês de Julho a corrigir: teses, candidaturas à FCT, exames, trabalhos (licenciatura, mestrado e doutoramento), relatórios de estágio e de investigação, projectos de dissertação, propostas de comunicação a congressos, propostas de artigos para revistas… E a febre correctora prossegue! As teses de doutoramento vão comigo para banhos em Agosto. Detesto corrigir. Detesto, ainda mais, não ter tempo livre. Não aprecio esta incontinência avaliativa exponencial. Pasmo ao ver os meus colegas entusiasmados a inventar novas provas e avaliações. Será que corrigir e avaliar ainda propicia alguma sensação de poder? Por motivo de correcção, não tenho publicado, dias a fio, artigos neste blogue. Salva-se, hoje, este anúncio, ungrateful, tão desencantado quanto o meu humor.
Marca: Tulipan. Título: Ungrateful. Agência: Young & Rubicam (Buenos Aires). Argentina 2012.


