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Odisseia no espaço

Era uma vez um astronauta que evacuou uma estrela cadente, a qual, segundo a norueguesa Flax Instant Lotttery, dá sorte ao jogo. Trata-se de uma bênção sideral. A crença nas virtudes propiciadoras dos excrementos remonta aos primórdios da humanidade. “The world is full of lucky signs”. Felizes aqueles a quem o adubo cai do céu!

Flax

Marca: Flax Instant Lottery. Título: Lucky Signs. Agência: TRY, Oslo. Direcção: Matias & Mathias. Noruega, Junho 2018.

O mistério do cocó de gato

Catspiracy

Robots há muitos! Por exemplo, aqueles que servem para roubar o cocó dos gatos. Se os ovos da galinha eram de ouro, o cocó de gato não lhes fica atrás. Os seres humanos extorquem os excrementos dos gatos para os armazenar na lua e apaziguar os seus antepassados extraterrestres. Os gatos são vítimas de um roubo, com recurso a alta tecnologia, que os priva das suas preciosidades naturais.

O anúncio Catspiracy 2.0, da Petsafe, domina a arte do humor e da narrativa. É uma paródia dupla: das teorias da conspiração e dos documentários de cordel.

Marca: Petsafe. Título: Catspiracy 2.0. Agência: Humanaut. Direcção: David Littlejohn. Estados Unidos, Janeiro 2018.

Lama, excrementos e porcos (revisto)

Hieronymus Bosch. Temptations of St. Anthony. Detail. Ca. 1510-1520. The Nelson-Atkins Museum of Art. Kansas City.
Hieronymus Bosch. Temptations of St. Anthony. Detail. Ca. 1510-1520. The Nelson-Atkins Museum of Art. Kansas City.

Acontece desejar esquecer-me. De mim, claro! Rumo a um grau zero de reflexividade. Com o esplendor da técnica, há tanta mezinha para alívio da consciência interior. Mas é sonho impossível! Há sempre quem se lembre que existo, faço, penso, sinto e quero. Apetece mandar estes despertadores da subjectividade alheia chafurdar no charco da Dança do Cego, da Bugiada de Sobrado, em Valongo. Ou pegar “porcos bravos” no redondel de lama de Covas, em Vila Nova de Cerveira; de Romarigães, em Paredes de Coura (https://www.youtube.com/watch?v=3DPqOsEFfQY; este vídeo foi, entretanto, removido pelo YouTube provavelmente para proteger a imagem dos humanos); ou de S. Julião, em Valença (https://www.youtube.com/watch?v=geibjf60xOE). Temo, porém, que, adubados e enlameados, revigorem o assédio e a impertinência.

Lavra da Praça e Dança do Cego. Festa da Bugiada e Mouriscada de Sobrado (excerto), CECS Uminho, 2017

Apanha do porco. Covas. Vila Nova de Cerveira.

Nos momentos sedentos de paz interior, costumo trautear uma canção, pouco conhecida, dos Doors: The mosquito (1972)!

The Doors – The Mosquito. Circle, 1972

 

Apontamentos escatológicos II. Criatividade.

logo_adelaide-zoo_www-infront-com-auevtzoopops-au-1Nem todos os anúncios escatológicos são grosseiros. Alguns mostram algum refinamento. Creio ser o caso deste Lion, do Zoo de Adelaide (Austrália), galardoado em Cannes. Curto, quase minimalista. Natural…

Marca: Royal Zoological Society of South Australia Zoo Poo Fertilizer. Título: Lion. Agência: Escape Plan / Anifex, Adelaide. Direcção: Michael Kusack. Australia, 2002.

Prometi, no artigo precedente, uma segunda anedota escatológica:

Sentado no meio do caminho, Zéquinha entretem-se com um monte de bosta.
Vem o padre que, incomodado, lhe pergunta:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Estou a fazer um padre, responde Zéquinha.
O padre afasta-se ofendido.
Vem a professora que pergunta horrorizada:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Estou a fazer uma professora.
A professora afasta-se indignada.
O padre e a professora apressam-se a contar o desaforo ao polícia.
O polícia dá uma volta e encontra o Zéquinha mais o monte de bosta no caminho. Com voz grossa, pergunta:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Não sei!
O polícia, presumido, prossegue a conversa:
– Pensei que estavas a fazer um polícia.
O Zéquinha explica de imediato:
– Para fazer um polícia era preciso mais bosta.

Apontamentos escatológicos. Rebaixamento.

Caricatura de Alonso (1871-1948), do primeiro quartel do século XX.

Caricatura de Alonso (1871-1948), do primeiro quartel do século XX.

A Eduarda enviou-me um anúncio que considera de “um mau gosto atroz”. Não sei o que sucede, mas parece-me que o anúncio está a ser retirado de circulação. Será fake? Será flop? Será banned? No momento em que escrevo este artigo, ainda está acessível no seguintes endereços: http://www.dailymotion.com/video/x32bgk9; ou http://www.culturepub.fr/videos/dude-wipes-plip-and-plop/. De qualquer modo, os anúncios escatológicos não são raros. Só na base de dados da Culture Pub, os anúncios com excrementos são às dezenas. A “coisa”, por incrível que pareça, compensa. Regenera: rebaixa e fertiliza. A coisa é convocada em festas e rituais. Na linguagem, é exuberante. Na literatura, Pantagruel envia ao pai uma extensa lista com as técnicas cientificamente testadas de limpar o rabo. O caricaturista Alonso desenha um penico a transbordar de políticos. Muniz Sodré e Raquel Paiva (O império do grotesco. Rio de Janeiro, Mauad, 2002) alongam-se sobre o grotesco escatológico, que consideram um géneros do grotesco.

point defiance

Marca: Point Defiance Zoo & Aquarium. Título: Joggers. Agência: Wongdoody. USA, 2002.

O anúncio Plip and Plop “estreou” há dias. Joggers estreou há treze anos (http://www.culturepub.fr/videos/point-defiance-zoo-aquarium-grosse-merde/). Neste anúncio, a coisa é enorme. Prenda de dinossauro, capaz de cobrir um ser humano adulto! A propósito da coisa, acodem-me duas anedotas. Ambas mostram como a coisa é talhada para rebaixar. Segue a primeira. No próximo artigo, conto a outra.

Um inglês passeia, de fato e guarda-chuva, na Avenida dos Aliados, no Porto. A um dado momento, surpreende-se com uma coisa estranha no chão. Observa, observa… e conclui.
– Isto parece merda, mas merda no Porto não pode ser!
Com a ponta do guarda-chuva mexe e remexe. E diz para os seus botões.
– Isto é mole como merda, mas merda no Porto não pode ser!
Com a ponta do guarda-chuva, pega numa pequena amostra e cheira.
– Isto cheira a merda, mas merda no Porto não pode ser!
Pega num pequeno pedaço e prova.
– Que horror, isso é mesmo merda, por pouco não pisei.

As minhas desculpas ao Porto e ao inglês, mas foi assim que, já lá vão quarenta anos, me contaram a anedota.