Tag Archive | excrementos

Odisseia no espaço

Era uma vez um astronauta que evacuou uma estrela cadente, a qual, segundo a norueguesa Flax Instant Lotttery, dá sorte ao jogo. Trata-se de uma bênção sideral. A crença nas virtudes propiciadoras dos excrementos remonta aos primórdios da humanidade. “The world is full of lucky signs”. Felizes aqueles a quem o adubo cai do céu!

Flax

Marca: Flax Instant Lottery. Título: Lucky Signs. Agência: TRY, Oslo. Direcção: Matias & Mathias. Noruega, Junho 2018.

O mistério do cocó de gato

Catspiracy

Robots há muitos! Por exemplo, aqueles que servem para roubar o cocó dos gatos. Se os ovos da galinha eram de ouro, o cocó de gato não lhes fica atrás. Os seres humanos extorquem os excrementos dos gatos para os armazenar na lua e apaziguar os seus antepassados extraterrestres. Os gatos são vítimas de um roubo, com recurso a alta tecnologia, que os priva das suas preciosidades naturais.

O anúncio Catspiracy 2.0, da Petsafe, domina a arte do humor e da narrativa. É uma paródia dupla: das teorias da conspiração e dos documentários de cordel.

Marca: Petsafe. Título: Catspiracy 2.0. Agência: Humanaut. Direcção: David Littlejohn. Estados Unidos, Janeiro 2018.

Apontamentos escatológicos II. Criatividade.

logo_adelaide-zoo_www-infront-com-auevtzoopops-au-1Nem todos os anúncios escatológicos são grosseiros. Alguns mostram algum refinamento. Creio ser o caso deste Lion, do Zoo de Adelaide (Austrália), galardoado em Cannes. Curto, quase minimalista. Natural…

Marca: Royal Zoological Society of South Australia Zoo Poo Fertilizer. Título: Lion. Agência: Escape Plan / Anifex, Adelaide. Direcção: Michael Kusack. Australia, 2002.

Prometi, no artigo precedente, uma segunda anedota escatológica:

Sentado no meio do caminho, Zéquinha entretem-se com um monte de bosta.
Vem o padre que, incomodado, lhe pergunta:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Estou a fazer um padre, responde Zéquinha.
O padre afasta-se ofendido.
Vem a professora que pergunta horrorizada:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Estou a fazer uma professora.
A professora afasta-se indignada.
O padre e a professora apressam-se a contar o desaforo ao polícia.
O polícia dá uma volta e encontra o Zéquinha mais o monte de bosta no caminho. Com voz grossa, pergunta:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Não sei!
O polícia, presumido, prossegue a conversa:
– Pensei que estavas a fazer um polícia.
O Zéquinha explica de imediato:
– Para fazer um polícia era preciso mais bosta.

Apontamentos escatológicos. Rebaixamento.

Caricatura de Alonso (1871-1948), do primeiro quartel do século XX.

Caricatura de Alonso (1871-1948), do primeiro quartel do século XX.

A Eduarda enviou-me um anúncio que considera de “um mau gosto atroz”. Não sei o que sucede, mas parece-me que o anúncio está a ser retirado de circulação. Será fake? Será flop? Será banned? No momento em que escrevo este artigo, ainda está acessível no seguintes endereços: http://www.dailymotion.com/video/x32bgk9; ou http://www.culturepub.fr/videos/dude-wipes-plip-and-plop/. De qualquer modo, os anúncios escatológicos não são raros. Só na base de dados da Culture Pub, os anúncios com excrementos são às dezenas. A “coisa”, por incrível que pareça, compensa. Regenera: rebaixa e fertiliza. A coisa é convocada em festas e rituais. Na linguagem, é exuberante. Na literatura, Pantagruel envia ao pai uma extensa lista com as técnicas cientificamente testadas de limpar o rabo. O caricaturista Alonso desenha um penico a transbordar de políticos. Muniz Sodré e Raquel Paiva (O império do grotesco. Rio de Janeiro, Mauad, 2002) alongam-se sobre o grotesco escatológico, que consideram um géneros do grotesco.

point defiance

Marca: Point Defiance Zoo & Aquarium. Título: Joggers. Agência: Wongdoody. USA, 2002.

O anúncio Plip and Plop “estreou” há dias. Joggers estreou há treze anos (http://www.culturepub.fr/videos/point-defiance-zoo-aquarium-grosse-merde/). Neste anúncio, a coisa é enorme. Prenda de dinossauro, capaz de cobrir um ser humano adulto! A propósito da coisa, acodem-me duas anedotas. Ambas mostram como a coisa é talhada para rebaixar. Segue a primeira. No próximo artigo, conto a outra.

Um inglês passeia, de fato e guarda-chuva, na Avenida dos Aliados, no Porto. A um dado momento, surpreende-se com uma coisa estranha no chão. Observa, observa… e conclui.
– Isto parece merda, mas merda no Porto não pode ser!
Com a ponta do guarda-chuva mexe e remexe. E diz para os seus botões.
– Isto é mole como merda, mas merda no Porto não pode ser!
Com a ponta do guarda-chuva, pega numa pequena amostra e cheira.
– Isto cheira a merda, mas merda no Porto não pode ser!
Pega num pequeno pedaço e prova.
– Que horror, isso é mesmo merda, por pouco não pisei.

As minhas desculpas ao Porto e ao inglês, mas foi assim que, já lá vão quarenta anos, me contaram a anedota.