Tag Archive | enterro

O enterro do Super-Homem

superman-hd-wallpaper-and-desktop-backgroundOs super-heróis são os semideuses da actualidade. Graças a esses sobre-humanos, acontece-nos reconhecer o humano, com traços grossos e excessivos. Somos feitos deste barro. Desconfiamos do espelho e do outro, mas rendemo-nos à refracção que retoca uma humanidade desbotada. Trata-se de um desencontro que consola. Comigo funciona: a minha barriga é o peito do Super-Homem e o tabaco, a kriptonita. Mas, desenganemo-nos, os super-heróis são, afinal, caducos. Até ao próximo episódio, o Super-Homem morre ingloriamente por uma causa ilustre: revelar que até os super-heróis carecem dos serviços de uma seguradora.

Marca: Banorte. Título: Enterro de Superman. Agência: DDBO. México, 2001.

A um morto nada se recusa

FunalcoitãoEste anúncio é extraordinário. Não tanto por ser promovido por uma agência funerária, mas porque é criativo, ousado, raro. Não releva de um grotesco vulgar. Inspira-se no poema Fim, de Mário de Sá-Carneiro. Original, comporta um tipo de humor que não abunda em Portugal. Uma amiga enviou-me, em boa hora, este anúncio. Na minha infância, um primo, então estudante em medicina, não se cansava de repetir este poema. Cheguei a um ponto da travessia em que a vida segue com excesso de memória, como uma nova Roma onde todos os caminhos vão parar! Em contrapartida, a torneira da vontade, pouco a pouco, tende a encravar. Memória atrai memória: os Trovante musicaram, em cadência lenta, este poema. “Quando eu morrer batam em latas / Rompam aos saltos e aos pinotes / Façam estalar no ar chicotes / Chamem palhaços e acrobatas”. Burros não hão-de faltar!

Marca: Funalcoitão. Tema: A um morto nada se recusa. Agência: BAR. Direcção criativa: Diogo Anahory e José Carlos Bomtempo. Portugal, 2014.

Trovante. Fim. Uma noite só. 1999.