Tag Archive | emoções

A Inteligência da Inteligência Artificial

Acordei com quatro minutos de inteligência humana na caixa de correio. Partilho-os. Com a dificuldade de ser em francês, mas a inteligência não escolhe línguas. Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo.

Dominique Turcq. IA: un mythe d’intelligence supérieure qui révèle notre crise émotionnelle. XERFI Canal. Juin 2024

Animação

Tenho em casa um nipófilo adepto dos animes. Costuma prendar-me com novidades e curiosidades. No passado mês de abril, estreou a série Kaiju. No. 8. O genérico de abertura é deslumbrante. Ao contrário da generalidade dos animes, quase dispensa o figurativo. Formas, movimentos, sons e cores insinuam-se, esboçam-se e atropelam-se a um ritmo estonteante, para antecipar sensações e emoções em vez de conteúdos, narrativas e significados. Uma aposta original e arriscada que tudo indica ter resultado.

Genérico de abertura do anime Kaiju. No. 8. Abril de 2024. Música: Abyss, dos YUNGBLUD

As caraterísticas do genérico de abertura de Kaiju. No. 8 lembram-me um vídeo com anúncios a automóveis que produzi há décadas (Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis, 2007). Resultou uma colheira “bem apanhada”. Destaco, especialmente, o anúncio See How It Feels, da BMW (2007). Tempos em que bibia a beleza do mundo!

Seguem o anúncio See How It Feels, da BMW; o vídeo Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade; e o texto homónimo correspondente ligeiramente ligeirament diferente do publicado no livro Vertigens (mais imagens e a cores).

BMW (See How it Feels, WCRS, Londres, 2007
Dobras e Fragmentos. A turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis. Por Albertino Gonçalves. 2007.

Inteligência Artificial, Machine Learning e composição musical

Pedro Costa, doutorado em Sociologia, investigador do CECS – Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, acaba de publicar o artigo A Inteligência Artificial e Seus Herdeiros no blogue Margens (https://tendimag.com/?p=55533). Um ensaio sobre a Inteligência Artificial, o Machine Learning e o futuro da criatividade, designadamente no que respeita à música. Pertinente, oportuno, bem escrito, fundamentado e criteriosamente ilustrado, trata-se de um texto raro, subtil e ousado. Aproveito para acrescentar quatro vídeos excelentes relativos a outras tantas músicas emblemáticas da relação entre o homem, a máquina e as emoções: The Robots (1978), dos Kraftwerk; Wellcome To The Machine (1975), dos Pink Floyd; All Is Full Of Love (1997), da Bjork; e How Does It Make You Feel (2001), dos Air.

Kraftwerk. The Robots. Die Mensch-Maschine. 1978. Ao vivo na Casa da Música (Porto), 20.04.2015
Pink Floyd. Wellcome To The Machine. Wish You Were Here. 1975 / Animação por Maxime Tiberghien, Sylvain Favre & Maxime Hacquard, 2019
Bjork. All Is Full Of Love. 1997. Vídeo musical realizado por Chris Cunningham, 1999
Air. How Does It Make You Feel. 10 000 Hz Legend. 2001

A graça da desgraça

Albrecht Dürer. Estudo de mãos.1506.

“O acaso é Deus que passeia incógnito” (Albert Einstein).

A graça da desgraça, o encontro feliz de seres infelizes, após uma travessia solitária, constitui um dos temas candidatos ao topo do emocionómetro, o “termómetro das emoções”. Sobretudo quando esta reunião improvável assenta na partilha de um pormenor identitário, por exemplo, dois coxos abandonados pela vida. É o que nos conta o anúncio Four Legs Good, da Trustpower, uma empresa neozelandesa de energia e telecomunicações. O velho e o cão foram feitos um para o outro, mas corriam o risco de nunca se cruzar. Tal como como os consumidores e a Trustpower. Este anúncio joga com os nossos sentimentos e as nossas emoções? Trata-se, naturalmente, de um dos principais talentos e desafios da publicidade! Alguns anúncios fazem-no assim outros assado, uns melhor outros pior, uns mais outros menos.

Marca: Trustpower. Título: Four Legs Good. Agência: Art and Industry. Direção: Chris Dudman. Nova-Zelândia, outubro 2021.

Somos emoção

Gran Teatre del Liceu de Barcelona

“O mar não pode enamorar-se. As pedras não podem chorar. O fogo não sabe o que é a paixão. As árvores nunca entenderão o que é a solidão. Os animais não têm remorsos. As flores ignoram o que é a beleza”.

Mas tu sentes emoções. “Só tu consegues viver a ópera”. Vai à ópera.

Um anúncio simples que apanha o nosso imaginário a contramão. Por exemplo, “o fogo não sabe o que é a paixão” ou “as flores ignoram o que é a beleza”. Mas nós sabemos. Inteligente.

Anunciante: Gran Teatre del Liceu de Barcelona. Título: Emociones. Agência: AMV BBDO. Espanha, 2001.

O anjo da guarda tecnológico

WindPara a Wind, empresa italiana de telecomunicações, “as telecomunicações não são tudo”. Existe mais vida para além das máquinas! Vida palpável, real, repleta de emoções e afetos, assente em laços familiares, vicinais e de amizade. Laços desenhados no espaço (vídeo 1), laços preservados no tempo (vídeo 2). “Comunicar de verdade”, eis uma mensagem que parece não se ajustar a uma empresa de telecomunicações. Mas o mundo não é linear. Tal como os seres humanos. O anúncio aposta na multiplicidade das identidades. Os protagonistas desdobram-se. A Wind insinua-se como um anjo da guarda, tanto na alienação como na comunhão. Um companheiro de travessia.
Daqui para o Qatar, um grande abraço!

Marca: Wind Mobile. Título: Una Grande Giornata. Agência: Ogilvy & Mather Milan. Direcção: Giuseppe Capotondi. Itália, Agosto 2015.

Marca: Wind Mobile. Título: Papà. Agência: Ogilvy & Mather Milan. Direcção: Giuseppe Capotondi. Itália, Setembro 2014.

O ovo, a cor e a emoção

David Vela. Picasso e Dalí pintando um ovo.

David Vela. Picasso e Dalí pintando um ovo.

O anúncio Feel More, da Samsung, versa sobre a associação entre cores e emoções. É um ovo de Colombo audiovisual.Como todos os ovos de Colombo, é fácil de entender, difícil de conceber e aparentemente simples de concretizar. Reconheça-se que, neste caso, nem a ideia nem a iluminação do rosto são óbvias. O anúncio é minimalista e repetitivo. Dá para pasmar, o que faz bem aos músculos.

Samsung. Cores e rosto

Marca: Samsung. Título: Feel More. Agência: Chi & Partners, Londo. Direcção: Aoife Mcardle. UK, Julho 2015.