Tag Archive | Edvard Grieg

A desgraça humana

O tempo anda arredio. Foge! Há músicas que convocam a desgraça humana. Por exemplo, The Cold Song (1691), de Henry Purcell (ver interpretação de Klaus Nomi: https://tendimag.com/2019/02/20/apologia/), Na Gruta do Rei da Montanha (1876), de Edvard Grieg (ver https://tendimag.com/2020/02/05/na-gruta-do-rei-da-montanha/) e Danse Macabre (1874), de Camille Saint-Saens (ver https://tendimag.com/2019/11/01/feliz-dia-dos-mortos/). Um bom exemplo de música da desgraça humana é a Psycho Suite, de Bernard Herrmann (1960). Se o tempo for seu amigo, oiça até ao fim. Oito minutos bem compensados. Como pode ser bela a música da desgraça!

Bernard Herrmann. Psycho Suite (filme Psycho, de Alfred Hitchcock, 1960). BBC Concert Orchestra. Royal Albert Hall. 2011.

Na Gruta do Rei da Montanha

Theodor Kittelsen, Peer Gynt na Gruta do Rei da Montanha. 1913.

Costumo pedir aos alunos trabalhos que confrontem dois géneros distintos. Dizem que é difícil…

O anúncio Ópera, da Nintendo, realizado por Bruno Aveillan, é extraordinário e a música fabulosa. De quem é a música? Será Na Gruta do Rei da Montanha, de Edvard Grieg (ver vídeo)? A gruta de Grieg está pejada de monstros (trolls). Será que existe alguma relação entre os monstros do anúncio e os “trolls” da música? O pop/rock é permeável a influências. Haverá músicas pop/rock inspiradas em Grieg? Com o mesmo nome? Por exemplo, os Deep Purple, os Rainbow e, entre outros, os Apocalyptica (ver vídeo). O que perfaz três géneros. Vários artistas retrataram a história de Peer na Gruta do Rei da Montanha. Por exemplo, Theodor Kittelsen (ver imagem). Multiplicaram-se os vídeos de animação. Por exemplo, o vídeo da TVP SA, de 1996 (ver vídeo). Acrescente-se que Edvard Grieg compôs esta música (1876) a partir da obra Peer Gynt, do escritor Henrik Ibsen (1867). Somamos seis géneros: publicidade, música clássica, música pop/rock, pintura, cinema de animação e literatura. Material suficiente para um trabalho? Se for do meu interesse e valorizar as minhas competências. Por exemplo, se estiver inclinado para a semiótica da monstruosidade, é um excelente cocktail. Mas, aqui chegados, o que me estimula é comparar Na Gruta do Rei da Montanha, de Edvard Grieg, com a Dança Macabra, de Camille Saint-Saens (1875). São do mesmo género, será possível? Nunca se sabe…

Anunciante: Nintendo / Game Boy Advance. Título: Symphony. Agência: Leo Burnett. Direcção: Bruno Aveillan. França, Maio 2002.
Edvard Grieg. Na Gruta do Rei da Montanha. Peer Gynt. 1876. The Sydney Symphony Orchestra. 2011.
Apocalyptica. Hall Of The Mountain King (Instrumental). Cult. 2001.
Hall Of The Mountain King. Edvard Grieg. TVP SA, 1996.

O novo Sísifo

Carlsberg Everest

Um humor amoral, sem prólogo, epílogo, catarse, ou expiação, alicerçado numa minudência cósmica, é, no meu preconceito, humor das gentes do norte. Um humor destilado, como o whisky ou a cerveja. É um humor fino e espirituoso, sem anjos nem bestas, nos antípodas do riso farto e rasteiro. Temos humor e cerveja, falta a música. Há tantas músicas nórdicas! Opto por dois excertos da Suite Peer Gynt (1875), do compositor norueguês Edvard Grieg: Amanhecer (parte I) e Na Gruta do Rei da Montanha (parte IV).

Tenho o vício de colar adjacências ao tema principal, neste caso ao anúncio. Às vezes, acabam por ser as mais relevantes. É o caso presente.

Marca: Carlsberg. Título: Everest. Agência: Fold7 Creative. Estados Unidos, 2011.

Edvard Grieg. Amanhecer. Peer Gynt. Orkiestra Filharmonii Narodowej.

Edvard Grieg. Na Gruta do Rei da Montanha. Peer Gynt. Berliner Philharmoniker. 2010.