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Princesinha

General ElectricÀs vezes, mergulhamos nas borras do ácido e esquecemos a doçura das nuvens. Mas, até nestes tempos de chuva pesada, a imaginação encontra modo de nos tirar a língua. É a nossa companheira. Íntima e fiel, como uma flor de Maio. Segue-nos por todo o lado. Com a crise, a publicidade regressou ao quadrado óbvio fisgado nos objectivos. Sofre a criatividade. Mas há portas que, uma vez entreabertas, não se voltam a fechar. A do sonho, por exemplo. Por entre tantas conquistas que nos oprimem, este anúncio da General Electric resgata a imaginação. Uma “princesinha” com uma rosa ao peito, voz de amor e olhos de sonho! “Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso” (Pablo Neruda, O teu riso). E a imaginação? “O que torna belo o deserto (…) é que ele esconde um poço nalgum lugar” (Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe).Tirem-me tudo, mas deixem-me a imaginação! Há anúncios que são poemas.

Marca: General Electric. Título: Childike Imagination. Agência: BBDO, New York. Direção: Dante Ariola. USA, Fevereiro 2014.

Fruto do acaso ou não, a EDP lançou em meados de 2012 um anúncio, “Pela Energia do Amanhã, com algumas semelhanças com este “Childike Imagination”, da General Electric. Merece ser recordado. Não deixa de ser curioso como mal se lida com um anúncio português se encontram logo limitações de incorporação, sobretudo em termos de qualidade.

Marca: EDP. Título: Pela Energia do Amanhã. Agência: BAR. Portugal, 2012.

Gosto de gostar

Acontece-me pensar que se tornou de bom tom não gostar. Por desgaste (os veteranos já gostaram tudo), por elitismo (para os snobs nada os merece), por universalismo (os omnívoros gostam de tudo, logo de nada) ou por previdência (são os viciados em preservativos do desejo). Pois, eu arrisco gostar. Gosto, por exemplo, de Jacques Séguéla, que foi uma lufada de ar fresco na França do último quartel do séc. XX. Responsável pelas campanhas eleitorais de Chirac e de Giscard d’Estaing, celebrizou-se com o slogan “A Força Tranquila” da campanha de François Mitterand. Publicou uma dezena de  livros dedicados à publicidade. Destaco: o best-seller Ne dites pas à ma mère que je suis dans la publicité… elle me croit pianiste dans un bordel, Flammarion, 1979 ; Hollywood lave plus blanc, Flammarion, 1982 ; e Fils de pub, Flammarion, 1984. Gosto, principalmente, dos seus anúncios. Por exemplo, Les Chevrons Sauvages (1985), da Citröen, um marco na história da publicidade.

Gosto também do trabalho da agência de publicidade Euro RSCG, de que Jacques Séguéla é fundador e vice-presidente. Trata-se de uma multinacional com implantação em Portugal. Retenho dois vídeos: o primeiro é um anúncio português (Fundação EDP Ilumina, 2010); o segundo é uma montagem de prints recentes feita, em 2011, pela Euro RSCG Worldwide.