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Engano autêntico

Jonty Hurwitz

Jonty Hurwitz

Será que existem realidades mais reais do que o real? Os sábios dizem que sim! Quem capta essas realidades mais reais do que o real? A águia? E a águia é mais ou menos real do que o real? Para quem? Para os dois seres humanos que figuram no anúncio? E os dois seres humanos são mais ou menos reais do que o real? Para quem? Para o espectador? E o espectador é mais ou menos real do que o real? Será o anúncio um cocktail mais real do que o real? Um simulacro?

Marca: AT&T. Título: Eagle. Agência: BBDO New York. USA, 2011.

O Corredor Tecnológico

ARRISA ARRIS é uma empresa da área da comunicação e da informática. O anúncio Inventing the Future começa num hangar com imenso espaço inocupado. Uma metáfora do presente? Do futuro? Do futuro no presente (Barbara Adam)? O protagonista entra num corredor. Não se vislumbra o fundo. Em jeito de paredes, inúmeros objectos electrónicos empilhados: televisores, computadores, monitores, despertadores, rádios… A disposição não é casual, mas também não é linear, nem geométrica. Há margem para a diversidade e para a originalidade. Este desarranjo na representação da história da tecnologia electrónica constitui uma das características mais relevantes do anúncio. O corredor é o passado no presente (Barbara Adam). Parece um labirinto. Mas não é! Não há modo de se perder. O homem da Arris avança seguro, sem hesitação, maquinal. Sem parar! O avanço no corredor faz lembrar um videojogo. Mas não é. Tem níveis mas não tem conclusão. Trata-se de um passado num presente que tem futuro. Pelo caminho, alguns marcos, por sinal, heterogéneos: a difusão da televisão, os Looney Tunes, a viagem à lua, a MTV, o skate, a queda de Hussein, a câmara de filmar incorporada nos portáteis… Um pouco de tudo. Não se enxergam, pelo menos à primeira vista, imagens disfóricas. Nem Hiroshima, nem Dallas 1963, nem 11 de Setembro! Estamos perante um mundo fantástico, sedeado algures entre o Canadá e o México. À semelhança dos brinquedos de E.T.A. Hoffmann ou do filme Toys Story, os objectos técnicos têm vida própria. Parecem dispensar mão humana. No início, o comando pousado no solo activa-se sozinho. O mesmo sucede com os ecrãs e demais objectos técnicos durante o avanço no corredor. Arris é artífice e herdeira deste mundo mágico. É uma garantia e uma promessa. Uma promessa garantida.

Marca: ARRIS. Título: Inventing the future. Agência: Story Worldwide. Direcção: Alex Topaller, Dan Shapiro. USA, 2014.

ARRIS is a global innovator in IP, video and broadband technology. We have continually worked with our customers to transform the experience of entertainment and communications for millions of people across the world. The people of ARRIS are dedicated to the success of our customers, bringing a passion for invention that has fueled our 60-year history: We created digital TV, delivered the first wireless broadband gateway and are pioneering the standards and pathways for tomorrow’s personalized, Ultra HD, multiscreen, and cloud services. We are dedicated to meeting today’s challenges and preparing for the tasks the future holds. Collaborating with our customers, ARRIS will continue to solve the most pressing challenges of 21st century communications.
Together, we are inventing the future.

O corpo não cabe no ecrã

eurostar-paris-londresEstes anúncios encantam-me. Tão bem feitos! Despertam todos os sentidos. Bem como o imaginário, a pele e o corpo. Presenciamos, cheiramos, tocamos, saboreamos, ouvimos, descansamos, participamos, vestimos os símbolos. Os olhos são uma extensão do corpo. Transfiguram-se numa orquestra de sentimentos, sensações e emoções. O ecrã não basta, não faz justiça ao corpo, nem à pele, nem ao movimento. O corpo quer andar, apalpar, perder-se, regalar-se à mesa, molhar-se à chuva, acariciar os ícones, espantar-se com o quotidiano, misturar-se com os outros e falar outra língua. O corpo pede para estar lá. Em Londres ou em Paris, com ou sem o Eurostar. Estes anúncios são, antes de mais, um convite à viagem ou, mais precisamente, à descoberta.

Marca: Eurostar. Título: Stories are waiting in Paris. Agência: AMV BBDO London. Direção: Simon Ratigan. UK, Outubro 2013.

Marca: Eurostar. Título: Tant d’histoires à venir à London. Agência: AMV BBDO London. Direção: Simon Ratigan. UK, Outubro 2013.

Tansomania

LG. The Smartest Baby in the WorldAté que ponto conseguimos ser tansos? Será a nossa boa-fé inesgotável? A onda dos apanhados faz parte desta “tansomania”. Neste anúncio israelita, os futuros pais acreditam em quase tudo, desde que seja garantido e gratificante. Com tanta burla, tanto apanhado e tanta arte oculta, estranho como ainda não foi criada uma licenciatura ou uma pós-graduação em “tansologia”. Quanto às marcas, somam e seguem: associam cada vez mais o lançamento de um novo objecto tecnológico ao nascimento de um ser humano. Pelos vistos, vende.

Marca: LG – Smart TV. Título: The Smartest Baby in the World.Agência: Yehoshua TBWA, Israel, Maio 2013.

A Guerra dos Géneros

E se os canais e os géneros de televisão lutassem entre si para conquistar o ecrã? Desenhos animados pontapeados por bailarinas que agarram espadachins pelos cabelos… Um caos à altura da rave do Shrek. Mas há sempre uma solução. Neste caso, multiplicar os aparelhos de televisão para separar os beligerantes, no ecrã e no sofá… Nada como um mosaico para arrumar a vida!

Anunciante:  Charter. Título: Battle Royal. Agência: Fallon, Minneapolis. Direção: Rodrigo Garcia Saiz. EUA, Outubro 2012.

Voar ou levitar?

Este anúncio da Dell aposta na continuidade (quase sobreposição) da realidade, do sonho e do ecrã. Ajudem! No fim do anúncio, a menina no ecrã voa ou levita?

Marca: Dell. Título: Annie, The girl who could fly. Agência: Y & R New York. Direção:  Peter Thwaites. EUA, Agosto 2012.