Uma baleia na floresta
Quando a inspiração e a arte se dão as mãos pode acontecer um anúncio de inesperado e belo efeito. À semelhança da coca-cola de Fernando Pessoa, uma baleia a nadar numa floresta é um conceito que “Primeiro, estranha-se. Depois, entranha-se”.
Marca: Whale and Dolphin Conservation (WDC/WDCS). Título: Safe and free. Agência: Gentleman Scholar. USA, Novembro 2013.
Papel Digital
Em turismo no Brasil, um casal de pombos depara-se com a destruição da floresta. Não revelo mais para não ser spoiler. Pode carregar em HD no canto superior direito do vídeo.
Marca: Digital Insurance. Título: Brazil. Agência: BBR Saatchi & Saatchi, Israel. Direção: Rani Carmeli. Israel, Outubro 2013.
A Arte e o Lixo
Eu faço lixo, mas não me lixo; tu fazes lixo, mas não te lixas; ele faz lixo, mas não se lixa … Todos nos desfazemos em lixo. Navegamos e mergulhamos em lixo. Estamos lixados! Em 15 segundos mudos, a WWF e o Vancouver Aquarium apelam, de um modo original, a uma reciclagem mental.
A estética destes anúncios releva da arte? Vi menos e pior em exposições de arte contemporânea. Sobre o lixo e a arte, versa um capítulo fabuloso do romance Pays Sages (1977), de Rafael Pividal (tradução castelhana: Este ó Este, 1977): um artista soviético, incumbido de conhecer a arte ocidental, explica como esta faz arte com lixo. Fica por explicar como se faz lixo com arte. Prémio Goncourt, Rafael Pividal consta entre os lbons professores que tive na Sorbonne: ensinava Sociologia da Arte e Sociologia das Instituições Psiquiátricas. Pividal está agora, com outros mestres e amigos de grata memória, a saborear, nos Campos Elísios, uma tímida cerveja. Tinha esta minha idade quando foi meu professor (ver http://tendimag.com/2012/03/06/bisbilhotice-de-massas-comum-online/).
Anunciante: WWF / Vancouver Aquarium. Título: Paddle. Agência: McCann Erickson. Canadá, Setembro 2013.
Anunciante: WWF / Vancouver Aquarium. Título: Breach. Agência: McCann Erickson. Canadá, Setembro 2013.
Anunciante: WWF / Vancouver Aquarium. Título: Dive. Agência: McCann Erickson. Canadá, Setembro 2013.
Sonho tecnológico
Pode a tecnologia ser amiga do ambiente? Podem os objetos técnicos contribuir para um paraíso ecológico? São questões que a publicidade não enjeita. Por exemplo, este anúncio da Panasonic propicia uma bela ilusão palpável, uma espécie de fantasia arcimboldiana composta por peças mecânicas montadas nas franjas da realidade.
Marca: Panasonic. Título: Eco Technology. Agência: Dentsu. Direção: Timo Schaedel. Alemanha, Setembro 2012.
Cortes
Mais um anúncio com sensibilidade e criatividade orientais. Quem é amigo do ambiente recorta em vez de lavar as nódoas. Mas há máquinas de lavar amigas dos amigos do ambiente… Com tanta tesourada e tanto corte nas t-shirts, este anúncio lembra um país à beira mar afundado, com resgate em curso e sem solução à vista.
História ecológica com final feliz
“Get the world to pay Ecuador to do nothing.” Eis uma ideia! Este anúncio acaba de ganhar um Leão de Ouro em Cannes.
Anunciante: Equador Government. Título: Yasuni ITT. Agência: MARURI GREY Guayaquil, ECUADOR. Direção: Felipe León (Maruri Producciones). Equador, Junho 2012.
A respiração do planeta
Um belíssimo anúncio de Greenpeace: Uma ideia de Colombo realizada com arte.
Anunciante: Greenpeace. Título: Breathe. Direção: Rey Carlson. Julho 2010.
A Tribo da Baleia
Portugal produz boa publicidade. Alguma, por sinal, pouco vista no País. Quem se lembra deste anúncio da Optimus em que um grupo de telemobilizados bem parecidos salva uma baleia? Bem parecidos e disponíveis, porque não é qualquer pessoa que pode largar, de repente, tudo o que está a fazer para ir empurrar um cetáceo. A ecologia e o (neo)tribalismo são traços da sociedade actual. Se acrescentarmos uma juventude fresca, livre e bem dotada, aproximamo-nos da fórmula de muitos anúncios nacionais.
Marca: Optimus. Título: Whale / Corrente. Agência: BBDO Portugal Agência de Publicidade / Krypton. Portugal, Agosto 2004.
A Grande Conexão
We are all connected. Não pela internet, que nem sequer chega a todos, mas pela vida. Todos, seres vivos e coisas, estamos unidos pela interacção e pela comunicação. A internet é apenas uma parte da vida, uma rede na rede. Estamos conectados, mas não do mesmo modo: uns conseguem puxar os fios, outros enredam-se neles, não esquecendo aqueles que são malhas ou pontas soltas. Este anúncio da World Wide Fund for Nature está muito bem concebido. Estou em crer que há escultores portugueses que não se teriam importado de assinar esta instalação de fios.
Anunciante: World Wide Fund for Nature. Título: Threads. We Are All Connected. Agência: Ogilvy & Mather Mexico. Direcção: Mato Atom. México, Março 2011.




