Música para o Paraíso

Os anjos tocam e cantam no Paraíso. Nos momentos felizes, ouvem-se na Terra. Nos momentos abençoados, a voz e a música humanas também poderão alcançar o Céu.
Mal fadado
Não possuo um coeficiente de portugalidade elevado. Com alguma frequência, estou em Braga como se estivesse noutro sítio qualquer, porventura Paris ou Veneza. Ter a cabeça fora do lugar contribui para que esteja sobremaneira exposto a determinados estímulos em vez de outros. Por exemplo, no que respeita ao reportório de Dulce Pontes, à canção “Nada Te Turbe”.
Música “tradicional” portuguesa
Em período de férias, aumentam as festas e diminuem as visualizações portuguesas do Tendências do Imaginário . Não ultrapassam os 17%. A minha praia anda demasiado ruidosa. Anteontem, os metal, ontem, os indie, hoje os tecno. Apetecem-me outras músicas. Dedico este ramalhete de músicas “tradicionais” portuguesas aos visitantes dos demais países. A selecção é arbitrária, incompleta e a meu gosto. Procura dar uma ideia da riqueza e da diversidade da música portuguesa.
Amália Rodrigues. Malhão.
Mariza. Barco Negro. Ao vivo na Sydney Opera House. 2006. Música original brasileira.
Dulce Pontes. Canção do mar. Lágrimas. 1993.
José Afonso. Milho verde. Cantigas de Maio. 1971.
Raízes. Boiada. Música tradicional portuguesa. 1982.
Brigada Victor Jara. Vira de Coimbra. Tamborileiro. 1979.
Brigada Victor Jara. Se fores ao São João. Tamborileiro. 1979.
Brigada Victor Jara. Pézinho da Vila. Eito Fora. 1977.
Brigada Victor Jara. Ao romper da bela aurora. Eito Fora. 1977.
Júlio Pereira. Vira velho. Braguesa. 1983.
Imaginário Salgado
O mar e a floresta são viveiros de sonhos. São espaços vizinhos, lugares de inquietação e travessia. Este anúncio, Mad about the sea, da Swatch, submerge-nos em águas invisíveis, a transbordar de desejo.
.Marca: Swatch. Título: Mad about the sea. Agência: com.unico.Italy. Direção: Leberato Maraia. Itália, Junho 2013.
Beyond the Sea é uma canção famosa interpretada por Bobby Darin, Frank Sinatra e, recentemente, Robbie Williams. Acontece, e não é caso único, que o original é francês. Salomonicamente, seguem Beyond the Sea, com um excerto de The Little Nemo e voz de Robbie Williams, e La Mer, com interpretação de Charles Trénet. Com esta e outras adaptações, pergunto-me quanta fama norte-americana não é colhida na Europa.
Porque existe um “mar português”, existem canções como a Garça Perdida, de Dulce Pontes. Dando o braço ao disparate, pergunto: se esta canção em português fosse um projecto de investigação, passava nos concursos nacionais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia? Há quem dobre a língua. Há quem dobre tudo para dobrar os outros. Dava jeito um acordo ortográfico com os anglo-saxões. O actual é um bom estorvo à concentração na escrita.
“Só vei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar…”
