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O Homem na Lua

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Todos os anos, a John Lewis estreia um anúncio na quadra natalícia. É uma tradição. Fantásticos e ternurentos, os anúncios da John Lewis são contos infantis. Neste anúncio, uma menina, na terra, e um idoso, na lua, têm dificuldade em comunicar. Mas tudo se resolve… Um anúncio polémico, sobretudo, para quem gosta de interpretações literais. Por exemplo, como chegou o idoso à lua?

Marca: John Lewis. Título: Man on the Moon. Agência: Adam & Eve DDB (London). Reino Unido, Novembro 2015.

Dentro e fora. O olhar do século.

Dentro ou fora? De dentro para fora? De fora para dentro? Dentro e fora.

M. C. Escher. Print Gallery. 1958.

M. C. Escher. Print Gallery. 1958.

Para Francesco Casetti, o cinema é o olhar do século XX (L’occhio del Novecento. Cinema, esperienza, modernitàMilanoBompiani, 2005), um olhar que entra no ecrã, do cinema ou da televisão (Dentro lo sguardo. Il film e il suo spettatore, Milano,  Bompiani, 1986; com F. di Chio, Analisi della televisione. Strumenti, metodi e pratiche di ricerca, Milano, Bompiani, 1998).

“With regard to vision, the film aims to “fill the eyes” of the spectator, to solicit him sensually: the filmic experience mobilizes a perceptive intensity that allows the spectator to “immerse” him or herself in that which he or she is watching. In this sense we can say that filmic images, more than objects to be seen, constitute a visual environment. But film seems to do other things, as well: it seems to want to “restitute” to the spectator that reality which on the screen is not present if not in its appearance; and it seems to want to do so through an illusion” (Casetti, Francesco, 2007, The Filmic Experience: An Introduction, p. 10: https://francescocasetti.files.wordpress.com/2011/03/filmicexperience1.pdf).

O envolvimento visual, além de propiciar a entrada do olhar no ecrã, promove a imersão do próprio espectador, convidado a co-construir a experiência fílmica. “O olhar do século XX” não é apenas imersivo, não se limita a “encher os olhos”, é também interactivo. A imersão coexiste com um sentido de distanciação. Dentro e fora, o cruzamento de olhares conjuga-se na experiência fílmica. O anúncio do Seattle International Film Festival contempla, de algum modo, este tango de perspectivas.

Anunciante: Seattle International Film Festival / SIFF. Título: Be Watching. Agência: Wongdoody. Direcção: Lindsay Daniels. USA, 2015.

Aproximar o próximo

unitel-bring-your-closest-ones-closer-600-68769Deparei-me, na Internet, com este anúncio português em versão inglesa. Não encontrei a versão portuguesa. Mas a crer no slogan de fecho “O próximo mais próximo”, ela existe algures. O compasso lento das imagens justifica o minuto e meio de duração e lembra, por vezes, o estilo de Bruno Aveillan. Nem sempre é possível dar um abraço. A distância interpõe-se. E não há modo de o substituir, nem sequer pela audição ou pela visão. Não há corpo que o sustente. Um abraço pede a pele, pede a carne.

Marca: Unitel. Título: Bring your closest ones closer. Agência: Ogilvy & Mather. Portugal, Novembro 2014.

Amor prevenido

volkswagen teddyO controlo automático de distância não se aplica apenas aos automóveis e respectivos peluches. Também separa os seres humanos. Aproximam-se, afastam-se, mas não se encontram. Como dois pólos magnéticos iguais. Uma tragédia shakespeariana na era da técnica! Com pequenas coisas se fazem grandes anúncios. A medida é o ser humano.

Marca: Volkswagen. Título: A Teddy Tragedy. Agência: adam&eveDDB. Direção: Matteo Pellegrini. UK, Fevereiro 2014.