Jardinar a conjugalidade
Saiu há dias o anúncio Obey Your Hands, da Hornbach, uma rede alemã de lojas de bricolage que aposta numa publicidade cómica, desinibida e insólita. Obey Your Hands convoca um caso excessivo de alucinação cinestésica: a sensação de que um órgão corporal se está a mover, adquire vida própria.
O Tendências do Imaginário comporta uma dezena de anúncios desta marca. Deu-me vontade de explorar mais. Encontrei Garden, de 2001, uma delícia não tanto por ridicularizar a masculinidade mas pelo modo como “brinca com coisas sérias”, tais como a morte e o homicídio.

Coração e desigualdades de género
Este anúncio parece visar as desigualdades de género, mas não! Trata-se de uma sensibilização para os riscos de morte por doença cardiovascular. Nada de novo! Muitos anúncios optam por falar de outras coisas que não o produto a promover. O discurso sobre as relações de género rende na publicidade. Não é das relações de género de que estou a falar, essas já rendem há muito, estou a falar do discurso sobre as relações de género. A agência de publicidade Publicis, de Paris, sabe o que faz. Inquieta-me, porém, um pequeno pormenor: na Comunidade Europeia, segundo a Eurostat, a taxa de mortalidade por doença isquémica cardíaca (uma das principais causas de morte) era, em 2010, nos homens o dobro das mulheres (105,5 contra 52,8, por 100 000 habitantes). No caso específico de Portugal, no mesmo ano, a proporção mantém-se: 52,8 nos homens contra 27,7 nas mulheres, por 100 000 habitantes (ver gráfico para 2009).
Anunciante: Cardiovascular Research Foundation. Título: Nathalie. Agência: Publicis. Direção: Hervé Plumet. França, Abril 2013.
Causes of death – standardised death rate, EU-27, 2009 (per 100 000 inhabitants) – Eurostat

