Um amor. Coincidências desfasadas
“La musica ci insegna la cosa più importante che esista: ascoltare” / A música ensina-nos o que há de mais importante: escutar. (Ezio Bosso)
“Sono un uomo con una disabilità evidente in mezzo a tanti uomini con disabilità che non si vedono” / Sou um homem com uma deficiência evidente no meio de tantos homens com deficiências que não se vêm”. (Ezio Bosso)
No final da conversa do dia 3 de março sobre “a importância do carnaval na cosmovisão ocidental”, uma participante assumiu o Dino Buzzati como escritor favorito. Há muitos anos, “noutra vida”, entrei com uma amiga italiana numa livraria. Ofereceu-me Il gattopardo (O leopardo,1958) do Giuseppe Tomasi di Lampedusa, que Luchino Visconti transpôs para o cinema em 1963. Retribui com Un amore (1963) do Dino Buzzati, fonte, também, de um filme homónimo realizado por Gianni Venuccio em 1965. Décadas depois, em 1999, estreia um filme com o mesmo título, mas com conteúdo distinto, realizado por Gianluca Maria Tavarelli. A música foi composta e orquestrada por Ezio Bosso, que, além de pianista, também era, como se comprova, contrabaixista. Nessa altura, tinha 28 anos e ainda não se declarara a doença que o incapacitaria e vitimaria (ver Quando a alma fecha a porta e Degenerescência).
À espera do inimigo

Num texto publicado no Facebook, no dia 2 de Junho, José Miguel Braga escreve:
“Qualquer bocadinho de sono me serve. Puseram-me de sentinela e o inimigo pode aparecer por ali, está a ver, meu coronel, detrás daqueles montes, é por onde se diz que virá a invasão. Quem diria que ainda vinha dormir uma noite ao “Deserto dos Tártaros”! Leiam, leiam, é um belo livro do Dino Buzzati.”

Nos anos setenta, uma amiga italiana ofereceu-me o Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati, publicado em 1940.
Retribuí com Un amore, do mesmo autor, publicado em 1963.
Dino Buzzati é um dos grandes escritores do século XX. Não há mapa mental que o apague.
Acarinho a cultura italiana. Um quase nada esquecido deixa-me bem-aventurado.
Paolo Conte é um veterano da canção italiana. À semelhança de Jacques Brel, Edith Piaff ou Sérgio Godinho, reconhece-se uma música antes de ela começar. O Tendências do Imaginário já contempla duas canções de Paolo Conte: Via Con Me e Sparring Partner. Acrescento Azzurro.
