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Virtualidades do menos bom

E quando o menos bom resulta em mais bom… Eis uma equação que palpita nas cabeças pensantes. Neste sentido, costuma dizer-se que existem males que vêm por bem. Neste anúncio japonês da agência Dentsu, um comportamento brutesco quase universal é responsável por uma quase beleza universal. Mas subsistem exceções decisivas…

Marca: Creapills. Título: Ajinomoto Stadium (?) / The Pills of your Creativity. Agência: Dentsu. Japão, fevereiro 2022.

Beleza made in Japan

Há quem considere este anúncio lento e aborrecido. É um modo de o encarar. E se retorcêssemos os sentidos? Também pode ser suave e voluptuoso, como a seda… É certo que beleza vinda do Oriente não é necessariamente beleza oriental. Projectar “daqui para o mundo”, de Tóquio para o nosso ecrã, comporta compromissos, e percalços. Trata-se de um anúncio feito por uma agência japonesa, a Dentsu, das melhores do mundo, para a “japonesa” Sony, com imagens do Japão. Para que olhar? Para que sonhos? Quem procura esta beleza? Para visualizar o anúncio carregar na imagem.

Sony. The pursuit of beauty

Marca: Sony Bravia. Título: The Porsuit of Beauty. Agênca: Denstu. Direção: Naoki Imamura. Japão, Maio 2013.

Sobre rodas II

Eis uma inovação, embalada em tons azul celeste, que merece atenção.

Marca: WHILL. Título: Close up. Agência: DENTSU. Direção: Yuji Shiota. Japão, Março 2013.

Sonho tecnológico

Pode a tecnologia ser amiga do ambiente? Podem os objetos técnicos contribuir para um paraíso ecológico? São questões que a publicidade não enjeita. Por exemplo, este anúncio da Panasonic propicia uma bela ilusão palpável, uma espécie de fantasia arcimboldiana composta por peças mecânicas montadas nas franjas da realidade.

Marca: Panasonic. Título: Eco Technology. Agência: Dentsu. Direção: Timo Schaedel. Alemanha, Setembro 2012.

Dignidade

Iwaki, no Japão, foi vítima do tsunami e do acidente nuclear. Os habitantes, um ano depois, não esquecem; rezam em silêncio de olhos fechados. A seguir ao vídeo, um texto que escrevi há um ano, duas semanas após a tragédia.

Iwaki City. Pray together with us. Agência: Dentsu Tokyo. Direção: Futoshi Takashima. Japão, Março 2012.

Flor de cereja amarga

Ao quinto terramoto mais severo de que há registo, segue-se um tsunami com ondas de 13 metros que provoca um acidente nuclear difícil de controlar. Os novos cavaleiros do Apocalipse passaram pelo Japão.

Abundam as notícias e as imagens do tsunami e das sequelas do acidente nuclear. Já a reacção da população suscita perplexidade. Nem desacatos, nem vitimação pública. Em vez da expressão dramática do sofrimento, a contenção trágica da dor, imune a qualquer intrusão.

Esta postura estóica integra, há séculos, a cultura japonesa. No livro O Crisântemo e a Espada, publicado em 1946, a antropóloga Ruth Benedict observa: “Quando as águas inundam uma aldeia japonesa, qualquer pessoa que se respeite a si mesma recolhe os haveres que quer levar consigo e procura as terras mais altas. Não há gritos, nem correrias tresloucadas, nem pânico (…). Tal comportamento faz parte do respeito que uma pessoa tem por si própria no Japão, incluindo quando sabe que não vai sobreviver.”

Afigura-se-nos que o sofrimento da população japonesa não granjeou mesma cobertura mediática que outros povos igualmente castigados. Será por contenção? A um primeiro momento de estranheza, seguiu-se um segundo de compreensível pudor? Será por relevância? Poderá o olhar táctil das nossas extensões técnicas alcançar a dor oculta dos japoneses? Propensos ao “sofrimento à distância” (Luc Boltanski), serão os “ocidentais” mais permeáveis à retórica da dor do que à pragmática da dignidade?

Entretanto, com ou sem radioactividade, florescem as cerejeiras no Japão.

01 de Abril de 2011

Albertino Gonçalves