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Balanço da Espada, da Cruz e do Cálice

Bem-disposta e algo intimista, a conversa sobre “a espada, a cruz e o cálice nas imagens de Cristo e da Virgem Maria” já pertence ao passado. Mobilizou uma vintena de pessoas. Data e hora pouco oportunas. De qualquer modo, a conversa teve a audiência merecida.  Por sinal, suficiente. Com fraco espírito missionário, não cuido de espalhar a palavra. Pouco importa o tamanho da audiência, o que conta é a qualidade da comunicação.

Durante 150 minutos, com um intervalo de 15, foram projetados 93 diapositivos e 160 imagens. As ideias propostas, algumas originais e sustentadas em anos de investigação pessoal, justificam prudente reserva.

A Sala das Cavalariças do Mosteiro de Tibães é um aconchego. Motivados, saímos exaustos, mas satisfeitos. Uma experiência única, que ganha em não ser repetida.

Segue uma galeria com uma seleção de 20 imagens (desordenadas). Um oitavo do conjunto.

A Espada, a Cruz e o Cálice

No próximo sábado, dia 26 de abril, às 15 horas, vou falar no mosteiro de Tibães sobre a relevância dos símbolos da espada, da cruz e do cálice na interpretação das imagens de Cristo e da Virgem Maria. A meio de um fim-de-semana prolongado e coincidente com a Festa do Alvarinho em Melgaço, a data não é a mais propícia. Desejava-a perto da Páscoa e no mosteiro de Tibães, espaço que me é particularmente grato. Nestas condições, foi a única disponível. Não me apoquenta. Interessa-me mais a relação com o público do que a sua dimensão. Como a generalidade das minhas conversas, será única. Projeto retomá-la apenas como aula na academia sénior de Melgaço.

Demasiado ampla, tive que a reduzir. Concentra-se, assim, nos seguintes episódios e figuras: Juízo Final, Menino Jesus com a cruz, Anunciação, Expetação e Virgem Entronizada. Principalmente na Baixa Idade Média e no início da Moderna. A Senhora da Misericórdia e a Pietà resultam adiadas para uma próxima conversa. A Natividade e a Virgem do Leite justificarão, porventura, uma terceira. Não obstante, prevê-se densa e extensa. Afortunadamente, bastante ilustrada e algo original.

Se se proporcionar, apareça. Caso contrário, não lhe sentirá a falta.

A lenda do pintassilgo

Raffaello Sanzio. Virgem do Pintassilgo.1505-1506. Galleria degli Uffizi. Detalhe

Segundo uma lenda medieval, um pequeno pintassilgo voou até Jesus no momento em que Ele carregava a cruz para o Calvário. O pássaro tentou arrancar os espinhos da coroa que perfuravam a Sua testa. Ao puxar um dos espinhos, uma gota do sangue de Cristo caiu-lhe sobre a cabeça, tingindo as suas penas de vermelho.

Na realidade, os pintassilgos possuem uma mancha vermelha na cabeça e não evitam os cardos, constando entre as poucas aves que conseguem alimentar-se das respetivas sementes. A tradução de pintassilgo em francês é chardonneret; e em italiano, cardelino. Ora, o francês chardon e o italiano cardo significam, precisamente, cardo.

O pintassilgo aparece com alguma frequência nas pinturas junto ao Menino Jesus, quase sempre nas suas mãos. Alude, simbolicamente, à Paixão e à Redenção, funcionando como um presságio do sacrifício de Cristo.

Inteirei-me desta lenda graças à Virgem do pintassilgo, pintura renascentista de Rafael. O motivo do pintassilgo representava um desafio. Ora, sempre que o sentido de um detalhe numa grande obra me escapa, parto do princípio que o problema é meu. A solução foi rápida e fácil. Por acréscimo, deparei com meia dúzia de pinturas similares, algumas anteriores à Virgem do Pintassilgo de Rafael, as mais antigas remontando ao século XIV (ver galeria de imagens).

Galeria de Imagens: Virgem e Menino Jesus com Passarinho

O pintassilgo do Menino Jesus acabou por me lembrar uma canção, antiga e pouco conhecida, dos Pink Floyd: “Grantchester Meadows”.

Pink Floyd – Pink Floyd – Grantchester Meadows. Ummagumma, 1969

A pomba, o menino e a cruz

Anónimo (França ou Flandes). Anunciação. 1380. Museu Nacional de Varósvia

Ao analisar imagens com a Anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem, deparei com um pormenor curioso numa pintura do Museu Nacional de Varsóvia: a pomba não só toca o corpo de Maria, como vem acompanhada por Jesus bebé, nu e a carregar uma cruz. Além da fecundação por obra e graça do Espírito Santo, este detalhe prefigura a incarnação e a crucificação, portanto, o início e o fim do divino feito homem. Uma sincronização engenhosa!

Wilhelm Kalteysen. A Anúnciação. Do Tríptico da Crucificação do cônego Peter von Wartenberg. Museu Nacional de Varsóvia.1468

Uma vez advertido, detetei meia dezena de pinturas em que este detalhe se repete, ora quase impercetivelmente, como na Anunciação do Tríptico da Crucificação do cónego Peter von Wartenberg, ora tão ostensivamente, como na Anunciação do Museu Nacional Suíço, que tive, paradoxalmente, alguma dificuldade em identificar.

Imagem: Anunciação a Maria. Painel do interior do altar. Ca. 1470. Museu Nacional Suíço, Zurique

Para concluir, um regresso à música com um excerto do Inverno, das Quatro Estações do Vivaldi, interpretado por Nigel Kennedy. Com a vista cansada, preciso jejuar da escrita e da análise de imagens.

The Four Seasons, Violin Concerto in F Minor, Op. 8 No. 4, RV 297 “Winter”: II. Largo · Nigel Kennedy.

A amamentação através dos tempos III. O primeiro milénio cristão

Igreja de Anba Bishay e Anba Bigol. Mosteiro Vermelho. Perto de Sohag. Egito. Sec. VI a VII . Fotógrafo: E. Bolman

Com o corpo debilitado durante uma meia dúzia de anos, acabei por abusar das “células cinzentas”, teimosamente operacionais. Tornei-me um hiperativo mental, a saltar de assunto em assunto, vários ao mesmo tempo, sem os acabar. Faltava a corda para os desafios que abraçava. Subsistia, contudo, uma vantagem: entregar-me (quase) apenas ao que gostava: investigar, muito; escrever, bastante; divulgar, pouco. Acumulei descobertas, que não escrevi, e apontamentos, que não publiquei. Num estilo impaciente, apertado e abreviado, com a imagem a sobrepor-se à letra.
Algo recuperado, por inércia ou histerese, esta hiperatividade mental não diminuiu. Continuo a multiplicar as pesquisas, sem cuidar de as concluir nem de partilhar os resultados.
O Tendências do Imaginário é um bom testemunho deste estado pouco recomendável. Passaram quase três meses desde a publicação do segundo artigo da série A amamentação através do tempo, dedicado ao primeiro milénio pagão. A Baixa Idade Média oferecia-se com a meta almejada, contemplando, portanto, o românico, o gótico e parte do renascimento. Recolhi, em conformidade, informações e imagens. Arrumei-as numa fila à espera de ocasião propícia, eventualmente o dia de São Nunca. Sábado, fui ao Mosteiro de Tibães. Os fantasmas dos monges copistas e iluminadores, o entusiasmo da Aida Mata, a dedicação da Anabela Ramos e a curiosidade do Alberto Gonçalves despertaram-me um raro rebate de consciência. Não partilhar as imagens da “Virgem do Leite” do primeiro milénio cristão configurava um desperdício, senão um pecado de soberba e preguiça. Partilho-as, portanto, despojadamente, em jeito de penitência. Perdi o treino à comunicação e a escrita oferece-se como um prazer que me custa. Mas, com franqueza e sem maneirismo, o que mais me incomoda é a sensação de estar a despachar questões dignas de mais cuidado e atenção.

O primeiro milénio da era cristã revela-se estranhamente parcimonioso no que respeita a imagens, conhecidas, com a Virgem a amamentar o Menino. Esta exiguidade estende-se, aliás, à generalidade das imagens marianas, quando não cristãs, o que surpreende atendendo à expansão do cristianismo, mormente a partir do século IV, na sequência dos éditos de Milão, que o legaliza em 313, no tempo de Constantino, e de Tessalónica, que o promove a religião oficial exclusiva do Império Romano, em 380, no tempo de Teodósio I.

O culto da Virgem levou, porém, algum tempo a consolidar-se, devendo aguardar a sua consagração dogmática como Mãe/Portadora de Deus (Theotokos) no Primeiro Concílio de Éfeso, em 431.

É provável que, pelo menos a partir dessa data, as imagens com a Virgem se tenham multiplicado, principalmente no Imperio Romano do Oriente, onde a presença cristã era notável e as artes não só se mantiveram como se desenvolveram. Só que esta implementação não “ficou para a História”. A grande maioria das imagens foi destruída pelos movimentos iconoclastas dos séculos VIII (726 a 787) e IX (814-842), responsáveis por uma autêntica razia das imagens religiosas, associadas à idolatria. Estes movimentos foram decretados pelos imperadores que, no Império Romano do Oriente, eram também os chefes da Igreja Ortodoxa. Sublinhe-se que, durante o primeiro milénio, Constantinopla foi o principal centro de produção de arte cristã.

Afresco com a Virgem e o Menino. Catacumba de Priscila. Roma. Final do século II, início do século III
Mulher a amamentar um menino. Possivelmente a Virgem Maria. Catacumba de Priscila. Roma. Ca. 260

Não admira que na fase inicial desta indagação apenas tenha surgido um par de afrescos pressupostamente com a Virgem a amamentar o Menino, ambos descobertos na catacumba de Priscila, em Roma, datados por volta dos séculos II e III. O primeiro afresco suscita-me poucas dúvidas. Parece ser um fragmento de uma cena com a Adoração dos Reis Magos.

Adoração dos Magos. Afresco da Catacumba de Priscila. Roma. Séc. III
Adoração dos Magos. Decoração de um Sarcófado. Museus do Vaticano. Séc. III

Aponta nesse sentido a semelhança com outro afresco da catacumba de Priscila e com a decoração de um sarcófago, ambos do século III, cujo motivo é, precisamente, a Adoração dos Reis Magos, com a Virgem e o Menino na mesma posição e uma figura de pé a apontar para a estrela.

Cenas com Sofia, Maria e Cristo ou da vida de uma mulher cristã defunta. Catacumba de Priscila. Roma. Ca. 260

O segundo afresco, com uma mulher a amamentar uma criança, justifica mais reservas. Orantes, com os braços abertos levantados, são frequentes nas catacumbas romanas. Na composição do afresco, tanto pode aparecer Sofia, no centro, Cristo com amigos, à esquerda, e a Virgem com o Menino, à direita, como um conjunto de cenas da vida de uma mulher defunta (ver um exemplo semelhante respeitante ao túmulo de uma criança na imagem seguinte).

Sarcófago de Cornelius Statius, uma criança. Evocação da sua vida.140 a 150 d.C. De Roma. No Museu do Louvre

Perante esta exiguidade, que fazer? O mesmo que, há alguns anos atrás, adotámos para as imagens de Cristo: alargar horizontes, demandar outros territórios e outras cristandades, além dos Impérios Romanos do Ocidente e do Oriente e das igrejas Católica Apostólica Romana e Ortodoxa Bizantina. Sondar, por exemplo, a Síria, a Palestina e o Egipto, conquistados pelos muçulmanos no século VI, em particular as igrejas Ortodoxas Copta e Síria, com foco especial nos mosteiros de Apa-Jeremias, em Sacará, e Santa Catarina, no Monte Sinai.

Escavações no Mosteiro de Apa-Jeremias, em Sacará (1908-9, 1909-10)
Mosteiro de Santa Catarina no Monte Sinai

Com este “desvio”, sobem de duas para nove as imagens encontradas com a Virgem a amamentar o Menino anteriores aos iconoclasmos dos séculos VIII e IX [Na galeria seguinte, carregar em cada imagem para a aumentar e ler a respetiva legenda].

Galeria 1: Imagens com a Virgem a amamentar o Menino no primeiro milénio

Quatro apontamentos complementares em jeito de conclusão:

1) A figura da Virgem do Leite não foi criada na Idade Média Central e ainda menos pelo estilo gótico. Existem antecedentes desde o século II;

2) A produção de imagens com a Virgem a amamentar o Menino foi muito superior aos exemplares conhecidos;

3) Durante o primeiro milénio, as imagens com a Virgem a amamentar o Menino afastam-se pouco de outras congéneres, tais como a Ísis Lactans ou as Deusas Mães, por exemplo, celtas e galo-romanas;

4) A sobrevivência de muitas imagens cristãs deve-se à sua localização em territórios não pertencentes ao Império Bizantino, designadamente sob domínio muçulmano, durante os períodos iconoclastas dos séculos VIII e IX.

A busca de imagens com a Virgem a amamentar o Menino proporcionou, naturalmente, o conhecimento de imagens apenas com a Virgem e o Menino. Eventualmente menos divulgadas e de difícil acesso, coloco, na galeria 2, uma seleção com 26 exemplares.

Galeria 2: Imagens apenas com a Virgem e o Menino no primeiro milénio

Nesta galeria, dez imagens provêm do Egipto e nove de Roma. Três repartem-se pela Ucrânia, Geórgia e Alemanha, regiões não pertencentes ao Império Bizantino durante os iconoclasmos. Apenas duas imagens são oriundas de Constantinopla/Istambul, por sinal posteriores ao último movimento iconoclasta (datadas por volta do ano 1000). Enfim, a única imagem restante, do século VI, encontra-se na Basílica de Santo Apolinário Novo, em Ravena. Esta cidade constitui um caso singular. Trata-se de uma das principais concentrações atuais de arte bizantina, nomeadamente do período de transição entre o romano e o bizantino. Boa parte dos mosaicos cristãos mais antigos abrigam-se nas basílicas de São Vital e Santo Apolinário Novo. Escaparam por pouco à purga do primeiro movimento iconoclasta, que, decretado por Leão III, em 726, atingiu o auge, sob Constantino V, a partir do Concílio de Hieria, em 754. “Providencialmente”, três anos antes, em 751, os lombardos conquistaram Ravena, libertando-a do controlo bizantino.

Ironia das ironias, coube, naquele tempo (séculos VIII e IX) aos muçulmanos e aos “bárbaros” “proteger” a arte cristã do zelo purificador da cristandade “ortodoxa”.

Imagens da pobreza (com ilustrações e comentário)

Só dei conta, por lapso pessoal, que era suposto escrever o artigo “Imagens da pobreza” (para o jornal Correio do Minho, de 17/06/2023) quando me foi solicitado para edição. Tive que o redigir texto de um dia para o outro. Ultrapassado o limite de 5000 carateres, considerei-o concluído. Ficou incompleto? Sobram sempre assuntos para desenvolver. Mas neste caso, além de incompleto, o texto resultou desequilibrado, tanto no que respeita ao conteúdo como, mais grave, à abordagem. Justifica-se uma crítica. Seguem:

  • O artigo “Imagens da Pobreza”, publicado no jornal Correio do Minho, de 17 de junho de 2023;
  • Uma galeria de imagens correspondente ao artigo “Imagens da Pobreza”;
  • Uma (auto)crítica do artigo “Imagens da Pobreza”;
  • Uma galeria de imagens correspondentes ao texto de crítica do artigo “Imagens da Pobreza”.

Galeria do artigo “Imagens da pobreza”

Comentário ao artigo “Imagens da Pobreza”

A contradição costuma fazer parte da arquitetura do imaginário: a um ponto tende a corresponder um contraponto. No presente artigo, proporcionou-se a pobreza surgir apenas como um mal (necessário, lamentável ou compreensível). De modo algum, como algo positivo. Existem, contudo, imagens favoráveis à pobreza e aos pobres. Por exemplo, algumas vertentes do cristianismo, a começar pelos atos e palavras do próprio Jesus Cristo, que, “sendo rico se fez pobre” (2 Coríntios 8:9): “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu” (Mateus 19:21); “E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mateus 19:24). Contam-se às dezenas as passagens da Bíblia que não só apregoam a defesa dos pobres como valorizam a pobreza, por exemplo “Levanta do pó o necessitado e do monte de cinzas ergue o pobre; ele os faz sentar-se com príncipes e lhes dá lugar de honra” (1 Samuel 2:8). Os eremitas, sobretudo dos séculos III a IV e XII a XIII, buscam no isolamento, no despojamento e no desprendimento uma aproximação ao divino e uma condição de salvação. A pobreza e o isolamento extremos propiciam a resistência às diferentes formas de tentação e vício, bem como uma dedicação exclusiva a Deus. Santo Antão é, porventura, a figura mais notória. Descendente de uma família cristã rica do Egipto do século III, deu tudo aos pobres e retirou-se no deserto. Maria Madalena precedeu-o: contra o fim da vida, no deserto, despojada, inclusivamente sem roupa, era “alimentada espiritualmente pelos anjos” (“Maria Madalena: O Corpo e a Alma”: https://tendimag.com/2015/02/09/maria-madalena-o-corpo-e-a-alma/). Enfim, aponta no mesmo sentido o “voto de pobreza” caraterístico das ordens mendicantes, tais como os franciscanos, dominicanos, agostinianos e cartuxos.

Resta incontornável a questão: que tipo de pobreza é a pobreza voluntária?

Galeria do comentário ao artigo “Imagens da pobreza”

Amor e lamentação

“1 | Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras.
2 | Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo.
3 | Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos
4 | e disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.
5 | Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? “
6 | Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
7 | Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”.
8 | Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
9 | Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele.
10 | Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? “
11 | “Ninguém, Senhor”, disse ela. Declarou Jesus: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”. (Versículos do Capítulo 8 do Livro João; João 8:1-11)

Entre os megafones da acidez recorrente e as canções de amor e lamentação, hoje, prefiro ouvir as últimas. Proporcionam-me mais sossego e esperança.

Lisa Gerrard & Zbigniew Preisner. To Those We Love. Melodies of My Youth. 2019-
Zbigniew Preisner. Lacrimosa. Preisner-Towarnicka. 2010. Concert of “The Best of Zbigniew Preisner”. Solista: Elizabeth Towarnicka.
Zbigniew Preisner & Lisa Gerrard. It’s Not Too Late. It’s Not To Late. 2022

O Olhar de Deus na Cruz. O Cristo Estrábico

Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecesseis (São Paulo, 2 Coríntios 8:9).

Senhor Santo Cristo dos Milagres. Ponta Delgada. Ilha de São Miguel. Açores. Séc. XVI

Consegui extrair a lição sobre o “Cristo estrábico” (de 29 de novembro) com o som mais nítido. Ao vídeo no YouTube, acrescento a respetiva apresentação (Powerpoint). Fica assim concluído o episódio, grato, da homenagem. Outras atividades esperam: um capítulo, com o Américo Rodrigues, para um livro sobre Castro Laboreiro; a criação, que se arrasta, de um blogue coletivo; e a preparação da aula “Vestir os nus: a destruição e a censura da arte”, prevista para o dia 18 de fevereiro.

Albertino Gonçalves. O olhar de Deus na cruz: O Cristo estrábico. Homenagem, 12.11.2022. Lição (visualizar em 720p)

Para aceder à apresentação em powerpoint, descarregar a partir do seguinte link:

Televisita. Roy Orbison a preto e branco

Olhar para todos os lados, cuidar de todos. Cristo de La Llagonne. França. Escola Catalã. Séc. XII.

“Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la? E quando a encontra, coloca-a alegremente nos ombros e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida’ (Lucas 15).

Roy Orbison and Friends: A Black and White Night decorre de um programa de televisão, emitido em janeiro de 1988, com várias prestações de concertos ao vivo de Roy Orbison, acompanhado por celebridades tais como Bruce Springsteen, Elvis Costello, Tom Waits, K. D. Lang ou a TCB Band, a última banda de Elvis Presley. O filme, a preto e branco, foi publicado em vários formatos. Os vídeos seguintes são extraídos da versão em Blu-ray. Demasiadas canções? O repertório de Roy Orbison justifica-o. Existe, por acréscimo, quem disponha de tempo para as apreciar. Uma pessoa será, aliás, o suficiente. Este post apresenta-se como um arremedo de companhia, companhia que a música e as novas tecnologias possibilitam. Uma televisita.

Roy Orbison. Only the Lonely. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.
Roy Orbison. Pretty woman. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.
Roy Orbison. Blue Bayou. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.
Roy Orbison. Running Scared. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.

Erudição e imaginação

“A erudição está longe de ser um mal: ela amplia o campo da experiência” (François Jacob, Conseils à un jeune poète suivi de Conseils à un étudiant, 1944).

Há quem entenda por bem opor o imaginativo ao erudito. Pura falácia, conversa fiada! Sem a erudição, a imaginação a pouco aspira. A descoberta de uma boa obra erudita escrita por um bom autor erudito é uma bênção para a obra imaginativa de um autor imaginativo. Encontra asas para correr e pernas para voar. Imaginação não é geração espontânea.

Um estudo dedicado às imagens de Cristo não seria o mesmo sem a consulta do livro  L’art chrétien : son développement iconographique des origines à nos jours, de Louis Bréhier, publicado pelo editor Henri Laurens (Paris, 1927). Bem-haja a Biblioteca Nacional de França por disponibilizar a versão digital de obras raras como esta.

Bibliothèque Nationale de France – François Mitterrand.