Positividade

Fiquei agradavelmente surpreendido pela campanha “construye tu mundo” da ONG espanhola FAD (Fundación de Ayuda contra la Drogadicción). Acrescento, por isso, um segundo anúncio. Repito o que escrevi acerca do primeiro: é possível fazer anúncios de consciencialização de elevada qualidade apostando na criatividade positiva.
“Try! Create a why not, a just because. Create a place to be, create a nonsense. Create what you like, but create something, because the more things you create in your life, the less room is left for drugs” FAD, Create).
Anunciante: FAD. Título: Create. Agência: Publicis, Spain. Direcção: Marc Coronas & Lorena Medina. Espanha, Março 2015.
A manipulação como profissão
Gosto de Marshall McLuhan. Rasga caminhos com rara generosidade. As ideias saltam por entre as páginas. Ler McLuhan é uma festa, senão uma orgia, do espírito. Tamanha inquietação não está, contudo, na moda. Para os génios actuais, uma ideia não cabe num livro. Talvez em dois ou três. O leitor é massajado até não sentir o cérebro. Não se explora, explana-se. O argumento alonga-se e a criatividade adormece. Abraçamos o pensamento, ou ele nos abraça, mas não o fecundamos. Entramos na era do ovo cozido. Ninguém me dissuade que uma ideia que se arrasta até ao infinito não dá um nó na alma.
The Mechanical Bride, o primeiro livro de Marshall McLuhan (1951), é uma compilação de sessenta crónicas. Aborda tópicos respeitantes à “cultura de massas” e à “cultura popular”: iconografia, publicidade, revistas de moda, banda desenhada… Um a um, os fragmentos juntam-se num caldo inspirador, prenúncio de algumas das descobertas mais marcantes do século XX. A fragmentação criativa não é apanágio de Marshall McLuhan. Acodem-me Blaise Pascal (Pensamentos, 1670), Georgy Lukacs (A Alma e as Formas, 1910), Rolland Barthes (Mythologies, 1957) e Umberto Eco (Viagem na Irrealidade Quotidiana, 1983).
Habituamo-nos a voar alto, com ambição e desenvoltura. Não esqueçamos, porém, as asas que nos sustentam:
“Ours is the first age in which many thousands of the best-trained individual minds have made it a full-time business to get inside the collective public mind. To get inside in order to manipulate, exploit, control is the object now (Marshall McLuhan, The Mechanical Bride, Prefácio).
Segue o pdf da crónica que dá o título ao livro “The Mechanical Bride”:
Marshall McLuhan. The Mechanical Bride, in The Mechanical Bride. Folklore of Industrial Man. 1951.
Turbulência universitária
“Demasiado repouso entorpece-nos. Demasiado tumulto atordoa-nos. Demasiado frio gera indolência. Demasiada actividade, turbulência (Charles-François Panard, 1689-1765)
Gosto deste anúncio da Universidade de Melbourne (Austrália). Gosto da composição de corpos humanos, nada rara mas sempre única. Gosto do pormenor da caveira a lembrar Salvador Dali. Gosto da turbulência onde bebe a seiva da criatividade. Até parece que na Universidade de Melboune não se embalsamam os sábios em túmulos de burocracia. Gosto do cruzamento entre o choque de ideias e o choque de pessoas. Gosto da afirmação do vice-reitor da Universidade de Melbourne: “beyond science, important youthful intellectual movements have come from the humanities” (não traduzo porque em inglês vale a dobrar). Desengane-se quem mal pensou: a Universidade de Melbourne, 33ª no World University Rankings Elsevier, contempla todas as áreas científicas (http://coursesearch.unimelb.edu.au/grad).
Beyond science, important youthful intellectual movements have come from the humanities: the Romantic Movement from 1800 to 1850; the Bloomsbury Set of writers, intellectuals, philosophers and artists such as Virginia Woolf, John Maynard Keynes and E. M. Forster; the Great War poets. These young, brilliant, ambitious people were thrown together at university but carried on their conversations after graduation. They changed the way we view poetry, literature, art, economics and war. It’s barely possible to think about the most momentous issues facing us today without at least subconscious reference to the intellectual frames they constructed – especially in a world of threatened freedoms, economic uncertainty and military conflict. (A Message from the Vice Chancelor of the University of Melbourne: http://collision.unimelb.edu.au/#layer-vc-message).
Marca: University of Melbourne. Título: Where great minds collide. Agência: McCann Australia. Direcção: Mark Daly. Austrália, Setembro 2015.
Sociologia sem palavras 8: Empreendedorismo
O humor de Mr. Bean (Rowan Atkinson) é inconfundível. A maioria dos seus filmes são relativamente extensos. Este excerto de Do-It-Yourself Mr. Bean tem a duração ideal para ajudar a responder a mais uma pergunta da série Sociologia sem palavras.
Sociologia sem palavras 8: Empreendedorismo. Do-It-Yoursel Mr. Bean.
Bonecos de plástico
Acabo de ouvir sábios. E falta-me tempo para ouvir os filhos! Estou com uma pinga de mau humor. Quando era criança, brincava com bonecos de plástico que vinham nas embalagens de gelados. Dispunha-os assim, dispunha-os assado, dava-lhes pausa, movimento, sentido e sentimento, e construía, assim, histórias felizes. Por que me lembrei dos bonecos de plástico? Estou a ficar senil. Mas gosto de beber Coca-Cola, com limão. Consegui comentar uma coisa sem falar nela. Uma arte a apurar.
Marca: Coca-Cola. Título: Hello Happiness. Agência: Y&R, Dubai, Dubai, UAE. Direção: Dubai, Maio 2014.
Fotografias
A fotografia regressa em força, como proclama a caricatura do anúncio da Microsoft. Graças ao digital, à internet e aos novos comportamentos. A fotografia é arte, passatempo, predação visual e memória. Memória deslocada, episódica, certificada, instantânea. Uma fotografia é capaz de captar um monte galego como nunca mais (figura 1). Quem vai à Bienal de Vila Nova de Cerveira arrisca-se a perder o imperdível, mas as fotografias não perdoam: há empreendedores criativos, herdeiros avançados do artesanato tradicional popular (figuras 2 a 5). Deve ser isso a indústria criativa empreendedora. Em suma, às vezes, até parece que as fotografias são as bengalas da nossa cegueira.
Marca: Microsoft. Título: The Recital. Agência: Crispin Porter + Bogusky. EUA, Agosto 2013.
- Figura 2. Empreendedorismo criativo 1. Cerveira. Fotografia: João Domingues
- Figura 3. Empreendedorismo criativo 2. Cerveira. Fotografia: João Domingues
- Figura 4. Empreendedorismo criativo 3. Cerveira. Fotografia: João Domingues
- Figura 5. Empreendedorismo criativo 4. Cerveira. Fotografia: João Domingues
O Petróleo e a Poção Mágica
“Os franceses não têm petróleo mas têm ideias”. Descobriram-no em 1973, o ano seco dos combustíveis (vídeo 2). A criatividade dá jeito, menos quando só é retórica. O mesmo acontece com o “empreendedorismo”. Pois os franceses têm ideias criativas. A poção mágica ainda é um dos seus principais trunfos. A prova? Este anúncio aos sapatos Sarenza. Fantástico!
Marca: Sarenza. Título: Jungle. Agência: TBWA Paris. Direção: Leigh – Blue Source. França, Junho 2013.
Anunciante: Agence pour les économies d’énergie. Título : On n’a pas de pétrole… França, 1974
O Coelho, a Vaca e o Burro
Este anúncio da Dell, com uma animação fantástica, aposta na seguinte fórmula: inspiração + imaginação = criatividade. Dá vontade de ser criativo. Só um pouco, sem exageros: menos que os impostos e mais que o crescimento. Uma criatividade, à nossa moda, sem crédito. Inspirem-se, inspirem-se na vossa experiência. Imaginem uma nova arca de Noé e um presépio com três animais: no lugar do homem, um burro para albardar; no lugar do sapo, uma vaca pronta a mugir. Quanto ao coelho, esse já é coelho. Temos assim um coelho, uma vaca e um burro num comboio do tamanho de um país. E, pronto! Tanto inspirámos e tanto imaginámos que só nos falta criar uma indústria criativa alavancada, como se diz, pela crise. Como se sabe, todos os dias são carnaval. E ninguém leva a mal!
Marca: Dell. Título: Thomas and the Alternate Universe. Agência: Y&R (New York). Direção: Bjoern RUEHMANN. EUA, Fevereiro 2013.
“Reinforcing their position as the leader in character animation, (Fox’s Vinnie, FlyBuys, Cadburys, Narnia’s Reepicheep and Eustace the Dragon) MPC introduces “Thomas,” a photo-real VFX-fuelled spot for Dell that reveals the transformative power of imagination. The creative effort highlights a strong partnership between MPC, live action production company Furlined and agency Y&R NY.”
“MPC took special care to define the personalities of all anthropomorphic characters, giving them life-like qualities and vitality. ‘The key to a spot like this is to capture the whimsical qualities of the animated pieces and connect those to the real world,” commented MPC NY Managing Director, Justin Lane. “The team worked painstakingly at designing and expressing personality in all of the characters and it truly shows…you really want to learn more about each of them.’”









