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À medida do cliente

A Distinção – Uma Crítica Social da Faculdade do Juízo (em francês: La distinction. Critique sociale du jugement) é um estudo sociológico de Pierre Bourdieu publicado em 1979, sobre a cultura e os gostos em França, resultado de uma investigação empírica promovida entre 1963 e 1968. / Em 1998, a Associação Internacional de Sociologia nomeou-o como um dos dez livros de sociologia mais importantes do século vinte (https://en.wikipedia.org/wiki/Distinction_(book))

Bernard Chatelat “especializou-se a partir de 1972 no estudo das tendências das evoluções sociais dos estilos de vida privados e profissionais / Copromotor, com a equipa do CCa, de estudos de Prospetivas e Socio Estilos de Vida, cuja metodologia publicou. Este método apresenta a originalidade de reunir num mesmo inquérito quantitativo um conjunto de cerca de 3000 variáveis psicológicas e comportamentais sobre a vida privada, os valores e convicções, a sociedade e a política, os lazeres e os centros de interesse, a cultura e os médias, os consumos; um processamento estatístico de estruturação dos dados permite revelar uma tipologia de Socio-Estilos de Vida. A repetição destes inquéritos, de 1972 a 2010, tornou possível identificar e ponderar “Socio-Trends” (https://fr.wikipedia.org/wiki/Bernard_Cathelat)

Os especialistas do gosto

Pablo Picasso. Girl before a Mirror. 1932.

Quem gosta mais de ti do que tu? Quem gosta mais do que tu gostas? Quem te estuda e prevê? Centros de investigação, empresas de marketing, agências de publicidade, políticos, sociólogos, psicólogos, semiólogos… A missão? Conhecer para seduzir, conhecer para antecipar. Bernard Cathelat e o CCA (institut d’étude des Socio-Styles de Vie)) são um bom exemplo : dedicam-se à cartografia e à infografia dos comportamentos e das tendências sociais. E vendem os resultados (Cathelat, Bernard, Socio-Life Styles Marketing, the new science of identifying, classifying and targeting consumers, Probus Publishing, Chicago, 1994). O livro A Distinção (1979), de Pierre Bourdieu, oferece-se como uma bíblia do estudo dos gostos e dos estilos de vida.

 Num catálogo online, os produtos piscam-te o olho, parecem escolhidos a pensar em ti. Numa loja de roupas, há peças que estão à tua espera. Parece bruxedo, uma nova espécie de “feiticismo da mercadoria” (Karl Marx, O Capital, 1867). Jean Baudrillard fala em “estatuto miraculoso do consumo” (A Sociedade de Consumo, 1970). O Youtube sugere alternativas, “expressamente para nós”. Os cookies ajudam. Já dizia a rainha santa Isabel: “são bolachas, Senhor!”. Que conforto haver especialistas capazes de gostar por nós. Nada novo sob o sol da inteligência, trata-se de uma verdade gasta, mais gasta do que as calças de um cowboy. Ferrugem da sociologia litúrgica. Ninguém esconde, ninguém disfarça. O anúncio espanhol ADN, da empresa Adolfo Dominguez, proporciona uma ilustração desinibida. A verdade despida.

“ADN combina dos tipos de inteligencia. Un algoritmo que crea un perfil con tu estilo al completar un test online. Y un equipo de estilistas que saben lo que te queda bien”.

Marca: Adolfo Dominguez. Título: ADN. Agência: China. Espanha, Julho 2020.