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Sociocídio

Escultura alusiva ao conto O Rei Vai Nu, de Hans-Christian Anderson. Colónia. Alemanha.

Escultura alusiva ao conto O Rei Vai Nu, de Hans-Christian Anderson. Colónia.

“Não existe defeito que, com o tempo, numa sociedade corrupta, não se torne um mérito, nem vício que a convenção não consiga elevar à virtude (Alvaro Corrado, Il nostro tempo e la speranza, Milano, Bompiani, 1952).

Hoje, é dia do Senhor, e dos bons pensamentos. Neste mundo, é mais fácil valorizar os defeitos ou as qualidades? Que a resposta não salte da ponta da língua mas mergulhe na inteligência. O disparate desnuda o Rei. Perguntas sem resposta estimulam, como diria Hercule Poirot, “as pequenas células cinzentas”. Hoje, dia do Senhor, abraço uma “nova regra sociológica”: Não cometer sociocídio, no sentido de não mumificar a vida social. Não reifiques, semeia! Stoopid?

Alice Cooper. Hey Stoopid. Álbum homónimo. 1991.

Alice no País das Mercadorias

Marks & Spencer. BelieveA publicidade inspira-se onde lhe apraz. Há, porém, domínios e temas particularmente prezados. Por exemplo, os contos: a Bela Adormecida, A Lebre e a Tartaruga, Cinderela, o Principezinho… Todos encantam a vida e o mundo! Estas figuras fantásticas são adotadas e adaptadas pela publicidade em função da imagem de marca, da campanha, dos objetivos e do público-alvo. O anúncio Believe in Magic and Sparkle, da Marks & Spencer, convoca, pelo menos, quatro contos: Alice no País das Maravilhas (a cerimónia do chá), O Capuchinho Vermelho (a fuga na floresta), Aladino (o voo no tapete) e o Feiticeiro de Oz (a estrada dos tijolos amarelos).

Marca: Marks & Spencer. Título: Believe in Magic and Sparkle. Agência: Rainey Kelly Campbell Roalfe/Y&R. Direção: Johan Renck . UK, Novembro 2013.

Conto de fadas selvagem

Old Spice. Irresistible.

A agência Wieden + Wieden Portland mostra-nos como se conta uma história, intertextual, em 30 segundos. A Bela entra num carro vermelho com um lobo twilight aroma selvagem. “She was afraid. Then seduced.” “Sometimes women do what their noses tell them, and those times are all the time when the woman’s nose smells new Old Spice Wolfthorn” (Old Spice).

Marca: Old Spice. Título: Irresistible. Agência: Wieden + Wieden, Portland. Direção: Tom Kuntz. EUA, Fevereiro 2013.

Aqui há gato!

Eis dois anúncios publicitários que lembram os gatos de Edgar Allan Poe. De qualquer modo, como este autor repara, “a ciência ainda não nos provou se a loucura é ou não o mais sublime da inteligência”.

Marca: Cravendale. Título: Catnapped. Agência: Wieden + Kennedy London. Reino Unido, Setembro 2012.

Marca: Cravendale. Título: Cats with Thumbs. Agência: Wieden + Kennedy London. Reino Unido, Junho 2011.

A velocidade do passado

La Vitesse du Passé (2011, com mecenato da Audi) é uma curta-metragem que conta uma história de amor tensa, trágica e intemporal em que se conjugam a realidade e a ficção, o sensível e o oculto, o instante e a duração. Neste conto poético e onírico, a justaposição de várias temporalidades provoca uma suspensão da gravidade (mais uma para a coleção) em foco neste trailer. Clicar no seguinte endereço (http://vimeo.com/38652739) ou na imagem para visionar.

Dominique Rocher. La vitesse du passé. Trailer

O Filtro do Amor

Os contos tradicionais costumam comportar uma boa dose de perversidade. Os desenhos animados actuais, também. Atente-se nesta versão, inquietante, da paternidade.

Marca: Condomshop.org. Título: Penguins. Agência: Ogilvy & Matter Frankfurt. Alemanha, Abril 2001.

“Às vezes uma história bem contada vale tanto quanto uma oração”

A associação brasileira Viva e Deixe Viver assegura a formação de voluntários que se dedicam a contar histórias a crianças e adolescentes internados em hospitais. Uma das suas campanhas assume o seguinte lema: “Às vezes uma história bem contada vale tanto quanto uma oração”. Seguem dois cartazes, um com o Capuchinho Vermelho e o outro com Peter Pan.

Se a Associação Viva e Deixe Viver sugere que as histórias bem contadas tocam no céu, a editora brasileira de livros para crianças Sabugosa lançou uma campanha para mostrar que as grandes histórias são intemporais: “As grandes histórias vivem para sempre”. Os cartazes mostram o Capuchinho Vermelho, o lobo, o Pinóquio e o grilo falante envelhecidos. Como foi assinalado por vários comentadores, sobrevem nesta campanha um problema de interpretação: as grandes histórias vivem para sempre ou envelhecem, tendo o seu tempo passado?

A Bela e o Sem-abrigo

Todo o fim-de-semana dedicado a fazer relatórios! Os relatórios não são bens transaccionáveis, pois não? Ninguém os compra. É uma pena! Estamos a ficar peritos. Enquanto o escriba folga e o relatório espera, aqui vai um anúncio argentino de 1995. A resolução da imagem não é a melhor, mas a obra não perde. Lembram-se dos contos da Bela e do Monstro e do Príncipe Sapo? Pois voltarão a lembrar-se com este beijo de uma jovem a um sem-abrigo. O sapo e o monstro saberiam beijar assim? Trata-se de um anúncio desconcertante, que nos causa estranheza e desconforto e com estranheza e desconforto nos deixa.

Anunciante: Fundación Vida. Título: Kiss. Agência: Agulla & Baccetti. Direção: Pucho Mentasti. Argentina, 1995

Contas de fadas

O trailer Princess, do Whistler Film Festival, inicia como uma animação clássica de um conto de fadas, mas acaba por se converter, insolitamente, numa cena de violência. O mundo da ficção já não é o que era:  a presa é o príncipe, vítima da ganância da princesa.

Produto: Whistler Film Festival. Título: Unexpected Stories. Princess. Agência: Dare, Vancouver. Canadá, Dezembro 2011.

 

Carro curtido

Carro curtido.

Uma confusão com robots e  hamsters que se rendem à dança. E um Kia a marcar o compasso, num ambiente que lembra os videojogos, o cinema e o mundo dos contos.
Anunciante: Kia Soul. Título: Share Some Soul. Agência: David&Goliath, USA. Direcção: Mark Romanek. EUA, Agosto 2011.