O reverso da glória. Anatomia de um campião
O outro lado dos nossos heróis: obstinação e provação. Personalidade e risco. “Winning is not for everyone”! Dois anúncios inspirados nos jogos olímpicos.
Inteligência Artificial, Machine Learning e composição musical

Pedro Costa, doutorado em Sociologia, investigador do CECS – Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, acaba de publicar o artigo A Inteligência Artificial e Seus Herdeiros no blogue Margens (https://tendimag.com/?p=55533). Um ensaio sobre a Inteligência Artificial, o Machine Learning e o futuro da criatividade, designadamente no que respeita à música. Pertinente, oportuno, bem escrito, fundamentado e criteriosamente ilustrado, trata-se de um texto raro, subtil e ousado. Aproveito para acrescentar quatro vídeos excelentes relativos a outras tantas músicas emblemáticas da relação entre o homem, a máquina e as emoções: The Robots (1978), dos Kraftwerk; Wellcome To The Machine (1975), dos Pink Floyd; All Is Full Of Love (1997), da Bjork; e How Does It Make You Feel (2001), dos Air.
Paródia culinária

Segue uma receita peruana de um bom prato de futebol, com tribalismo, religiosidade, heroísmo e emoção. De rapar o tacho.
Um mandamento novo

Mandamentos antigos:
Amai-vos uns aos outros
Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje
Born, buy and die
Make love not war
Give peace a chance
Carpe die
Live and let die
Soyez réalistes, demandez l’impossible
Mandamento novo:
Be seen, be heard
Acrescento um vídeo com a canção Questions, do álbum The Roaring Silence (1976), dos Manfred Mann’s Earth Band, com imagens do filme Blade Runner (1982).
Legado

Um velho, de aparência modesta, recebe uma chamada e sai apressado de casa, a pé e de autocarro, ao frio, com um pequeno embrulho debaixo do braço. Depara-se com outro velho, de aparência abastada. Dispensa o elevador, corta por corredores e escadas. Mas chega a tempo: o neto recém-nascido ostenta a camisola do Atlético de Madrid quando entra o segundo avô com a camisola, pressupõe-se, do Real Madrid. O anúncio, mudo, perfilha a crença segundo a qual “o Real Madrid é associado a uma torcida mais elitista, enquanto o Atlético é visto como um clube de torcida mais popular”. A ideia tácita de uma filiação clubística familiar, de geração em geração, justifica um inquérito.
Homo Hierarchicus
Prezamos os concursos, os rankings e os prémios. O Homo Hierarchicus, propenso a hierarquias (Dumont, Louis, Homo Hierarchicus, Essai sur le système des castes, Paris, Gallimard, 1971), desforra-se do Homo Aequalis (Dumont, Louis, Homo Æqualis I: genèse et épanouissement de l’idéologie économique, Paris, Gallimard, 1977), propenso à igualdade. Como chegamos a esta inflexão? O capitalismo liberal, associado à igualdade e ao individualismo, conheceu melhores dias. Os Estados, os grandes grupos económicos e o sector financeiro não ajudam. Após a crise de 2008, o sector financeiro revigora-se. Os dispositivos que nos governam são tudo menos reféns da democracia. E o autoritarismo tecnocrático ergue-se como a principal alternativa a si próprio.
Por estes lados, as democracias, em avulso (nações) ou por atacado (comunidades), andam musculadas. Ajustam os cidadãos. Mas nada que se compare aos rebanhos humanos das utopias disfóricas da ficção científica. Quer-me parecer, mesmo assim, que nos últimos anos me puseram mais brincos nas orelhas do que às vacas do contrabando. Com o regresso do Homo Hierarchicus, o olhar refocaliza-se nas hierarquias, de preferência certificadas. Os concursos, os rankings e os prémios são procedimentos de hierarquização. Procedimentos humanos. Imagine-se um jogo em que os “favoritos” podem ditar as regras e decidir o que é trunfo e o que é palha. Só se forem péssimos favoritos é que não serão grandes campeões…
Este anúncio, Diving Contest, para a marca de cerveja John Smith’s, é uma caricatura dos dispositivos de competição. Segundo as regras, com júris isentos e resultados inequívocos.
Marca: John Smith’s. Título: Diving Contest. Agência: TBWA (London). UK, 2003.
A condição de felicidade
A publicidade não é um espelho. Para além dos próprios espelhos, poucos ou nenhuns espelhos há. Nem sequer os “espelhos da alma”. Mas espreitando com um olhar engenhoso, alguma coisa se vislumbra. Os anúncios são um bom meio de acesso àquilo que as marcas, as agências, os media e os públicos identificam como valores, sensações e experiências a procurar, partilhar ou evitar. Por exemplo, a felicidade. O que é? O que a motiva? Como se reconhece e como se manifesta? Em suma, o que é “a condição de felicidade”? Este anúncio da Toyota dá para começar a treinar.
Marca: Toyota Rav4. Título: Make It Yours. Agência: Draftfcb Johannesburg. Direção: AK. República da África do Sul, Abril 2013.
