Corpo a Corpo
Zendaya, atriz estadunidense (Spider-Man, Euphoria e Dune são exemplos de filmes em que participou), tem desde junho de 2024 uma parceria publicitária e criativa com a marca suíça de calçado e vestuário desportivo On, fundada em 2010.
Há um aspeto particularmente interessante nesta associação: a On procura ultrapassar a imagem de marca exclusivamente desportiva para se afirmar também no universo da moda, da cultura e da criação artística. Zendaya, pela sua relação com a moda e o cinema, constitui uma figura privilegiada dessa transição.
Do ponto de vista da estética publicitária, a colaboração é especialmente interessante: as campanhas recorrem à linguagem cinematográfica, à coreografia, ao surrealismo e à metamorfose visual, transformando a apresentação de produtos em pequenas narrativas artísticas. (ChatGPT).
A campanha Zendaya In Your New Favourite Action Movie, dirigida por Pantera, foi lançada há duas semanas, tendo sido precedida, em abril, pela campanha Shape of Dreams, dirigida por Spike Jonze.
Orientação

Como são diferentes as campanhas de saúde pública no “Oriente” e no “Ocidente”! Nas primeiras, os anúncios apostam no humor e no envolvimento, como na seguinte paródia contra o excesso de consumo de açúcar; as segundas, na severidade e na estigmatização, como, por exemplo, contra o consumo de tabaco e de álcool. Talvez seja de considerar um pouco de “orientação”.
Jogos agonísticos

Os simulacros de combate constituem um apelo desafiante. Desde crianças. Muitos dos jogos infantis encenam lutas e os filmes western e peplum deliciavam a rapaziada do meu tempo. Por exemplo, no Cine Pelicano, em Melgaço, ou, em Braga, no Pópulo e no Centro Social Paróquia de São Victor. E identificávamo-nos com os heróis. Um momento de glória por projeção mais ou menos estereotipada.
Estátua de Hércules em Bronze dourado, do século 2 aC. Museus Capitolinos
Com a introdução e expansão dos jogos eletrónicos, as atividades lúdicas alteraram-se. Mas a agonística persiste, em particular a luta corpo a corpo. Agora, os jogadores não só assistem mas também intervêm na ação.
Com maior variedade de movimentos e estilos de artes marciais e comandos de controle mais simples e mais intuitivos, Tekken (“Punho de Ferro”) é a série de jogos de luta mais vendida de todos os tempos. Acaba de ser lançada a oitava versão.
Pobreza: A importância das palavras
Junto o artigo “Pobreza: A importância das palavras”, publicado no jornal Diário do Minho (terça-feira, 20 de setembro de 2022, pág. 8) de que sou autor. Para escutar enquanto lê, a canção Ces gens-là, de Jacques Brel.
Remédio santo. Anúncio tailandês incrível

Entrei nos cinquenta e treze preguiçoso. Satisfaço-me com escutar música, ler, ver documentários e, principalmente, conviver, arte que estava em vias de esquecer. Que prazer ter o vício de escrever e não o fazer! Segue o anúncio tailandês The Wisdom of the East que conquistou um Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes. Sem comentários.
Um contra um, todos por todos

O videojogo afirma-se como vanguarda das indústrias do lúdico e do audiovisual. Potente, competitivo, flexível, acelerado, certeiro e ubíquo. Como o arco de Dario (sobre o arco de Dario, rei da Pérsia, recomendo o artigo: O Espetáculo do Poder).
Não é de admirar que os anúncios a videojogos constem entre os mais impactantes das últimas décadas. HUMANKIND (Amplitude Studios) frisa a perfeição apelativa, narrativa, técnica e estética. Nada é descurado: a luz, a cor, a fotografia, o desenho, os cortes, os contrastes, o enquadramento, a profundidade, os planos, os ritmos, as sequências, o som, as referências… Qualidade, critério e criatividade. HUMANKIND recupera uma opção cada vez mais frequente: a substituição da figura humana por objetos e símbolos. Ganha em projeção e sublimação. Os objetos e os símbolos tornam-se, porventura, mais humanos do que o humano.
Retenhamos a lição: agonístico e diabólico, o universo, assevera-se exíguo para dois protagonistas; o anúncio termina, porém, com uma avalanche de multidão. Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto: o anúncio não enjeita ressonâncias bíblicas e míticas: o crepúsculo, egoísta e homicida, de Caim, e a alvorada, coletiva e mobilizadora, de Moisés. Onde não cabem dois, cabem milhões.
Fernando Gonçalves e Albertino Gonçalves
A fibra do guerreiro

O filósofo grego Filóstrato (séculos II-III d.C) escreve no Tratado sobre a ginástica:
“Estes antigos atletas tomavam banho nos rios e nas fontes, dormiam no duro, uns sobre peles, outros sobre ervas que cortavam nas pradarias. Os seus alimentos consistiam em maza e em pão mal cozido e não fermentado; alimentavam-se ainda de carne de boi, de touro, de bode e de antílope. Untavam-se com óleo de azeitonas vulgares ou de outras espécies de azeitonas; permaneciam assim resguardados de doenças e retardavam a devastação da velhice. Alguns participaram nos confrontos durante oito olimpíadas, outros durante nove, e tornaram-se hábeis no manuseamento de armas pesadas. Batiam-se como se fossem donos de uma fortaleza, e não se mostravam inferiores nesta espécie de combates; eram julgados dignos do prémio da valentia e de troféus; faziam da guerra um exercício para a ginástica, e da ginástica um exercício para a guerra” (Philostrate, Traité sur la gymnastique, Paris, Librairie de Firmin Didot Frères, Fils et Cie, 1858).
Norbert Elias fala em etos guerreiro (Elias Norbert. Sport et violence. In: Actes de la recherche en sciences sociales. Vol. 2, n°6, décembre 1976, p. 8; pdf anexo). Mas, agora como dantes, nem todos os desportos pressupõem disposições guerreiras.
“Em suma, desta breve comparação entre as características dos desportos mais populares e dos desportos mais novo-burgueses ressalta uma oposição paradigmática entre ascese (áskësis) e estese (æsthësis). Enquanto que muitas das práticas mais típicas dos desportos populares parecem movidas por um éthos guerreiro as dos desportos novo-burgueses remetem mais para o éthos do mestre ou do artista (Gonçalves, Albertino, Imagens e Clivagens, Porto, Afrontamento, 1996, p. 114); pdf anexo).
O anúncio The only way is through, da Under Armour, é uma ilustração concisa do etos guerreiro: esforça-te, castiga-te, resiste, treina, concentra-te, supera-te, enfrenta e vence. Under armour. Mas, ao contrário das olimpíadas da antiguidade, não podes, em princípio, nem estropiar nem matar o adversário.



