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“Com o Filho no Colo” em Guimarães

No próximo sábado, dia 28, às 15h00, vou dar na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, a conferência “Com o Filho no Colo”, dedicada às esculturas da Pietà e da Virgem da Humildade, dos séculos XIV e XV. Integra o programa Da Quaresma à Páscoa 2026 do Município de Guimarães, a que pode aceder carregando na imagem seguinte ou no link https://em.guimaraes.pt/cultura/geo_evento/da-quaresma-a-pascoa-2026

Jornada. Por e contra D. Quixote

Na conferência Com o Filho no Colo 1. 28.11.2025. Fotografia: Alfredo Machado

Há mais de meia dúzia de anos que não falava duas horas em pé e com expressão gestual desenvolta. O Alfredo Machado captou o momento. Este reparo peca provavelmente por vaidade, mas vaidade humilde e, pesem as voltas da vida, agradecida.
Um pouco de quixotismo pode ajudar a sonhar, tentar e perseverar (desde que com a companhia do Sancho Pança). Jacques Brel sublinha-o na canção “La Quête”. Já Manuel Freire grita, a contramão da “Pedra Filosofal, “Abaixo D. Quixote”.

[Carregar nas imagens para as aumentar e aceder às respetivas legendas].

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Jacques Brel – La Quête. 15 ans d’amour, 1968
Manuel Freire – Abaixo D. Quixote. Pedra Filosofal, 1993. Original: EP de 1973. Poema de José Gomes Ferreira
Manuel Freire – “Pedra Filosofal” (primeira versão) do disco single ZipZip. 1970. Poema de António Gedeão

A Busca
La quête

(Jacques Brel)

Sonhar um sonho impossível
Rêver un impossible rêve

Carregar a tristeza das partidas
Porter le chagrin des départs

Queimar com uma febre possível
Brûler d’une possible fièvre

Ir aonde ninguém vai
Partir où personne ne part

Amar até o dilaceramento
Aimer jusqu’à la déchirure

Amar, até demais, até mal
Aimer, même trop, même mal

Tentar, sem força e sem armadura
Tenter, sans force et sans armure

Alcançar a inacessível estrela
D’atteindre l’inaccessible étoile

Esta é a minha busca
Telle est ma quête

Seguir a estrela
Suivre l’étoile

Pouco me importa a minha sorte
Peu m’importent ma chance

Pouco me importa o tempo
Peu m’importe le temps

Ou minha desesperança
Ou ma désespérance

E, depois, lutar sempre
Et puis lutter toujours

Sem perguntas, nem descanso
Sans questions ni repos

Danar-se
Se damner

Pelo ouro de uma palavra de amor
Pour l’or d’un mot d’amour

Não sei se serei esse herói
Je ne sais si je serai ce héros

Mas, meu coração estaria tranquilo
Mais mon coeur serait tranquille

E as cidades se salpicariam de azul
Et les villes s’éclabousseraient de bleu

Porque um infeliz
Parce qu’un malheureux

Ainda arde, apesar de ter queimado tudo
Brûle encore, bien qu’ayant tout brûlé

Ainda arde, até demais, até mal
Brûle encore, même trop, même mal

Para alcançar até se esquartejar
Pour atteindre à s’en écarteler

Para alcançar a inacessível estrela
Pour atteindre l’inaccessible étoile

A Mãe da Humanidade

Ao entardecer, vou falar no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. Gostaria de encontrar as palavras azúis, aquelas que apaziguam os corações.

Não vou ter tempo para introduzir a figura do Michelangelo, nem de fazer uma digressão sobre a noção da idade no imaginário medieval. Tão pouco será possível culminar com um vídeo musical de um excerto da Sinfonia No. 3 do Gorecki.

Para compensar, será distribuido à entrada um pequeno texto sobre o Michelangelo. A digressão fica para mais tarde. Quanto ao vídeo, coloco-o aqui e agora.

Gorecki Symphony No. 3 “Sorrowful Songs” – Lento e Largo. Soprano: Isabel Bayrakdaraian, Sinfonietta Cracovia, conducted by John Axelrod

Com o Filho no Colo – Convite

O Luís Pinto, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), acaba de produzir o convite para a conversa Com o Filho no Colo: As Esculturas da Humildade e da Piedade, que preparo há quase três anos, desde a conferência dedicada ao “Cristo Estrábico” (29/11/2022), no mesmo local, o auditório do Museu de Arqueologia Dom Diogo de Sousa. Está previsto abrir com um momento musical pela Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica – São Frutuoso; no fim, em jeito de compensação, um Alvarinho de Honra (da adega Quintas de Melgaço).

Josquin des Prez – Ave Maria, Virgo Serena, ca. 1485. Interpretação: Stile Antico, 2020