Errar é humano. O vídeo, o sexo e os cigarros
Engano-me tantas vezes que acabei por fazer do erro um amigo. Gosto, portanto, do Gaston Bachelard quando afirma que “não há uma verdade primeira, apenas erros primeiros” ou que “o conhecimento científico é sempre a reforma de uma ilusão”.
Convenci-me que o vocalista da banda norte-americana Cigarettes After Sex era uma mulher! Na verdade, acedo a muita música, logo músicos, sem qualquer visualização.

Quando observei, há dias, um concerto dos Cigarettes After Sex, estranhei que aparecesse um homem com barba a cantar. Esperei pela substituição. Mas não! Procurei informar-me sobre alguma alteração na composição da banda. Só em último recurso, vencida esta resistência, constatei que a voz era a mesma. Em suma, tudo leva a crer que a visão continua a prevalecer sobre a audição!
Vocalista, guitarra e fundador dos Cigarettes After Sex, Greg Gonzalez “é barítono, mas canta usando uma mistura de voz de peito e falsete, o que cria seu som característico. (…) Esse estilo vocal leva a voz dele a ser frequentemente descrita como andrógina, o que leva algumas pessoas a assumir incorretamente que o cantor é mulher.”
Graças a esta ilusão, a banda adquiriu um valor acrescido. Coloquei, em janeiro de 2024, duas canções: “Nothing’s Gonna Hurt You Baby” e “Affection” (Cigarettes after sex). Acrescento cinco: “Sunsetz”, “K”, “Apocalypse”, “Sweet” e “Crush”.
Cigarettes After Sex

Fumar após o sexo tranformou-se numa espécie de contraordenação. Invocando o nome dos Cigarettes After Sex e convocando a campanha provocadora do IKEA, apetece-me brincar, alinhando combinações com as palavras “sexo” e “fumo”:
[Ontem] Sexo e fumo
[Hoje] Sexo sem fumo
[Amanhã] Nem sexo, nem fumo
[No inferno] Fumo sem sexo
Com 1,32 M de subscritores, i’m a cyborg but that’s ok edita canções dos Cigarretes After Sex acompanhando-as com cenas de filmes: Nothing’s Gonna Hurt You Baby, com Lost in Translation (2003); Affection, com Breathless (1960). Em ambos, sexo e fumo. No segundo, destaca-se Jean-Paul Belmondo, “l’acteur à la cigarrette par excellence”:
“Belmondo’s sexiness was connected – in a way that would now be problematic – to smoking. Stuck aggressively in his mouth, or insolently dangling, cigarettes emphasised his lips and made him look blasé and nonchalant – a look that a generation of young males would try to emulate”. (https://www.bfi.org.uk/news/jean-paul-belmondo-1933-2021).

