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Cultivar o futuro

Existem várias formas de cultivar, ou conquistar, mundos, sem que as sementes sejam fatalmente armas. A campanha equatoriana “Almax Mandarín” avança o seguinte provérbio: “O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora”. Falta acrescentar que para que as árvores cresçam não basta terra, luz e água; são cada vez mais imprescindíveis bombeiros.

Garnier Ecuador creó para Minutocorp, en el marco del Año Nuevo Chino, la campaña ‘Almax Mandarín’, una propuesta artística que conecta con el sector de empresarios chinos que hoy representan el 77% de las importaciones en Ecuador.

Minutcorp & Almax – Almax Mandarín. Agência Garnier BBDO Ecuador. Equador, 2026

Folk-Rock Chinês

Em casa a ver mar, apetece sonhar. Ousar, como os antigos navegantes, ir além do Cabo da Boa Esperança rumo às longínquas terras do Extremo Oriente. Não por causa das especiarias, mas pelo pouco conhecido folk-rock chinês. Por exemplo, descobrir quatro canções da banda Wu Tiao Ren / 五条人.

Imagem: Xian’e Changchun Album. 1722-1735

Wu Tiao Ren é uma banda de Haifeng, Guangdong. Eles cantam no dialeto local de Haifeng desde 2003. As letras de suas músicas são principalmente sobre episódios de suas vidas nesta cidade, com os quais estão familiarizados, ou histórias ou sentimentos que gostariam de compartilhar. Eles retratam sua vida de forma surpreendente em melodias suaves e na língua nativa. Além do som, pode-se encontrar sua sátira aos tempos modernos (…) Ao ouvir o som de seus violões e acordeões (às vezes gaitas ou harpas), é possível sentir a brisa soprando desta pequena cidade litorânea, trazendo sussurros incompreensíveis do oceano. (…) A vida e a música de Wu Tiao Ren são sempre repletas de alegria. Eles são como dois pardais sempre prontos para bicar um pouco de arroz e depois voar de volta para o poste de arame. (https://www.last.fm/music/%E4%BA%94%E6%9D%A1%E4%BA%BA/+wiki)

Wu Tiao Ren – “Azhen se apaixonou por Aqiang”.  Dreamy Lisa Salon, 2016. Ao vivo na 2ª temporada do programa The Big Band 乐队的夏天2, 2020
Wu Tiao Ren – “Doshan Boy”. County Town Chronicle, 2009. Ao vivo na 2ª temporada do programa The Big Band 乐队的夏天2, 2020
Wu Tiao Ren – “Perseguir algo. Cinco Pessoas” / 有所追求. Dreamy Lisa Salon, 2016
 Wu Tiao Ren – “Salão de Cabeleireiro Dream Lisa” / 梦幻丽莎发廊. Dreamy Lisa Salon, 2016

Paris: Esculturas e Jogos Olímpicos

Há muitos tempo que não me impressionava um anúncio com o conceito, o ritmo e o efeito do “Honor History, Create History”, da empresa chinesa Alibaba Cloud. Propõe uma conexão de ordens de realidade distintas através de uma série vertiginosa de decomposições, recomposições e justaposições. Simplesmente extraordinário! Lembra um anúncio antigo, igualmente chinês: “Statues”, da Skoda, de 2006. Não o encontro através dos motores de busca. Afortunadamente, guardei-o nos arquivos.

Marca: Alibaba Cloud. Título: Honor History, Create History. Agência: The Nine Shanghai. Direção: Jody Xiong. China, Agosto 2024
Marca: Skoda. Título: Statues. Produção: Mac Guff Paris. China, 2006

Estética estática. Música chinesa.

Dali religious painting. Extract of Zhang Shengwen’s Huajuan Scroll (1180) held at the National Palace Museum.

Do Japão para a China. Impressiona a postura dos intérpretes das músicasThe legend of Westward Journey (série de TV de 2011) e Adventure of Dali Prince.Optam por uma actuação discreta, quase imóvel. Por vezes, parecem estátuas ou escudeiros dos instrumentos. O que desconcerta.

Zi De Gukin (?).The legend of Westward Journey. China.
Zi De Gukin (?). Adventure of Dali Prince. China.

A pátria dos super-heróis

Capitão América

O Egipto é terra de faraós; a China, de imperadores; o Japão, de samurais; a Grécia, de deuses; a Escandinávia, de vikings; Portugal, de descobridores. E os Estados-Unidos? Os Estados-Unidos são terra de super-heróis. Da Marvel, de Hollywood, do desporto ou de outro domínio que se proporcione. Os Estados-Unidos são um manancial de super-heróis, manancial que transborda para o mundo. A publicidade da Nike destaca-se como uma forja internacional de super-heróis. O presente anúncio, da Nike China, consiste numa homenagem a Kobe, uma estrela do basquetebol norte-americano, falecido num acidente de helicóptero.

Marca: Nike. Título: Dear Kobe. Agência: Wieden + Kennedy (Shangaï). Direcção: François Rousselet. China, Setembro 2020.

Uma moeda e três corações

Goethe

O anúncio chinês Change for good condiz com a tradição dos contos morais orientais. Dois rapazes irmãos amealham, com esforço, moedas com o objetivo de comprar um telemóvel para falar com a mãe distante. Prestes a conseguir, o mais novo perde o calçado. Gastam o dinheiro amealhado na compra de um par de sapatilhas. Desfaz-se o sonho do telemóvel. Mas o comerciante dá uma moeda de troco e altera o preço do telemóvel. O troco dá para comprar o telemóvel.

Nós, ocidentais, também temos lendas, com moedas, de elevado valor moral, por exemplo, a fábula com Jesus, São Pedro, uma ferradura, moedas e cerejas.

Carregue na imagem para aceder ao anúncio.

Anunciante: Tencent. Título: Change for good. Agência: Topic. China, Outubro 2020.

A Lenda da Ferradura

Quando ainda obscuro e desconhecido

Nosso Senhor andava na terra

Muitos discípulos o seguiam

– Que raras vezes o compreendiam,

Amava doutrinar as massas

Nas ruas amplas e nas praças,

Pois à face dos céus a gente

Fala melhor e mais livremente.

Ali, dos seus divinos lábios

Fluíam os ensinamentos mais sábios;

Pela parábola e pelo exemplo

Faziam de cada mercado um templo.

Certa vez quando, em paz e santidade,

Chegava com os seus a uma cidade,

Viu qualquer coisa luzir na estrada;

Era uma ferradura quebrada.

Disse a São Pedro com brandura:

– “Pedro, apanha essa ferradura!”

Porém São Pedro, no momento,

Tinha ocupado o pensamento

E absorto em êxtase profundo,

Sonhava-se o dominador do mundo,

Rei, papa, ou tal que se pareça.

Aquilo enchia-lhe a cabeça;

E havia de dobrar a espinha

Por uma coisa tão mesquinha?

Se fosse um cetro, uma coroa,

Mas uma ferradura à toa…

E foi seguindo, distraído,

Como se não tivesse ouvido.

Curvou-se Cristo, com doçura

Celeste, angélica, humilde,

E ergueu do chão a ferradura;

E quando entraram na cidade

Vendeu-a em casa de um ferreiro.

Comprou cerejas com o dinheiro.

Guardando-as, à sua maneira,

Na manga – em falta de algibeira.

Dali saíram por outra porta.

Fora a campanha estava morta;

Nem flor nem sombra; ao longe, ao perto

Era o silêncio, era o deserto,

Era a desolação; ardia,

Torrava, o sol do meio-dia.

Que não valia em tal secura

Um simples gole de água pura!

Nosso Senhor caminha à frente.

Deixa cair discretamente,

Furtivamente, uma cereja

Que Pedro apanha, salvo seja,

Com cabriolas de maluco.

A frutinha era mesmo o suco.

Outra cereja no caminho

Atira o Mestre de mansinho,

Que Pedro apanha vorazmente.

E assim por diante, não uma vez somente,

Fê-lo o Senhor dobrar a espinha

Tantas vezes quantas cerejas tinha.

Durou a cena um bom pedaço.

Por fim, disse o Senhor com ar prazenteiro:

– “Pedro, se fosses mais ligeiro

Não tinhas tido este cansaço.

Quem cedo e a tempo ao pouco não se obriga,

Tarde por muito menos se fadiga.”

(1797)

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).

As sapatilhas do ano novo

Je suis comme je suis / Je plais à qui je plais /Qu’est-ce que ça peut vous faire (Jacques Prévert. Je suis comme je suis. Paroles. 1946).

O que gosto de ter que fazer? Nada. Prefiro o resto, com vapores do inferno. My ugly side (Blue October). Mas nem o diabo me salva das obrigações. O Tendências do Imaginário resiste como espaço de liberdade. Em nove anos, nenhum dos 2 956 artigos foi escrito por dever. Irreverência e irrelevância numa evasão libertária. Bad (Michael Jackson)!

A publicidade sobre a passagem de ano foi escassa e discreta. Neste capítulo, a qualidade mora na China. Um anúncio frenético da Adidas incide sobre um show numa discoteca. Bebe-se, dança-se, coreografa-se, seduz-se e joga-se. Como nós. Somos todos, como agora se diz, pessoas. Não partilhamos, porém, os mesmos símbolos. Somos pessoas com culturas diferentes e denominadores comuns tais como as sapatilhas Adidas.

Marca: Adidas. Título: Adidas 2020 CNY. Agência: Haomai Advertisement Co., Ltd. Direcção: Muh Chen. China, Dezembro 2019.

A desigualdade estética

Apetece-me incorrer em inconveniência. A conveniência, deixo-a para quem lhe convém. O século XX destaca-se pela luta contra a discriminação. Discriminação religiosa, racial, étnica, de género, de orientação sexual… Desenvolveram-se políticas, movimentos e organizações contra a discriminação. Contra todas as discriminações? Não, existe uma que resiste: a discriminação estética. Ser belo ou feio tem efeitos na vida das pessoas. A carreira profissional é influenciada pela fisionomia. O aspecto físico faz diferença, o que é uma injustiça. Não obstante, ninguém faz nada. Não se vislumbra legislação, associação, mobilização ou resistência cívica. Para quando um pacote político pela igualdade estética, uma comissão de promoção da fealdade ou um abaixo-assinado contra o excesso de beleza nas telenovelas portuguesas. Por que hesita a ONU em decretar o Dia Internacional do Feio? Vejo, apenas, um motivo para a indiferença pública em relação à discriminação estética. Como diria A beleza parece sagrada. Não ousamos tocar-lhe.

Marca: Mu Loan. Título: Believe your possibility. Agência: F5 Shanghai. China, 2019.

Uma pincelada na personalidade

Lang Lang, Piano / 18.12.2006 / Philharmonie Essen

À família.

Gosto do Concerto para piano nº 5 (dito do Imperador) de Beethoven. Comprei o vinil há uma quarentena de anos. Foi uma pincelada na personalidade! O concerto reconcilia-nos com Beethoven, com o mundo e com nós próprios. Não creio que nos reconcilie com os outros. Gosto do pianista chinês Lang Lang. Lembra, pela versatilidade, o violoncelista, de origem chinesa, Yo-Yo Ma. Lang Lang salta da música clássica para a contemporânea, passando pela música tradicional chinesa. Surpreende-nos, ainda, a tocar hard rock com os Metallica. Gosto do Concerto do Imperador interpretado por Lang Lang. Procurei um vídeo de alta qualidade com o Adagio Un Poco Mosso, mas não tive sorte. Segue a melhor resolução que encontrei. Para quem possa interessar, anexo o concerto na globalidade, com melhor resolução, precedido por um discurso do director, em alemão, de quase quatro minutos.

Ludwig van Beethoven. Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73: Adagio un poco mosso. Berliner Philharmoniker. Piano: Lang Lang. 2012.
Metallica: One (featuring Lang Lang) (Beijing, China – January 18, 2017).
Ludwig van Beethoven. Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73. Berliner Philharmoniker. Piano: Lang Lang. 2012.

Porta do Céu

01. Porta do Céu. China.

Fica longe a Porta do Céu. Do outro lado do planeta. Na China, na montanha Tianmen. Uma cavidade natural por onde, a fazer fé nas fotografias, passam avionetas: 131,5 metros de altura; 57 de largura e 60 de comprimento. O escadório para a Porta do Céu comporta 999 degraus (o escadório do Bom Jesus, em Braga, tem 581). Mais de meia hora de ascensão. Um bom pretexto para recordar a música Stairway To Heaven, dos Led Zeppelin.

Galeria de imagens: A Porta do Céu. China.

Led Zeppelin. Stairway To Heaven. Led Zeppelin IV. 1971.