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Parfum Femme

Margot Robbie. Chanel.

Perfume! Fragrância, emanação, libertação… A “esfera aromática” é uma extensão da “esfera pessoal” (G. Simmel). O odor é tão íntimo quanto intrusivo. Envolvente, a seu alcance, nada escapa. Perfume, flor; flor, beleza; perfume beleza. Ninguém aposta tanto na estética como a indústria dos perfumes. Expressão, volubilidade, mulher. flor, beleza, libertação; seis palavras para dizer um anúncio.

Marca: Chanel. Título: Gabrielle Chanel Essence. Direcção: Nick Knight. Agosto 2019.

Sombras

Alexey Bednij

Alexey Bednij

Por causa dos milagres que os apóstolos faziam, as pessoas colocavam os doentes nas ruas, em camas e esteiras. Faziam isso para que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra cobrisse alguns deles. Multidões vinham das cidades vizinhas de Jerusalém trazendo os seus doentes e os que eram dominados por espíritos maus, e todos eram curados. (Acto dos Apóstolos, capítulo 5, versículos 15 e 16).

Perguntei ao meu rapaz, que anda nas engenharias, se era possível tocar a sombra dos outros. “Não, a sombra não é um concreto. Mais, quando pensas que estás a tocar a sombra de outra pessoa é a tua própria sombra que estás a tocar”. O meu rapaz é assim: um quase engenheiro que pensa. Mas a minha vocação são as “ciências moles”. Não diz a Bíblia que o apóstolo cura os enfermos com a sua sombra? Se o milagre se faz pela sombra, não pode o toque da sombra ser erótico? Doutor Freud, o toque na sombra alheia é susceptível de provocar prazer?

Ando a escrever um artigo pontuável. Um artigo “duro” e tenso, que me vai envenenar os próximos dias. Resta-me espalhar disparates no Tendências do Imaginário. Seguem um anúncio em que a sombra se revolta, L’ombre, da Chanel (1993), e duas canções de Mike Oldfield, Shadow on the Wall e Moonlight Shadow, ambas do álbum Crises (1983).

Marca: Chanel. Título: L’ombre. Produção: Pac. Direcção: Jean-Paul Goude. França, 1993.

Mike Oldfield. Shadow on the Wall. Crises. 1983.

Mike Oldfield. Moonlight Shadow. Crises. 1983.

Dar corda ao desejo

Chanel Bruno Aveillan

Bruno Aveillan tem a arte de envolver os corpos numa estética de meticulosa volúpia. Charlotte Siepora, bailarina contemporânea, evolui em três elementos que se misturam: o ar, o líquido branco e a luz. Mais os diamantes! O corpo, em movimento, ora se eleva, ora se arrasta, ora se abandona. Os medievais recorriam ao realismo extremo para dizer o sagrado. Bruno Aveillan recorre à extrema sensualidade para embalar o sublime nas “asas do desejo”. Este anúncio lembra, por momentos, o genial Dolce Vita, que recomendo.

J12 White – Chanel. Bruno Aveillan. 2014.

Mulheres Chanel Nº5

Chanel 5 Gisele Bundchen

Gisele Bündchen, supermodelo brasileira, é a actual mulher Chanel Nº5. O corpo, o rosto e os gestos enchem o anúncio dirigido por Baz Luhrmann. Pode falar-se em mulher objecto? No anúncio, como na vida, Gisele é mãe, companheira, modelo e desportista. O anúncio cola-se a esta quádrupla faceta. Foi gizado a pensar em Gisele. Existem mulheres objecto de luxo? Neste caso, uma mulher de luxo para uma marca de luxo? Protagonizar um anúncio para o Chanel Nº5 é ascender a um pedestal. Quem não se lembra do anúncio Nicole Kidman da Chanel Nº5? Foi há dez anos, em 2004. Há pedestais para mulheres objecto? A história é uma narrativa minimalista, quase nula. O cantor, Lo-Fang, coro grego nada discreto, pouco diz: “You’re The One That I Want”. Procurem e encontrem-se. Pode haver mulheres sujeito em narrativas ténues que sejam mulheres objecto? Em suma, a categoria “mulher objecto” depende das propriedades sociais da mulher representada? Neste anúncio, Gisele não é uma actriz que interpreta um guião. Gisele é o anúncio, um anúncio associado ao seu nome. Pode Gisele Bündchen ser considerada uma mulher objecto? Quem é uma mulher objecto?

Marca: Chanel. Título: The One That I Want. Direção: Baz Luhrmann. Internacional, Outubro 2014.

Marca: Chanel. Título: Nicole Kidman. Direção: Baz Luhrmann. Internacional. 2004.

A fuga do nariz

Seguindo as pegadas do nariz do major Kovaliov do conto de Nicolau Gogol e da ópera de Dmitri Shostakovitch, o nariz das modelos deste anúncio da Chanel sumiu-se. Mas com outras (pop) artes…

Marca: Chanel. Título: I love Chanel. Agência: Psycho (Paris). Direção: Solve Sundsbo. França, Agosto 2012.

Publicidade, Arte e Jornalismo

Os laços entre a publicidade, a arte e o jornalismo são mais apertados do que imaginamos. De tudo se pode servir um pouco: publicidade com arte; publicidade com jornalismo; arte com publicidade; jornalismo com publicidade… Seguem alguns exemplos.

PUBLICIDADE COM JORNALISMO E ARTE:

Marca: Pepsi. Título: The Slavic Epopee. Agência: Mark/BBDO. Direção: Daniel Bird. República Checa, Abril 2012.

PUBLICIDADE COM JORNALISMO:

Marca: TuB. Título: Prohibition. Agência: Red Tettemer + Partners, USA.  USA, Abril 2012.

ARTE COM PUBLICIDADE:

JORNALISMO COM PUBLICIDADE:

Óscar Mascarenhas, A publicidade tem artes e manhas para se vestir com roupas de notícia, Diário de Notícias, 18 de Fevereiro de 2012.

Óscar Mascarenhas, “A publicidade tem artes e manhas para se vestir com roupas de notícia”, Diário de Notícias, 18 Fev 2012

Fe(mi)linidade

Mais dois anúncios assinados por Jean-Paul Goude. No primeiro, uma espécie de ópera mediterrânica em praça pública, Chanel antecipa o efeito Axe: tanta mulher com cio e um único homem com perfume. O segundo anúncio retoma o tema da fe(mi)linidade: a “osmose” entre uma mulher e  um tigre, “la belle et la bête”.

Marca: Chanel. Título: Égoïste: Montre-toi égoïste. Produção: Pac. Direcção: Jean-Paul Goude. França, 1990.

Marca: Dim Osmose. Título: Beauty & the beast. Agência: Publicis Conseil Paris. Direcção: Jean-Paul Goude. França, Fevereiro 2007.