Tag Archive | Bretanha

Redespertar

Dormir
E acordar de novo
Quando for velho e frágil
E fraco
[Quinquis, Setu (Sonho), 2022)

Diálogo entre a cadeira de rodas e a bengala:
Cadeira de rodas: – Agora que consegues andar, podias mudar de vida!
Bengala: – Como assim?
Cadeira de rodas: – Essa que tens não presta. Desperta enquanto é tempo. Aproveita a primavera!
Bengala: – Não vejo como.
Cadeira de rodas: Em vez de pasmar a observar os pássaros, dá asas ao desejo e reaprende a voar.

Nascida em Brest, em 1990, casada com Yann Tiersen, Emilie Quinquis é uma compositora, instrumentista e fotógrafa francesa que canta em língua bretã. Algumas das suas canções não ultrapassam as centenas de visualizações. Nestas circunstâncias, ao retê-la numa “corrente” tão diminuta, uma pessoa acaba por se sentir alguém. Seguem quatro músicas com Quinquis.

Yann Tiersen performing “13 1 18 25 6 5 1 20 17 21 9 14 17 21 9 19 (feat. Quinquis)” live in the KEXP studio. Recorded June 13, 2022.
Quinquis – Setu. Seim, 2022
Quinquis – Te (‘fd’ electric session). Seim, 2022. Ft. Gareth Jones, live in Dijon, sept. 2022
Quinquis – Inkanuko (feat. Desire Marea) Official Visualiser. Single, 2025. No álbum Eor a editar em maio de 2025. Em bretão e zulu

Celtitude

Vaso decorativo celta. Bronze. Séc. III AC. Brno, Museu Moraviano

Trata-se de uma mensagem nascida na Bretanha que se tornou universal. Criou um imaginário celta. Fala-se desta música há séculos mas a Bretanha inventou o conceito do género, de cujo imaginário vários países se alimentam. O interceltismo é um sentimento. Os instrumentos da família da cornamusa proporcionam um laço, e a celtitude seria como que um esperanto do Atlântico. Tudo viria da península ibérica (Carlos Nuñez, “La celtitude est une sorte d’espéranto de l’Atlantique”, jornal Le Monde, 02.08.2015)

Ao norte! Ao norte! Ainda mais ao norte, que não há jeito de escapar aos roedores redentores da humanidade, preocupante ameaça de peste moral.

Junto à foz do rio Minho, “de mãos dadas com a Galiza”, ressoam resquícios reconfortantes de celtitude, uma espécie de âncora alada. Ressoam, ao longe, algumas melodias provenientes da Bretanha. Nesta amostra de canções tradicionais, interpretadas pelo “venerável” Alan Stivell, que as resgatou, e pela “jovem” Nolwenn Leroy, que as revitaliza. A velha e a nova guarda, lado a lado.

Aos remos! Aos remos, marinheiros, que o mar está crispado e os faróis ofuscados.

Alan Stivell. Son Ar Chistr. Reflets. 1970.
Nolwenn Leroy. Tri Martelod. Bretonne. 2010. Ao vivo
Alan Stivell & Nolwenn Leroy. Bro Gozh. Ao vivo no Olympia, em 2012
Alan Stivell. Brian Boru. Brian Boru. 1995. Ao vivo no “Bretagnes à Bercy”, em 1999

Yann Tiersen

Yann Tiersen descende dos bretões e de outras coisas mais; eu descendo dos brácaros e de outras coisas menos. Partilhamos uma origem celta. A discografia de Yann Tiersen é apreciável. As músicas Pell (um belo vídeo) e Tempelhof foram extraídas do álbum ALL, publicado em 2019.

Yann Tiersen. Pell. ALL. 2019
Yann Tiersen. Tempelhof. ALL. 2019.