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Small Smile Blue

Not selfie as Mona Lisa. Photography by Conceição Gonçalves.

Um esboço de sorriso azul! Estou quase recuperado. Quase. Seis meses após o internamento nos cuidados intensivos, debato-me com hérnias, contraturas e dores por todo o corpo. As pernas e o equilíbrio ainda não se dão ao luxo de uma dança, nem sequer um blues arrastado. Nos próximos dias, entre ecografia, análises e consultas, repartidas por cinco especialidades, acumulo sete atos médicos. Continuo a fazer fisioterapia três dias por semana. Quase não saio de casa. Não é um queixume. Sinto-me bem, muito bem! Após vários anos sempre a piorar, melhorar todos os dias representa um alívio abençoado, um incomensurável prazer. Uma regeneração! Sinto-me confiante. Trata-se apenas de um alerta, um testemunho, às pessoas medicadas com lítio: prestem a maior atenção aos respetivos efeitos, mesmo quando os resultados das análises se mantêm no intervalo dos valores terapêuticos, como foi sempre o meu caso. Contanto invulgar, a intoxicação por lítio não é um acidente meigo. O lítio não consta dos metais queimados pelos nascidos das brumas (Brandon Sanderson. O Império Final. 2006).

Daniel Castro. I’ll Play The Blues For You. No Surrender. 1999.
Jessy Martens. That’s Why I’m Crying. That’s Why I’m Crying. 2007.

O luxo do subterrâneo

Janis Joplin.

Uma realidade puxa outra, que entra sem pedir licença. A associação espontânea é um dos processos mentais que menos controlamos. Ana Popovic lembrou-me Janis Joplin. Por quê? À partida, não sei. Talvez o blues feminino. Talvez a raiva de cantar. Não sei! Lembrou, e isso é que interessa. Não se trata de uma comparação. É uma centelha na bonança. Um relâmpago de sentido. Tudo me lembra alguma coisa. O luxo do subterrâneo.

Janis Joplin. Ball and Chain. Cheap Thrills. 1968. Ao vivo em Monterey (1968).

Ana Popovic

Ana Popovic.

De vez em quando, faz bem uma pessoa desviar-se. Para as margens do mainstream, dos estereótipos e do gosto sedentário. É reparador extraviar-se longe do centro. Ana Popovic nasceu em Belgrado, na Sérvia, fez carreira na Holanda e acabou por fixar residência nos Estados-Unidos. É vocalista e guitarrista, com muita garra. Segue a interpretação ao vivo de Blues for M.

Ana Popovic. Blues for M. Blind for Love. 2009. Ao vivo em Don Odells Legends studio.

Estrela azul

Joan Miró. Étoile Bleu. 1925

Blue is the colour of my feelings. Gosto de ouvir blues quando deslizo para o lado autómato da minha identidade. Hoje, colhi os Yardbirds (Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page), do álbum Blue Eyed Blues (1973). 23 hours too long tem participação de Sonny Boy Williamson. Segue uma interpretação ao vivo.

Yardbirds (Feat Sonny Boy Willianson). 23 hours too long. Blue Eyed Blues. 1973. Ao vivo.