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Calças de perder a cabeça

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Ave Maria por Ave Maria, este anúncio optou por a de Franz Schubert, originalmente intitulada Ellens dritter Gesang (1825).

As calças Replay Hyperskin são tão flexíveis e tão leves que nem dá para sentir.

Se se cruzar com um par de calças Replay, olhe sem ver, imagine o nu e esqueça as calças, não vá perder, com o espanto, a cabeça, que tão mau aparafusada anda.

Permitam-me acrescentar um intérprete, eventualmente inesperado, da Ave Maria de Schubert: Nina Hagen, considerada por muitos a “Rainha do Punk”: Ave Maria, Nina Hagen (1989).

Marca: Replay Hyperskin. Título: A New Dimension in Denim Experience. Agência: 180 Amsterdam. Direcção: Tell no one. Holanda, Outubro 2015.

Ave Maria

The Well-Tempered Clavier vol. I Prelude (BWV 857) page 02 Composer's manuscript Sheet Music.

The Well-Tempered Clavier vol. I Prelude (BWV 857) page 02 Composer’s manuscript Sheet Music.

Hoje fui falar ao Mosteiro de Tibães sobre a capela de São Bento. Tibães, às vezes, põe-me melancólico. E quando estou melancólico, gosto de ouvir música. Deu-me para ouvir três versões da Ave Maria:

– A versão original, de Johann Sebastian Bach, uma das minhas composições preferidas: o Prelúdio nº1 do Cravo Bem Temperado (1722).

– A Ave Maria de Charles Gounod, uma espécie de prelúdio de Bach cantado. A primeira edição, de 1853, chamava-se, precisamente, Méditation sur le Premier Prélude de Piano de S. Bach.

– A Ave Rock Maria de Michael Quatro (In Collaboration with the Gods; 1975) retoma as composições anteriores abusando dos sintetizadores. O álbum é uma raridade.

J. S. Bach, Prelúdio nº1, Cravo Bem Temperado (1722)

Charles Gounod, Ave Maria (1853). Interpretação: Maria Callas.

Michael Quatro, Ave Rock Maria, In Collaboration with the Gods (1975)

Ganga da memória

Como em muitos casos, se não entrar, pouco perde. Se calhar, nem à brigada das calças boca de sino interessa.

Suzi Quatro

Não sou triste! Mas entristeço. E, quando entristeço, apego-me a insignificâncias, flores secas entre páginas gastas.

A Ave Maria de Bach/Gounod presta-se a um arco-íris de interpretações. Recordo, por exemplo, a Ave Maria Rock, de Michael Quatro (In Collaboration With The Gods, 1975).

Precoce, excessivo, barroco, Michael Quatro granjeou um sucesso fugaz e inconsequente. Procurar a sua música na internet era pior do que procurar uma agulha no palheiro. Entretanto, tornou-se possível aceder à reprodução integral do álbum In Collaboration With The Gods.

Michael Quatro. In Collaboration With The Gods. 1975 (LP completo).

Quem teve, efectivamente, sucesso foi a irmã: Suzi Quatro. Os mais experientes da vida devem lembrar-se. Nos anos setenta, as canções da Suzi Quatro não davam descanso aos altifalantes da Avenida Central. Seleccionei duas canções: What’s it like to be loved (1977), estilo Abba, e If you can’t give me love (1978), a prenunciar as 4 Non Blondes.

Suzi Quatro. What’s it like to be loved. Aggro-Phobia.1977.

Suzi Quatro. If you can’t give me love. If you knew Suzi. 1978.