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Anúncios de risco

dacia-kids-driving-1O mundo não é geométrico. Tem pregas. Em 2011, estranhei o zelo na proibição de dois anúncios britânicos: um com uma adolescente sentada na via férrea, o outro com três raparigas a dançar, sem cinto de segurança, no banco de trás de um automóvel! Ambos os anúncios expunham crianças a situações de risco: “hazardous or dangerous situations”( Zelai por nós).

A Dacia acaba de publicar um anúncio com crianças de dez anos a conduzir um automóvel. Exemplo arriscado? O mundo tem pregas. Surpreende. A ideia é simples: até as crianças conseguem conduzir um Dacia. Mas a ideia do anúncio da Rexona, proibido, também era simples: em certas circunstâncias, como, por exemplo, na dança, um desodorizante vem a preceito.

E qual é a ideia deste artigo? Não é, decerto, defender a proibição de qualquer anúncio. A ideia é outra: importa estar atento à dualidade de critérios. É o pão da arbitrariedade, e a arbitrariedade é o vinho do poder.

Marca: Dacia. Título: French Kids Driving Car. Agência: Marcel (Paris). França, Abril 2015.

Arte infantil na ARCO: Fantasias do juízo estético

Uma colega enviou-me este link (http://www.youtube.com/watch?v=Pj4MVtoNWZc), e não resisto a partilhá-lo. Acerca da subjetividade e, sobretudo, da arbitrariedade da arte e do juízo estético muito se tem opinado. Aliás, quanto maior a distância ao mundo da arte, mais este ceticismo tende a exacerbar-se. Este vídeo apresenta um teste. Um borrão de tinta feito por crianças de dois e três anos é exposto na ARCO de Madrid, dando azo a divagações e projeções de vária ordem por parte dos visitantes. A experiência está bem concebida e beneficia de excelentes condições. Mesmo assim, gostaria de mais testes: por exemplo, um leilão na Sotheby’s ou uma oferta para a coleção da Tate Modern.