Canções de disforia e desespero

Uma amiga, por sinal de Melgaço, deu-me o gosto de reagir ao meu último artigo: “Les Feuilles Mortes” lembrou-lhe, de algum modo, a neerlandesa Anouk. Se conhecia? Tenho um cd, Sad Singalong Songs, de 2013, do qual coloquei duas canções no Tendências: “Only a Mother” e “The Rules” (https://tendimag.com/2022/05/28/semaforo/). Esta interação animou-me. A interação costuma confortar e enriquecer. Este blogue é pobre de reações. Semeia seixos na areia. Desta vez, encontrou um oásis.
Apeteceu-me retomar três músicas de Anouk esquecidas em fila de espera. Não são canções joviais. Mais do que melancólicas, afiguram-se-me de desespero, senão de revolta. Existem canções assim, disfóricas. Muitas.
Semáforo

Acabei de escrever um capítulo para um livro coletivo. Chama-se “A ave, o casal e a lápide: O conjunto escultórico da igreja de S. João Batista em Lamas de Mouro”. Tem uma vintena de páginas e ainda mais imagens. Com três semanas para o escrever, despachei-o apenas em uma. Mas não fiz outra coisa. Nem sequer visitei o blogue. Quando escrevo, namoro o delírio; desta vez, apaixonei-me. Saiu um mostrengo meio sociologia do imaginário meio semiótica da imagem. Antes de mais, um jogo divertido de imaginação aplicada. A reforma permite-o. Gostava de o partilhar, mas não devo! Guardo-o em segredo até ao lançamento do livro em agosto. Quando sair, já me esqueci dele.
Regresso ao Tendências do Imaginário com música. Sempre igual, sempre diferente, como um piscar de olhos, alternativo como um semáforo. Cabe a sorte a Anouk. Seguem as canções Only a Mother e The Rules, ambas do álbum Sad Singalong Songs, de 2013.
