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Blind Faith

Blind Faith. Blind Faith. 1969. Capa.

Ando com a inspiração submersa. Quando se deixa adormecer a razão é muito difícil acordá-la. E quando o corpo não tem juízo, a cabeça é que paga. Vou cingir-me a cinco dedos de música.

Ver o Eric Clapton e o Steve Winwood, membros dos Blind Faifh, “superbanda” dos anos sessenta (1968-1969), a interpretar Presence of the Lord tange o revivalismo. Acrescento três músicas dos Blind Faith.

Eric Clapton & Steve Winwood. Presence of the Lord. Blind Faith (1969). Crossroads Guitar Festival 2007.
Blind Faith. Can’t find my way home. Blind Faith, 1969.
Blind Faith. Well All Right. Blind Faith, 1969.
Blind Faith. Sea of Joy. Blind Faith, 1969.

Filhos da revolução

Marc Bolan & T. Rex

Calaram-se os altifalantes da festa de S. Brás, com duas bombas. Arrombaram os ouvidos dos cães. Agora, dá para ouvir música. Coisas do Parque Jurássico. Conhecem os T. Rex? Uma banda dos anos sessenta que acabou nos setenta. Segundo consta, inscrevem-se, como os Roxy Music, no Glam rock. Algumas músicas estiveram no topo, por exemplo, The children of the revolution e Get it on. Gosto de Cosmic dancer. Seleccionei estas três músicas depois de ouvir uma colectânea: Marc Bolan & T. Rex: Essencial Greatist Hits (2007).

T. Rex. Children of the revolution. Single. 1972. Ao vivo em 1972.
T. Rex. Get it on. Single. 1971. Ao vivo em 1971.
T. Rex. Cosmic dancer. Electric warrier. 1971.

Agarrar o vento

Tenho duas dúzias de reis magos em casa. Dá para poucas escapadelas. Sou perito: deixo-me descair na cadeira e passo por baixo do tapete. Ninguém dá pela minha falta. A invisibilidade é crucial: o protagonismo é fatal às escapadelas. Sem tempo, resolvo escolher um álbum à sorte. Sai o Donovan’s Greatist Hits (1969). Donovan foi um compositor e cantor de sucesso, sobretudo, nos anos sessenta. Pertence à geração Bob Dylan, Velvet Underground e The Doors. Donovan foi amigo de um meu amigo, em Paris.

Um dos reis magos veio de Angola. Fomos fumar, à espera da estrela. Tive uma sensação de estranheza: o Marlboro dele não tinha cenas eventualmente chocantes. Em África, os profetas da desgraça devem ter outras preocupações. Segunda estranheza: o preço de um Marlboro em Angola é 1:20 euros. Em Portugal, ascende a 5 euros! Inspeccionei: a única diferença reside nas imagens eventualmente chocantes. Devem ser muito caras!

Donovan. Catch the wind (1966). Donovan’s Greatist Hits (1969).
Donovan. Season of the Witch (1966). Donovan’s Greatist Hits (1969).
Donovan. The Hurdy Gurdy Man (1968). Donovan’s Greatist Hits (1969).

Etta James

Etta James

Há vozes que vêm de longe e passam sem bater à porta. Não se ouvem nem se vêem nos circos actuais da cultura e do entretenimento. No entanto, quando, por acaso, as escutamos, rasga-se uma fenda no glaciar da memória. Etta James, quem se lembra de Etta James?

Etta James – I’d Rather Be Blind . Tell Mama. 1968 (Live at Montreux 1975).
Etta James – Something’s Got A Hold On Me. Rocks the house. 1963 (Live)

A ternura dos sessenta


Creedence Clearwater Revival.

Percorro a aldeia com passos de velho e cabeça de criança. Aqui, lançava para-quedas que subiam. Perto, agarrava-me a uma motorizada para ganhar balanço com os patins. Ali, matava laranjas com um arco improvisado a partir de um guarda-chuva. Além, treinava os tombos para as habilidades de bicicleta… Ternura dos sessenta. Ouvia-se música em qualquer sítio, incluindo uma casa em construção sem portas nem janelas. A ementa musical era reduzida: Beatles, Rolling Stones, The Doors, Moody Blues, Deep Purple e um grupo com nome estranho e sucesso fantástico: os Creedence Clearwater Revival. O passado não descansa, amadurece. Seguem três cristalizações.

Creedence Clearwater Revival. Proud Mary. Bayou Country. 1969.
Creedence Clearwater Revival. Who’ll stop the rain. Cosmo’s factory. 1970. Clip de 1969.
Creedence Clearwater Revival. Have you ever seen the rain. Pendulum. 1970.

Cebolas dançantes

Vai uma música dos Booker T and the MGs? Uma banda de sucesso dos anos sessenta. O nome deve ter ajudado. Consta que foi a primeira banda inter-racial. Publicaram em 1962 a música Green Onions. Cebolas verdes. Seguem dois vídeos: o primeiro, ao vivo; o segundo, um pequeno excerto dançado.

Booker T. And The M.G.’s – Green Onions. Green Onions. Ao vivo (1962).
Booker T. And The M.G.’s – Green Onions. Green Onions. Ao vivo (1962). Excerto.

Marianne Faithfull

Marianne Faithfull

Pasmo a ver as ondas. Parecem despachos. Vão e vêm e não trazem nem levam nada. O mar é um pouco hipnótico. Uma pessoa imagina sereias e outras criaturas. Uma loura dos anos sessenta, de origem aristocrata, a cantar, com 17 anos, As tears go by, música composta por Mick Jagger e os Rolling Stones. Anos mais tarde, terá uma ligação com Mick Jagger (1966-1970). Estou a falar, naturalmente, de Marianne Faithfull.

Marianne Faithfull. As tears go by. 1964.

Marianne Faithfull. This little bird. Marianne Faithfull. 1965.

Querido mês de Agosto

Emigrantes portugueses no alojamento, em França. Espaço Memória e Fronteira. Melgaço.

Emigrantes portugueses no alojamento, em França. Espaço Memória e Fronteira. Melgaço. O rádio, o vinho e as cartas pornográficas: uma trilogia lúdica.

O querido mês de Agosto, ponto alto do ciclo anual da emigração, está a terminar; apertam-se corações (ver Maria da Conceição Gonçalves, Em busca do berço perdido, dissertação de mestrado em Sociologia, Universidade do Minho, 2002). Os emigrantes em França, dos anos sessenta e setenta, apreciavam ouvir música. Era uma fonte importante de prazer. Quase todos possuíam um gira-discos ou um rádio. Nos anos setenta, um banco português promoveu em França uma campanha de sucesso que consistiu em oferecer aos clientes um disco de 45 rotações.

Compilei oito canções dos anos sessenta. Canções populares, ao gosto dos franceses e dos emigrantes.

Adamo. Tombe la neige. 1963.

Allain Barrière. Elle était si jolie. 1963.

Charles Aznavour. La bohême. 1965.

Christophe. Aline. 1965.

Claude-François. Comme d’habitude. 1967.

Françoise Hardi. Tous les garçons et les filles. 1962.

Hervé Villard. Capri c’est fini. 1966.

Hugues Aufray. Céline. 1966.

 

 

Primeiro single dos Pink Floyd

 

Pink Floyd. Arnold Layne. 1967

Hoje não me apetece elaborar. Fim de mês, fim de férias. Nem mísera crítica, nem piada incógnita. Vou apenas anexar o videoclip da primeira música publicada pelos Pink Floyd: Arnold Layne, single, 1967.

Pink Floyd. Arnold Layne. 1967.

Já agora, no mesmo ano, 1967, a outra grande banda do rock progressivo britânico dos anos sessenta, The Moody Blues, lança o segundo álbum (LP): Days of Future Passed, com Nights in White Satin. Carregar na imagem para aceder.

Moody Blues

The Moody Blues, Nights in White Satin, ORTF, França, 1969.

Born to be wild

Steppenwolf - 1991 - Born To Be Wild - A Retrospective 1966-1990 - FrontBorn to be wild. As árvores, naturalmente. Crescem na vertical e morrem de pé. Nós crescemos domesticados e com uma coluna vertebral muito flexível. Começámos logo na primeira amamentação a beber cultura. Para ser selvagem, é preciso renascer sem cordão umbilical. As feras que compunham o público deste tipo de música, podemos observá-las no concerto dos Focus, em 1973. Filho às cavalitas, cabelos l’orealizados, o futuro entalado nas calças e camisolinhas justas, curtas e sem mangas. Uma selvajaria muito mimosa!

Born to be wild, de 1968, foi o maior sucesso da banda canadiana Steppenwolf. Readquiriu notoriedade com o filme Easy Rider. Este concerto é de 1969.

Hocus Pocus, de 1971, foi o maior sucesso da banda alemã Focus. Este concerto é de 1972. A qualidade do vídeo não é a melhor, mas o conteúdo compensa.