Dois pequenos cupidos ou vinte dedos pueris

Os anúncios “Ten Little Fingers” (Nas mãos de uma criança, 17.07.2013) e “Is Mankind?” (Revolução Digital, 17.07.2015) conseguem uma combinação rara de singeleza e encanto. Com dedos de bebés. Das mãos e dos pés. Quando penso em mãos, acodem-me Miguel Ângelo, Albrecht Dürer, Auguste Rodin e, agora, Bruno Aveillan. Quanto aos pezinhos, do anúncio da Airbnb, cito o comentário da iSpot:
No anúncio da nova campanha global da Airbnb, vemos um bebé a dar os seus adoráveis passinhos com as pernas arqueadas pelo corredor da sua casa, até à porta da frente. À medida que ele percorre esse caminho, ouvimos a voz off a fazer-nos perguntas reveladoras, como se o ser humano é bondoso e se nós somos boas pessoas. À medida que o bebé se aproxima da porta com janela e é envolvido por uma luz mais intensa, somos encorajados a sair para o mundo e a descobrir as respostas por nós próprios. Somos convidados a ir, ver e descobrir até que ponto a humanidade pode ser amável” (https://www.ispot.tv/ad/7vs6/airbnb-is-mankind. Consultado em 17.07.2026).
Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo

Nos últimos anos, escrevi dois textos que acabaram por não ser publicados.
O primeiro, “Prado Subjetivo: metamorfoses de uma freguesia modernizada”, de 2019, ficou congelado no prelo. Coloquei-o no dia 7 de dezembro de 2025 como peça de arquivo no Tendências do Imaginário (ver Eu, a IA e o Ninho).
O segundo, “Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo”, de 2023, entendi enterrá-lo numa gaveta digital até eventual resgate futuro. Passo a arquivá-lo, também, neste blogue. Entretanto, no artigo “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, no jornal Diário do Minho de 20.02.2024, retomei a reflexão, mas com outra abrangência. Seguem ambos os textos em pdf, sem mais comentários, “para memória futura”.
Texto 1: Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo
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Texto 2: Quando a esmola é grande. A industrialização do interior
Nas mãos de uma criança
Um bebé afasta-se, a contraluz, rumo à janela. De fraldas em riste, rasga horizontes. Go and see just how kind this world can be. Um anúncio da Airbnb, com imagem, texto, voz e música encantadores.
Marca: Airbnb. Título: Is Mankind? Agência: BWA/Chiat/Day, San Francisco. Direcção: Lance Acord. USA, Julho 2015.
A propósito ou a despropósito, vale sempre a pena ouvir a Pedra Filosofal, de Manuel Freire, com letra de António Gedeão, estreada em 1969.
Naquele tempo, não éramos bons alunos em nada. Estava para vir a arte da sicofância (ver Sicofância: a arte dos lambe cús).
Manuel Freire. Pedra Filosofal. Letra de António Gedeão. 1969.
Banco Mum & Dad em crise
Este anúncio da Shelter é uma obra-prima. Parodia a comunicação social e parodia o mundo financeiro. Enquanto que os governos adquirem e consolidam bancos, o Mum & Dad afunda-se. É, não obstante, o único a quem compete financiar o combate ao défice. “Breaking news: the Bank of Mum and Dad, which lends £2billion a year to help children with housing costs, has run out of funds and looks likely to close”. A Shelter chama assim, com humor e inteligência, a atenção para duas realidades preocupantes: a pressão crescente e insustentável que se abate sobre as famílias e o aumento das necessidades em termos de habitação.
Anunciante: Shelter. Título: Breaking News – Bank of Mum & Dad in crisis. Agência: Leagas Delaney London. Direção: Mark Denton. Reino Unido, Agosto 2013.
Desconforto

Uma das virtudes da ficção consiste em mostrar-nos a realidade. Uma realidade que os nossos olhos não estão habituados a ver, a não ser emoldurada no ecrã. É o caso das condições miseráveis de habitação de muitos dos nossos concidadãos.
Anunciante: Fondation Abbé Pierre. Título : La Maison. Agência: BDDP & fils, Paris. Direção: Valérie Pirson. França, Novembro 2012.
