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Tempos de Amor e Ódio

A uma refugiada em Paris durante a Guerra
Civil Libanesa iniciada em 1975

Thanatos, a pulsão de morte e a violência, aqui tão perto e Eros, a partilha e o Live Aid, já tão longe…

Seguem dois excertos da histórica prestação dos Queen no Live Aid 85 com as canções: Bohemian Rhapsody; We Will Rock You; e We Are The Champions.

Queen – Bohemian Rhapsody. A Night at the Opera, 1976. Live Aid 1985, Wembley Stadium, London, 13th July, 1985
Queen – We Will Rock You & We Are The Champions. News of the World, 1977. Live Aid 1985, Wembley Stadium, London, 13th July, 1985

Memorial

Existem momentos em que é muito importante recordar; nos outros, também! Agradeço à Almerinda Van Der Giezen a partilha deste dois links respeitantes ao espiritual “Wade in the Water”.

Imagem: Peter Lely. Elizabeth Murray (1626–1698)with a Black Servant. C. 1651

“Wade in the Water” é um dos espirituais afro-americanos mais conhecidos e carregados de significado histórico, cultural e religioso. A canção remonta ao século XIX e está profundamente ligada à experiência dos escravizados nos Estados Unidos e ao movimento de libertação por meio da Underground Railroad (Rede de Fuga). (…)
Interpretação religiosa:
• Faz alusão ao episódio bíblico de João 5:4, onde um anjo “agitava as águas” e quem entrasse primeiro seria curado. A ideia é que Deus está presente e ativo, oferecendo livramento e cura.
• O uso da palavra “trouble” (perturbar/agitar) sugere que algo milagroso está prestes a acontecer.
Interpretação codificada:
• Acredita-se que essa música também tinha função prática na fuga de escravizados. “Wade in the water” era um conselho literal: entrar na água para mascarar o rastro e confundir os cães farejadores dos caçadores de escravos.
• Harriet Tubman, uma das principais líderes da Underground Railroad, teria usado canções como essa para comunicar rotas e perigos de forma velada. (…)
Legado
“Wade in the Water” é mais que uma canção: é um símbolo de resistência, fé e inteligência coletiva dos povos escravizados. Faz parte de um legado musical e cultural que influenciou o gospel, o blues, o jazz e o soul, sendo até hoje cantada em contextos religiosos, educacionais e artísticos. (ChatGPT, 29/05/2025)

Wade in the Water (Spiritual) – A Cappella Academy Choir. A Capella Academy. Arranged and directed by Rob Dietz. Soloist: Shakale Davis. Video: Ryan Parma. Posted: 21/09/2016
Harris, K. & Harris, R. (1997). Wade in the Water. On Steal Away: Songs of the Underground Railroad [c.d.]. Morristown, NJ: Brooky Bear Music. (1984)

Alpercatas emancipatórias

Mais um anúncio tailandês.

Marca: Gambol. Título: The Violent Ape. Agência: YDM Thailand. Direção: Teerapol Suneta. Tailândia, abril 2025

Dar a volta por baixo

Se ao meio-dia o rei te diz que é noite, deves procurar as estrelas?

A beleza costuma ser diurna, solar. Brilha ao ponto de se tornar ofuscante! Mas pode dar-se-lhe a volta e torná-la noturna, ou seja, perigosa e mortal, fazê-la, por exemplo, descer do pódio para o túmulo (anúncio “Dress for the moment”). Parece, aliás, que nos anúncios da New Yorker a noite tem tendência a instalar-se. Em “Closet”, a inversão prossegue; agora, do masculino para o feminino. Perturbador!

Marca: New Yorker. Título: Dress for the moment. Produção: TwinFilm. Alemanha, 2009
Marca: New Yorker. Título: Closet. Produção: TwinFilm. Direção: Eric Hillenbrand, Alemanha, 2008

Morte Encalhada

Algumas fealdades são mais atraentes do que a beleza comum (Juliette Benzoni).

Testar um sentimento não é namoro que se evapore num ápice. Arrisca agudizar-se ou alastrar-se. A disforia das fragâncias do inferno de Sharon Kovacs pode ressoar, por exemplo, no videojogo Death Stranding, uma deambulação entre a vida e a morte num mundo catastrófico, com forças ocultas, ameaças assombrosas e seres disformes, embalado numa estética épica do feio e do mal, apostada em ambientes deslumbrantes e músicas envolventes.

A estreia do videojogo Death Stranding 2: On the Beach está anunciada para o próximo mês de junho. Segue um trailer.

Death Stranding 2: On the Beach – Pre-Order Trailer | PS5 Games. Colocado em 9 de março de 2025.

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Sim, há seres disformes, ameaças assombrosas, mas estas novas gerações o que esperam do mundo afinal? Creio serem metáforas de tudo o que vivemos e do que receamos. É recriado um mundo apocalíptico, mas onde ainda peŕsiste o bem e o mal. Nem as asas são dispensadas, as brancas e as negras. E sobretudo, o amor tem o seu lugar incondicional, com novos heróis e heroínas a combater o mal. Ou o combatem ou são aniquilados. Tudo, pareceu-me, para salvar uma inocência renascida, o bebé protegido a todo o custo, ou seja, o fruto do amor e da vida. Um recomeço.
Não sou fã deste tipo de alegorias mas entendo a necessidade destes novos jovens que, na sua maioria, só vêem desalento, incertezas, guerras e genocídios aceites tacitamente, solidão e não pertença, o horizonte não é mais o mesmo. Necessitam cruzar portas imaginárias onde conseguem ver beleza, amor e uma verdadeira luta, não com o invisível das suas vidas, mas monstros e morte personificadas. Porque a vida só tem sentido encarando toda a obscuridade dos demónios, os de dentro e os de fora, e a morte só é vencida quando a vida faz sentido.
Faz sentido? (Almerinda Van Der Giezen, 22.03.2025)

Catavento

Para que lado sopram os ventos além Atlântico? Será que se reorientam para o grotesco, eventualmente brutesco? Com ou sem burrasca (italiano)?

Imagem: Claude Monet. Tempête sur les Côtes de Belle-Île. 1886

Marca: Coors Light. Título: Slow Monday. Agência: Mischief. Direção: Matthijs van Heijningen. Super Bowl 2025. USA, fevereiro 2026
Marca: Pringles. Título: The Call of the Mustaches. Agência: FCB New York. Super Bowl 2025. USA, fevereiro 2025
Marca: Doritos. Título: Abuction. Super Bowl 2025. USA, fevereiro 2025

Delírio ou deleite?

A publicidade pode aspirar a ser profética? Os novos tempos serão desvairados e agressivos, como no anúncio Goldilocks And The Three Trucks, da Dodge ou nem precipitados, nem furiosos, como no anúncio Not So Fast, Not So Furious, da Häagen-Dazs? Ambos os anúncios provêm de empresas norte-americanas e passaram ontem, dia 9 de fevereiro, durante o Super Bow 2025.

Marca: Dodge. Título: Goldilocks And The Three Trucks. Agência: Gsd&m. USA, fev 2025
Marca: Häagen-Dazs. Título: “Not So Fast, Not So Furious”, Agência: nice&frank. USA, fev 2025

Sôfregos e insensatos

Three great forces rule the world: stupidity, fear and greed  /Três grandes coisas governam o mundo: a estupidez, o medo e a ganância (Albert Einstein)

Uma pesquisa no Tendências do Imaginário a partir da palavra “amamentação” conduziu-me ao artigo Born to be wild, de 2013. Um vídeo perdera a fonte e a resolução de outro deixava a desejar. Entendi recauchutá-lo. Acrescentei a canção The Pusher, dos Steppenwolf, que, tal como Born to be wild, integra a banda sonora do filme Easy Rider. Creio que mais que selvagens ou traficantes, tornámo-nos uns sôfregos insensatos.

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BORN TO BE WILD (Revisão do artigo de 6 de janeiro de 2013)

Steppenwolf. Born to be wild – A retrospective -1966-1990. 1991. Capa

Born to be wild. As árvores, naturalmente! Crescem na vertical e morrem de pé. Nós crescemos domesticados e com uma coluna vertebral muito flexível. Começámos logo na primeira amamentação a beber cultura. Para ser selvagem, é preciso renascer sem cordão umbilical. As feras que compunham o público deste tipo de música, podemos observá-las no concerto dos Focus, em 1973. Filho às cavalitas, cabelos l’orealizados, o futuro entalado nas calças e camisolinhas justas, curtas e sem mangas. Uma selvajaria muito mimosa!

Born to be wild, de 1968, foi o maior sucesso da banda canadiana Steppenwolf. Readquiriu notoriedade com o filme Easy Rider (1969). Este concerto é de 1969.

Steppenwolf – Born To Be Wild. Single, 1968. Ao vivo em 1969

Hocus Pocus, de 1971, foi o maior sucesso da banda alemã Focus. Este concerto é de 1972. A qualidade do vídeo não é a melhor, mas o conteúdo compensa.

Focus – Hocus Pocus. Moving Waves, 1970. (Live At Pinkpop Festival 1972
Steppenwolf – The Pusher (cover de Hoyt Axton, 1963). Single, 1967

Filhos da Vida

ROM – Immortal

Se fosse imortal, inventaria a morte para ter o prazer de viver (Jean Richepin. La Chanson des Gueux, 1876)

Nada em nós é eterno. Filhos da vida, herdamos a morte. Qual é a nossa pegada? Vale a pena atardar-se neste anúncio de seis minutos. Acelerado e excessivo em referências históricas, “Immortal” representa mais uma dádiva do Royal Ontario Museum. Por (des)ventura, demasiado generosa face à atenção que nos prestamos a dispensar.

Anunciante: Royal Ontario Museum. Título: Immortal. Agência: Broken Heart Love Affair/ Toronto. Produção: Scouts Honour/Toronto & Moonlighting Films/Cape Town. Canadá, maio 2023. Conquistou 4 prémios Clio 2023.

Salvem as crianças!

Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!… (Augusto Gil. Balada da Neve. Luar de Janeiro, 1909)

“Há mais de 100 anos, em 1919, uma mulher chamada Eglantyne Jebb [1876-1928] fundou a Save the Children em resposta ao sofrimento que as crianças enfrentavam como resultado da Primeira Guerra Mundial. / Eglantyne Jebb mudou o curso da história quando declarou que todas as meninas e meninos deveriam ter direitos. Esta ideia, avançada para o seu tempo, desencadeou um movimento global para tornar o mundo um lugar melhor para as crianças. Eglantyne apresentou a primeira Declaração Universal dos Direitos da Criança na Liga das Nações, documento que serviu de base para a criação da Convenção sobre os Direitos da Criança.”

Despertei com o anúncio “Fer” da Saven the Children, do México. Extenso e lento (dura mais de 6 minutos), algo enigmático (desconhece-se, até ao final, o motivo), nem sempre lógico (por que se deixa crescer tanto o cabelo?), faz todo o sentido: ” Desde el embarazo infantil hasta el feminicidio, las niñas viven con miedo en lugar de tener la libertad para crecer y desarrollarse plenamente”.

Anunciante: Save the Children Mexico. Título: “Fer”. Agência: Anónimo Agencia. México, novembro 2024