Alterações climáticas. Hipocrisia
Eis um anúncio da Greenpeace deveras oportuno. Em diversos tempos e escalas. Por cá e alhures.
A Eni, uma das maiores empresas de petróleo e gás do mundo, está a utilizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno para maquilhar a sua destruição provocada pelos combustíveis fósseis.
Não se pode proteger os desportos de Inverno enquanto um dos maiores patrocinadores dos Jogos estiver a alimentar a crise climática.
Os poluidores não devem subir ao pódio nos Jogos. É tempo de o Comité Olímpico Internacional abandonar o patrocínio do petróleo e do gás.
A beleza masculina na publicidade
A beleza física não é apenas um atributo do gineceu, mas também do androceu, bem como do andrógeno. A publicidade que o diga! Entre muitos outros, o anúncio “Novo Malbec Black Legend | Uma lenda sempre reconhece a outra”, da marca O Boticário, revela-se um excelente exemplo.

Beleza masculina para um produto destinado a homens?! Não é de estranhar. Ocorre o mesmo com os outros géneros. Por exemplo, belezas femininas para produtos destinados a mulheres. Homossexualidade? Nem por isso… Provavelmente, está em jogo um desígnio de projeção e, se possível, de imersão ou envolvimento Quer-se o eu a reconhecer-se, senão sentir-se, no outro.
Subsiste, porém, uma leitura alternativa, não incompatível. Algures, não sei onde, nem quando, mas há quase duas décadas, escrevi o seguinte:
Vários estudos sustentam que a maior parte das compras não se destinam ao próprio, mas a outros. Acresce que quando uma pessoa decide uma compra convoca, frequentemente, o olhar, o gosto e o interesse, de outrem. O ato de comprar encerra, assim, uma componente sacrificial. Quando alguém compra, entrega-se. A compra é uma dádiva de si, que se agudiza nos picos convencionais de generosidade como o Natal. Os anúncios prestam-se a dar uma mão!” (Compra sacrificial).
Comprador e consumidor nem sempre coincidem. Aliás, mesmo quando se compra para si pode ocorrer influência alheia, o dito espelho dos “outros significativos”. O público alvo dos anúncios pode resultar menos quem usa e mais quem interfere na escolha. Se for, por exemplo, a companheira, um toque atraente de masculinidade pode fazer a diferença.
Em termos de género, a publicidade a cosméticos e produtos de beleza tende a ser, não unívoca nem unissexo, mas multidirecional ou ambivalente.
AlmapBBDO, São Paulo. Brasil, janeiro 2026
Este anúncio é sedução pura. Com imagens surpreendentes, a imersão é fatal, inevitável. Confesso que não sabia quem ele era [o ex-jogador de futebol brasileiro Kaká], mas não importou. Mas para o homem que gosta de desporto, importa! É uma mescla de 007 com o homem comum, e ainda assim, extraordinário!
Um anúncio fantástico!
E se restar qualquer dúvida, eu fiquei seduzida. Sim, compraria para alguém.
(Almerinda Van Der Giezen, 15.02.2026)
A Bela e a Música. Monica Bellucci
A Bela e a Música ou a Música e a Bela? Monica Bellucci é um caso à parte: sedutora, consegue despertar todo o sistema neuronal.
Monica Anna Maria Bellucci (Città di Castello, 30 de setembro de 1964) é uma atriz e modelo italiana, conhecida internacionalmente por seus filmes na Europa e em Hollywood, e também pela sua carreira iniciada como modelo de grandes desfiles de moda europeus e grifes sofisticadas como Dior e Dolce e Gabbana, nos anos 1980 e 90. É considerada pela revista norte-americana Variety como “o último mito erótico” e a herdeira de divas italianas do cinema como Sofia Loren, Gina Lollobrigida, Claudia Cardinale e Silvana Mangano. (…) Fluente em italiano, inglês e francês, com bom conhecimento do espanhol e razoável português (…), em 2016 comprou um apartamento no histórico bairro do Castelo, em Lisboa (Wikipedia, 03.02.2026).
Para variar, seguem quatro vídeos com a Monica Belluci.
Sem limite de idade

Escrevi pelo menos sete artigos dedicados à estratégia publicitária da Dove (para aceder aos artigos, carregar no título):
- A beleza que toca o coração
- A mulher real
- Beleza real
- A beleza da coragem
- Estética de género
- A beleza como obrigação
- Publicidade simpática
Confunde-se muitas vezes envelhecimento com desvitalização. Mas a vida não tem idade — apenas a morte traça um fim. Parece ser este o mote do anúncio “Beauty has no age limit”, da Dove. O que vale para as pessoas vale para as comunidades: uma comunidade envelhecida não é uma comunidade sem vida.
Adaptação

O anúncio indiano “Har Koi Peera Lahori Zeera 2.0”, da Lahori Zeera, aproxima-se mais da teoria da evolução de Lamarck do que da de Darwin: os seres humanos adaptam-se em vida aos novos requisitos ambientais, inclusivamente decorrentes das suas próprias inovações, tais como a bebida direta pela garrafa em todas as circunstâncias.
Tudo bem?
Em Portugal, uma média de três pessoas morrem por suicídio todos os dias. No entanto, sendo um dos tabus mais profundos da sociedade, a morte (especialmente a autoinfligida) raramente é discutida. Não se fala sobre ela.
O suicídio existe na nossa realidade quotidiana, muitas vezes despercebido, enquanto nos esquecemos de que criar espaço, iniciar conversas e prestar atenção é uma responsabilidade partilhada.
Todos os dias, depois de um simples olá, perguntamos “Tudo bem?” – sem esperar pela resposta. É neste breve e quotidiano momento que devemos aprender a parar, a ouvir e, finalmente, a fazer as perguntas difíceis – aquelas que podem mudar vidas.
Este foi o ponto de partida da campanha: criar espaço para um tema fragmentado e desconfortável na conversa do dia a dia. Com o lançamento do 1411 (a primeira linha de apoio nacional de prevenção do suicídio em Portugal, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana), a campanha reformulou a prevenção como uma responsabilidade social coletiva. (https://www.adsoftheworld.com/campaigns/esta-tudo-bem).
Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo do anúncio.

Atom Heart Mother. Um Tesourinho Persistente

O YouTube surpreendeu-me com uma interpretação memorável de um dos meus tesourinhos persistentes, o Atom Heart Mother (1970), obra sui generis demasiado ignorada dos Pink Floyd, pela Orchestre Philharmonique de Radio France, num concerto no Théâtre du Chatelet, em fevereiro de 2012, sob a direção de Jean-Jacques Justafré, que conclui, comovido, quase em lágrimas.
Para quem tiver, como eu, algum tempo a “perder”, seguem três vídeos:
- O primeiro é uma gravação de uma homenagem ao Pink Floyd “Primitive Mother” ao vivo no Chicken George, Kobe, Japão, 27 de outubro de 2016. Duração: 15:39;
- O segundo é interpretado pela Orchestre Philarmonique de Radio France, no Théâtre du Chatelet, em 2012, com uma duração de perto de 30 minutos;
- O terceiro contempla o lado A completo do LP, de 1970, remasterizado em 2011.
A Boémia na Rua

Em setembro de 2025, a Place de la Contrescarpe, no Quartier Latin, em Paris, transbordou dopamina. Um conjunto de 30 músicos e cantores entoou e encenou a Bohemian Rhapsody, dos Queen. Empolgante! Agradeço a partilha deste link à Helena Lages, aluna de uma das primeiras turmas de que fui professor na Universidade do Minho, no início dos anos 1980′.
Voz de Lama
No Natal, algumas lâmpadas fundem. Não se repara. Como é de esperar, brilham e apagam-se. Estas perdas de luz não desiludem, a época é de indesilusão. E luz por Luz! Não, não se repara, nem se substitui. Por elas não seja! Talvez para o ano, se houver Natal.
Junto três canções (de luzes fundidas?): “Je voudrais tant que tu sois là”, de Serge Lama, “L’Indifférence”, de Gilbert Bécaud (com Serge Lama), e “Ce soir mon amour”, de Georges Moustaki.
