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Alterações climáticas. Hipocrisia

Eis um anúncio da Greenpeace deveras oportuno. Em diversos tempos e escalas. Por cá e alhures.

A Eni, uma das maiores empresas de petróleo e gás do mundo, está a utilizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno para maquilhar a sua destruição provocada pelos combustíveis fósseis.
Não se pode proteger os desportos de Inverno enquanto um dos maiores patrocinadores dos Jogos estiver a alimentar a crise climática.
Os poluidores não devem subir ao pódio nos Jogos. É tempo de o Comité Olímpico Internacional abandonar o patrocínio do petróleo e do gás.

Greenpeace International – It’s the Olympics – not the OILympics. Produção: Studio Birthplace. Itália, fevereiro 2026

A beleza masculina na publicidade

A beleza física não é apenas um atributo do gineceu, mas também do androceu, bem como do andrógeno. A publicidade que o diga! Entre muitos outros, o anúncio “Novo Malbec Black Legend | Uma lenda sempre reconhece a outra”, da marca O Boticário, revela-se um excelente exemplo.

Beleza masculina para um produto destinado a homens?! Não é de estranhar. Ocorre o mesmo com os outros géneros. Por exemplo, belezas femininas para produtos destinados a mulheres. Homossexualidade? Nem por isso… Provavelmente, está em jogo um desígnio de projeção e, se possível, de imersão ou envolvimento Quer-se o eu a reconhecer-se, senão sentir-se, no outro.
Subsiste, porém, uma leitura alternativa, não incompatível. Algures, não sei onde, nem quando, mas há quase duas décadas, escrevi o seguinte:

Vários estudos sustentam que a maior parte das compras não se destinam ao próprio, mas a outros. Acresce que quando uma pessoa decide uma compra convoca, frequentemente, o olhar, o gosto e o interesse, de outrem. O ato de comprar encerra, assim, uma componente sacrificial. Quando alguém compra, entrega-se. A compra é uma dádiva de si, que se agudiza nos picos convencionais de generosidade como o Natal. Os anúncios prestam-se a dar uma mão!” (Compra sacrificial).

Comprador e consumidor nem sempre coincidem. Aliás, mesmo quando se compra para si pode ocorrer influência alheia, o dito espelho dos “outros significativos”. O público alvo dos anúncios pode resultar menos quem usa e mais quem interfere na escolha. Se for, por exemplo, a companheira, um toque atraente de masculinidade pode fazer a diferença.

Em termos de género, a publicidade a cosméticos e produtos de beleza tende a ser, não unívoca nem unissexo, mas multidirecional ou ambivalente.

O Boticário – Novo Malbec Black Legend | Uma lenda sempre reconhece a outra. Agência:
AlmapBBDO, São Paulo. Brasil, janeiro 2026

Este anúncio é sedução pura. Com imagens surpreendentes, a imersão é fatal, inevitável. Confesso que não sabia quem ele era [o ex-jogador de futebol brasileiro Kaká], mas não importou. Mas para o homem que gosta de desporto, importa! É uma mescla de 007 com o homem comum, e ainda assim, extraordinário!
Um anúncio fantástico!
E se restar qualquer dúvida, eu fiquei seduzida. Sim, compraria para alguém.
(Almerinda Van Der Giezen, 15.02.2026)

A Bela e a Música. Monica Bellucci

A Bela e a Música ou a Música e a Bela? Monica Bellucci é um caso à parte: sedutora, consegue despertar todo o sistema neuronal.

Monica Anna Maria Bellucci (Città di Castello, 30 de setembro de 1964) é uma atriz e modelo italiana, conhecida internacionalmente por seus filmes na Europa e em Hollywood, e também pela sua carreira iniciada como modelo de grandes desfiles de moda europeus e grifes sofisticadas como Dior e Dolce e Gabbana, nos anos 1980 e 90. É considerada pela revista norte-americana Variety como “o último mito erótico” e a herdeira de divas italianas do cinema como Sofia Loren, Gina Lollobrigida, Claudia Cardinale e Silvana Mangano. (…) Fluente em italiano, inglês e francês, com bom conhecimento do espanhol e razoável português (…), em 2016 comprou um apartamento no histórico bairro do Castelo, em Lisboa (Wikipedia, 03.02.2026).

Para variar, seguem quatro vídeos com a Monica Belluci.

Ricchi e Poveri – Come Vorrei (“Malena”-Monica Bellucci). Colocado em 02.12.2018
Monica Belluci – Malena. Oceo. Evora. Colocado em 11.02.1019
Monica Bellucci. Oceo. The Rose and The Nightingale. Colocado em 16.02.2021
Umberto Tozzi. Monica Belluci. Ti amo. Colocado em 13.12.2022

Sem limite de idade

Fonte: ANG – A solidariedade entre gerações. 31.12.2016

Escrevi pelo menos sete artigos dedicados à estratégia publicitária da Dove (para aceder aos artigos, carregar no título):

Confunde-se muitas vezes envelhecimento com desvitalização. Mas a vida não tem idade — apenas a morte traça um fim. Parece ser este o mote do anúncio “Beauty has no age limit”, da Dove. O que vale para as pessoas vale para as comunidades: uma comunidade envelhecida não é uma comunidade sem vida.

Dove – Pro Age: Beauty has no age limit. França, 2009

Adaptação

O anúncio indiano “Har Koi Peera Lahori Zeera 2.0”, da Lahori Zeera, aproxima-se mais da teoria da evolução de Lamarck do que da de Darwin: os seres humanos adaptam-se em vida aos novos requisitos ambientais, inclusivamente decorrentes das suas próprias inovações, tais como a bebida direta pela garrafa em todas as circunstâncias.

Lahori Zeera – Har Koi Peera Lahori Zeera 2.0. Agência: Enormous. Índia, janeiro 2026

Cápsulas de emoções

Incorporei o vídeo “Emoções Confortáveis” no Tendência do Imaginário em 10 de junho de 2015. Subsistem, porém, algumas dificuldades de reprodução. Recoloco uma versão alargada (31 em vez de 26 minutos) a partir do meu canal no YouTube.

“Emoções Confortáveis: O Barroco Na Publicidade” é uma compilação de anúncios destinada a projeção em contínuo numa instalação da exposição Vertigens do barroco em Jerónimo Baía e na actualidade, em 2007, no Mosteiro de São Martinho de Tibães. Como complemento, recomendo o texto Vertigens do Presente: A Dança do Barroco na Era do Jazz, incluído no respetivo catálogo.

Emoções Confortáveis: O Barroco Na Publicidade. Por Albertino Gonçalves para a Exposição Vertigens do barroco em Jerónimo Baía e na actualidade, Mosteiro de São Martinho de Tibães, 2007

Tudo bem?

Em Portugal, uma média de três pessoas morrem por suicídio todos os dias. No entanto, sendo um dos tabus mais profundos da sociedade, a morte (especialmente a autoinfligida) raramente é discutida. Não se fala sobre ela.
O suicídio existe na nossa realidade quotidiana, muitas vezes despercebido, enquanto nos esquecemos de que criar espaço, iniciar conversas e prestar atenção é uma responsabilidade partilhada.
Todos os dias, depois de um simples olá, perguntamos “Tudo bem?” – sem esperar pela resposta. É neste breve e quotidiano momento que devemos aprender a parar, a ouvir e, finalmente, a fazer as perguntas difíceis – aquelas que podem mudar vidas.
Este foi o ponto de partida da campanha: criar espaço para um tema fragmentado e desconfortável na conversa do dia a dia. Com o lançamento do 1411 (a primeira linha de apoio nacional de prevenção do suicídio em Portugal, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana), a campanha reformulou a prevenção como uma responsabilidade social coletiva. (https://www.adsoftheworld.com/campaigns/esta-tudo-bem).

Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo do anúncio.

SNS24 / Linha Nacional de Prevenção do Suicídio – Está tudo bem? Agência: Tangity. Direção: Augusto Fraga. Portugal, dezembro 2025

Atom Heart Mother. Um Tesourinho Persistente

O YouTube surpreendeu-me com uma interpretação memorável de um dos meus tesourinhos persistentes, o Atom Heart Mother (1970), obra sui generis demasiado ignorada dos Pink Floyd, pela Orchestre Philharmonique de Radio France, num concerto no Théâtre du Chatelet, em fevereiro de 2012, sob a direção de Jean-Jacques Justafré, que conclui, comovido, quase em lágrimas.

Para quem tiver, como eu, algum tempo a “perder”, seguem três vídeos:

  • O primeiro é uma gravação de uma homenagem ao Pink Floyd “Primitive Mother” ao vivo no Chicken George, Kobe, Japão, 27 de outubro de 2016. Duração: 15:39;
  • O segundo é interpretado pela Orchestre Philarmonique de Radio France, no Théâtre du Chatelet, em 2012, com uma duração de perto de 30 minutos;
  • O terceiro contempla o lado A completo do LP, de 1970, remasterizado em 2011.
Homenagem ao Pink Floyd “Primitive Mother” ao vivo no Chicken George, Kobe, Japão, 27 de outubro de 2016
Orchestre Philharmonique de Radio France – Atom Heart Mother (ooriginal Pink Floyd. 1970). Théâtre du Chatelet. Direção: Jean-Jacques Justafré. 2012. 29:47
Pink Floyd – Atom Heart Mother. 1971. 23:43

A Boémia na Rua

Place de la Contrescarpe. Paris

Em setembro de 2025, a Place de la Contrescarpe, no Quartier Latin, em Paris, transbordou dopamina. Um conjunto de 30 músicos e cantores entoou e encenou a Bohemian Rhapsody, dos Queen. Empolgante! Agradeço a partilha deste link à Helena Lages, aluna de uma das primeiras turmas de que fui professor na Universidade do Minho, no início dos anos 1980′.

Bohemian Rhapsody, dos Queen, na Place de la Contrescarpe, em Paris, em setembro 20255, por, entre outros, Mickey Callisto e Julien Cohen. Realização de Julien Cohen.  

Voz de Lama

No Natal, algumas lâmpadas fundem. Não se repara. Como é de esperar, brilham e apagam-se. Estas perdas de luz não desiludem, a época é de indesilusão. E luz por Luz! Não, não se repara, nem se substitui. Por elas não seja! Talvez para o ano, se houver Natal.

Junto três canções (de luzes fundidas?): “Je voudrais tant que tu sois là”, de Serge Lama, “L’Indifférence”, de Gilbert Bécaud (com Serge Lama), e “Ce soir mon amour”, de Georges Moustaki.

Serge Lama – Je voudrais tant que tu sois là. L’enfant au piano, 1977
Gilbert Bécaud (& Serge Lama) – L’indifférence. Original: Olympia 77, 1977
Georges Moustaki – Ce soir mon amour. Les amis de Georges, 1974