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O neo-selvagem

Depois da mobilização (Tu fazes parte!), do divertimento (Galináceos) e da denúncia (Desfiguração), uma pitada de humor (O novo Robinson Crusoe).

O novo Robinson Crusoe. Tendências do Imaginário, 04.09.2016

A velha grávida e o riso da morte

O artigo O riso da velha grávida (revisto), colocado em 29 de janeiro de 2023, não surgiu por geração espontânea. Uma primeira versão homónima remonta ao do dia 13 de março de 2016. um intervalo de reincubação de quase sete anos. E ainda não está fechado. Hoje, volvidos três anos, introduzir-lhe-ia bastantes alterações. Mas assinei-o, e continuo a identificar-me com ele.

Imagem: Terracota com Baubo sentada num porco. British Museum.

O riso da velha grávida evidencia alguns defeitos e virtudes de uma forma de pensamento e de um estilo de escrita. Não são uniformes, nem lineares: adotam o desvio e a fragmentação como roteiro e arquitetura. Atardam-se nos detalhes e nas margens para aceder ao todo e ao núcleo. Como os vitrais, convocam uma variedade de pedaços não transparentes que aspriram a configurar-se juntos proporcionando uma nova luz. Pelo meio, esquecem a arte de ir direito ao assunto, de procurar sem se perder e de argumentar sem complicar. Empenham-se em seduzir o interlocutor, mas não ao ponto de lhe facilitar a recepção, um risco de preguiça mental e anestesia criativa.

Ontem, 31 de agosto, os artigos incidiram sobre a música e a publicidade. Hoje, será questão de imagens e pensamentos.

O riso da mulher grávida (revisto). 29.01.2023
A princela noiva e a velha grávida. 01.09.2022

A vez e a voz das crianças

Henri Rousseau – Pour fêter le bébé! 1903
Dar a mão a uma criança. Tendências do Imaginário, 26.08.2014
Ninguenização. Tendências do Imaginário, 17.12.2012
Alimentação e diálogo cultural. Tendências do Imaginário, 26.08.2018

Filis a cavalo de Aristóteles

Hans Burgkmair (1473–1531) - Aristotle and Phyllis. The Metropolitan Museum of Art

“Na lenda de Fílis e Aristóteles, o amor e o erotismo vencem o político e o sábio. A imagem de Fílis a montar Aristóteles, com trejeitos de sadomasoquismo, tornou-se célebre, em particular, na Idade Média e, sobretudo, no chamado Renascimento do Norte.”

Imagem: Hans Burgkmair (1473–1531) – Aristotle and Phyllis. The MET

O imaginário medieval é fantástico!

Morte, erotismo e política. Tendências do Imaginário, 21.08.2016

Reciclagem de moscas

Rutland Psalter. Manuscrito iluminado do século XIII (por volta de 1260), feito em Londres
O papa-moscas. Tendências do Imaginário, 20.08.2019

Música para a Arte

Viktor Alexandrovich Hartmann – Chernomor e Lyudmila. Figurino para a ópera Ruslan e Lyudmila. Sem data

A arte e a música dão-se bem juntas, mas não é muito corrente música composta para obras de arte. É todavia o caso, na Rússia do século XIX, da suite Quadros de uma exposição (1874), do Modest Mussorgsky (1839-1881), inspirada numa mostra póstuma de pinturas do amigo arquiteto e pintor Viktor Hartmann (1834-1873).

Quadros de uma exposição. Tendências do Imaginário, 18.08.2019

Dar à luz na “idade das trevas”

Iluminura do século XV com o nascimento de São Edmundo (rei da Ânglia Oriental). Contempla a preparação do parto e o período pós-parto

Em 16 de agosto de 2015, publiquei o artigo O parto na Idade Média. Volvidos dois anos, em 2017, recoloquei-o revisto. Um bom exemplo de como uma revisão pode tornar-se recriação.

O novo artigo, O parto na Idade Média (revisto), é, até hoje, o segundo mais consultado do Tendências do Imaginário: desde 3 de setembro de 2017, soma 15615 visualizações (a primeira versão: 3985; as duas: 19600). Recoloco-o a pensar em quem possa ter interesse em ver ou, eventualmente, rever com outros olhos.

O parto na Idade Média (revisto). Tendências do Imaginário, 16.08.2017

Humanos e animais: afinidades fisionómicas e morais

Adidas – Instinct takes over. Agosto 2014

Hoje, 15 de agosto, é dia da Assunção. No Tendências do Imaginário, assiste-se, depois de alguma dormição, a uma ascensão da arte a tema de eleição. Colocados no mesmo dia, com um ano de intervalo, os artigos Arquitectura de Paisagem na Geometria Maneirista, de 2013, e Chuteiras bestiais, de 2014, dialogam entre si incluindo obras de arte dos séculos XVI e XVII.

Peter Paul Rubens (atribuído a). Estudo de um homem barbudo e cabeça de uma criatura. Théorie de la Figure Humaine, 1773

Após uma breve desconversa ritual, o artigo Chuteiras bestiais entrega-se a duas operações a que, sempre que se proporcione, raramente resisto:
1) Cotejar realidades distintas e distantes. Neste caso, a publicidade do século XXI e a pintura dos séculos XVI e XVII;
2) Rasgar horizontes, abrindo “portais” (links) para entidades diversas. Neste caso, o anúncio, fantástico, “Instinct takes over”, da Adidas, acaba por convocar mestres da pintura e da gravura, tais como Giambattista della Porta (1535-1615), Ticiano Vecellio (c. 1485-1576), Peter Paul Rubens (1577-1640) e Charles Le Brun (1619-1690.
O resultado manifesta-se deveras curioso.

Chuteiras bestiais. Tendências do Imaginário, 15.08.2026

Uma morte bem bebida

Mosaico grego. Província de Hatay, sul da Turquia. Séc. III a.C.. Antakya Archaeology Museum

Bebamos à morte, que a vida merece ser bebida!

Uma morte regalada. Tendências do Imaginário, 13.08.2012

O avô do surrealismo

Jean I. I. Gérard (1803 – 1847) foi um ilustrador e caricaturista francês que publicou sob o pseudônimo de Grandville (…) Historiadores e críticos da arte chamaram-no de “a primeira estrela da grande era da caricatura francesa” e descreveram suas ilustrações como apresentando “elementos do simbólico, onírico e incongruente”, mantendo um senso de comentário social e “a transfiguração mais estranha e perniciosa da forma humana já produzida pela imaginação romântica” (Wikipedia, 11.08.2026)

Grandville: Disfarces e Metamorfoses. Tendências do Imaginário, 11.08.2016