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Música da Grécia Antiga

As árvores com raízes profundas são as que sobem mais alto

A música não tem margens nem fundo. Navegamos e revemo-nos nas águas sem pressa de ancorar. Os ventos sopram para a Grécia Antiga. O timoneiro é Gregorio Paniagua, nascido em Madrid em 1944. Celebrizou-se como músico e musicólogo. Estudou violoncelo e viola de gamba, bem como direção de orquestra. Tocava, também, outros instrumentos musicais tais como a vihuela, o alaúde e a sanfona.

Autorretrato de Gregorio Paniagua

Em 1954, fundou, com irmãos e primos, o ensemble Atrium Musicae com que se apresentou à volta do mundo. Estudou, recuperou e interpretou repertórios de música antiga. Para esta “arqueologia”, criou uma oficina onde recria os instrumentos musicais da época. Publicou cerca de 20 álbuns. O mais célebre é, porventura, o dedicado à música da Grécia Antiga, recolhida em papiros. Destacam-se, também, as coletâneas de música árabe andaluza, pré-colombiana e medieval.

“L’ enfant terribile nasceu um ano antes da era atómica. Desde então, dedicou-se à arqueologia musical, especializando-se em musicologia e realizando suas próprias transcrições em concerto, baseadas nas fontes musicais originais de cada época. Ele também reconstruiu instrumentos musicais antigos em sua própria oficina, utilizando-os em suas apresentações e gravações.
Aos 22 anos, as nove Musas, filhas de Zeus e Mnemosine, o incentivaram a seguir um caminho diferente, e ele decidiu abandonar os estudos de medicina e se especializar em violoncelo no último ano de ambos os cursos. Decidiu não se tornar médico nem violoncelista, dedicando-se à musicoterapia (à qual dedicou sua tese de doutorado: Tarântula-Tarantela, HarmoniaMundi, 1976 ) e ao estudo de códices e manuscritos musicais antigos, a fim de se dedicar à ” arte de viver da arte” , em suas próprias palavras. Fundou o ATRIUM MUSICAE em 1964.
Gregorio Paniagua, na minha opinião, nunca se cansa de sua hiperatividade; seu dom para a música é inato. (GREGORIO PANAGUA. ATRIUM MUSICAE – COMPOSITOR, FUNDADOR E DIRETOR).

Seguem 5 das 25 faixa que compõem o álbum Musique de la Grèce Antique, editado em 1979 pela Harmonia Mundi (França).

Gregorio Paniagua & Atrium Musicae de Madrid – Anonymi Bellermann. Musique de la Grèce Antique, 1979
Gregorio Paniagua & AMM – Papyrus Oxyrhynchus 2436. Musique de la Grèce Antique, 1979
Gregorio Paniagua & AMM – Hymne à Némésis. Musique de la Grèce Antique, 1979
Gregorio Paniagua & AMM – Anakrousis – Orestes Stasimo. Musique de la Grèce Antique, 1979
Gregorio Paniagua & AMM – Hymne au Soleil. Musique de la Grèce Antique, 1979

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Não creio que seja necessário percebermos de musicologia para apreciar “música erudita”. A música é uma linguagem universal e, sobretudo, uma jexperiência sensorial.

Estas peças musicais da Grécia Antiga transcendem-nos no tempo e também nos cânones musicais, tal como os conhecemos. O que transforma a experiência num estado de espírito. Pede-nos aquele “silêncio” intemporal e expectante, como quando queremos ouvir o som da água, do vento e das próprias pedras. Ideal para escutar num templo, cheio de memórias nos seus muros e com uma abóbada a ampliar as ressonâncias do tempo.

A segunda peça foi a que mais me apelou aos sentidos. Curta mas surpreendente, nos seus sons compassados e quase cintilações dissonantes vindas de um estranho mas fascinante instrumento.

Por outro lado, a quarta peça, com uma abertura caótica e alucinante, seguida de lamúrios nos sons e nos cânticos, desenhou uma história trágica no meu imaginário.

O importante é abrirmo-nos para o desconhecido, e, mais importante ainda, permitir-nos sentir. Apenas. São essas memória que nos mantêm verdadeiramente vivos.

(Almerinda Van Der Giezen)

Horta desbragada

AXE-Lynx. Scracht and Sniff. 2025

A agência de publicidade Lola Mullen Lowe, sediada em Madrid, acaba de conquistar um Leão de Ouro em Cannes pela campanha de outdoors Scratch & Sniff, para a AXE/Lynx.

O transeunte é convidado a raspar e, em seguida, cheirar um sítio bem circunscrito, junto aos genitais, do corpo de um homem em cuecas. O alto, o nariz, é convidado a descer e a explorar a fonte de fertilidade. Ousado?

A história manifesta-se, por vezes, cíclica. Após mais de uma década de contenção e conveniência, a publicidade deixa-se novamente tentar pelo baixo corporal e pelo desbragamento [“deixar cair as calças”]. Andarão a intolerância e a censura assoberbadas, sobreocupadas, com outros domínios e outros públicos?

Esqueça as tradicionais tiras de teste e as típicas cabinas de amostragem. A mais recente campanha da Lynx adota uma modalidade muito diferente: convida os homens a fazer o que sempre fizeram – raspar e cheirar. / Para lançar seu novo Lower Body Spray, uma fragrância fina e ousada desenvolvida especificamente para a região íntima, a AXE/Lynx e a LOLA Mullen Lowe transformam o gesto masculino mais primitivo numa experiência interativa. O resultado: outdoors raspados e cheirosos – atrevidos, irreverentes e inconfundivelmente Lynx. / À primeira vista, parecem anúncios clássicos de roupas íntimas: a preto e branco, abdómenes esculturais, cuecas justas. Mas existe algo inesperado: tinta perfumada impressa diretamente nas cuecas. Graças à tecnologia de microencapsulação, uma vez esfregada, a impressão liberta uma fragrância real, transformando o outdoor numa demonstração instantânea do produto… através do movimento manual masculino mais instintivo. (MULLENLOWE GLOBAL)

Marca: LYNX/Axe. Título: Scratch & Sniff. Agência: Lolla Mullen Lowe (Madrid). Executive Creative Director: Tomás Ostiglia. Maio 2025

Morte Social e Sorte Grande

A crença universalmente difundida segundo a qual o medo da morte física é o maior dos medos do homem é altamente contestável. Incomparavelmente mais mortal é o seu medo da morte social, isto é o medo de ser desacreditado, ignorado ou escarnecido” (Günther Anders. Sténogrammes philosophiques. Ed. orig. 1965).

A memória de Jeff Buckley conduziu-nos aos Estados Unidos onde, em termos musicais, nos vamos demorar. Entretanto, uma pausa para publicidade. Insatisfeito com os anúncios mais recentes, demandei os premiados na última década no Festival de Cannes.

“Justino”, estreado em 2015, proporcionou um reencontro encantador. Partilhado no Tendências do Imaginário em dezembro de 2018 (ver Justino e os manequins), não resisto a recolocá-lo. Continua a sensibilizar-me, embora de um modo distinto. Em 2018, ainda não detinha a mínima experiência de “morte social”.

Imagem: Jean-Joseph Perraud – Desespero. Musée d’Orsay

No anúncio, tudo parece suceder como se Justino, anestesiado em rotinas e sem convívio, não existisse para os outros. Mas não se senta ao lado de outros transeuntes nas deslocações para o trabalho? Não vive em função dos outros? Morte social significa a nossa ausência na sociedade, não a ausência da sociedade em nós. A presença da sociedade em nós pode até ser obsessiva. Esse é um dos dramas da morte social. Justino sobrevive num armazém humanizando manequins. Poderia ser numa paisagem hertziana animada por pixéis ou num retiro qualquer onde são esquecidas as figuras outrora célebres. Apagar pessoas pode ser desumano, nem por isso deixa de ser corriqueiro.

Marca: Lotería de Navidad. Título: Justino. Agência: Leo Burnett Madrid. Direcção: Juan García-Escudero. Espanha, 2015.

Na realidade, resulta complicado sair de um estado de morte social. Inclino-me a acreditar mais na ressurreição mística do que na social. Uma vez acabado, nem sequer “cevada ao rabo”!  Uma derradeira valsa sem parceiro. A não ser que sobrevenha algum “milagre” improvável: um bilhete de lotaria, uma fagulha de poder, um estranho reinteresse quase póstumo… Algo que desperte a atenção e a vontade alheias, que contrarie a sua inércia. Ámen!

Johannes Brahms – Waltz No. 15 in A-Flat Major, Op. 39 (Remastered). Piano: Philippe Entremont. Entremont Plays Best-Loved Piano Pieces, 2019

E Madrid aqui tão perto!

El que quiere interesar a los demás tiene que provocarlos (Salvador Dali)

De Espanha não vêm só apagões e maus casamentos. No domínio da música, é um país notável, pela história, diversidade e qualidade. No entanto, por estas bandas, os ventos insistem em soprar predominantemente de Oeste e de Norte.

A pesquisar sobre a folia, deparei com Ara Malikian, intérprete criativo da Foliajazz. Compositor e violinista virtuoso libanês-espanhol de origem arménia, reside em Madrid. [Acrescento no fim uma nota biográfica extraída da Wikipedia]. Da sua obra (mais de uma trintena de álbuns), retenho quatro prestações: Viejos Aires; Misirlou; Ay Pena, Penita, Pena; e Pisando Flores (2017).

Ara Malikian atuou várias vezes em Portugal: em maio de 2019 no Casino do Estoril; em novembro de 2023, no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra e na Casa da Música no Porto; e em junho de 2024 no Centro Cultural de Viana do Castelo. Está programado um concerto para o dia 28 de novembro de 2025 no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

Ara Malikian / Fernando Egozcue Quinteto – Viejos Aires. Concierto Teatro Arteria Coliseum de Madrid 15 de febrero de 2011
Ara Malikian – Misirlou (Pulp Fiction Theme). Tour 15. Circo Price Madrid, 2015
Ara Malikian – Ay pena, penita, pena (Lola Flores cover). Ara Malikian Symphonic Tour on 2016
Ara Malikian – Pisando flores. Live at Las Ventas Madrid, 2017

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Sim, a magia existe! Por vezes, antes de abrir os vídeos de música, e especialmente quando pressinto que vai ser algo grande, preciso de esperar até encontrar uma espécie de puro silêncio dentro de mim que me permita acolher o mundo todo. Como uma meditação. Assim foi hoje e ainda bem que esperei. Associa-se muitas vezes o choro ao violino. E sim, ele chora, lamuria-se, despedaça-se em tristeza, como em Ay pena, penita, pena. Mas é muito mais, é tudo! Ou pode. É assombroso ver uma simbiose tão forte entre violino e violinista, o corpo a dançar e a mover-se em uníssono com o arco a tocar nas cordas…eu disse tocar? é impossível dar um nome a esta paixão que transparece no som, corpo e face de Ara Malikian. E a ligação criada com os outros músicos… a percepção de instantes de incredulidade no rosto dos outros músicos e o contágio, esse contágio que se entranha, vibra e estilhaça todas as convenções. A alma deve ser assim. (Almerinda Van Der Giezen, 04205.2025)

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Ara Malikian (nascido em Beirute, em 1968)
Biografia
“Ara Malikian começou a tocar violino muito cedo, tendo seu pai como professor. Ele deu seu primeiro concerto aos 12 anos. Aos 14 anos, foi notado pelo maestro Hans Herbert-Jöris, que lhe obteve uma bolsa para frequentar Hochschule für Musik, Theater und Medien Hannover em Hanover . Admitido aos 15 anos, tornou-se o aluno mais jovem a estudar nesta escola. Ele prosseguiu os seus estudos na Guildhall School of Music and Drama em Londres e ao mesmo tempo teve aulas particulares com os professores Franco Gulli, Ruggiero Ricci , Ivry Gitlis , Herman Krebbers e membros do Alban Berg Quartet .
Malikian assimilou a música de outras culturas como a do Oriente Médio, Europa Central (cigana e klezmer), Argentina (tango) e Espanha (flamenco), inspirado pelo músico espanhol Paco de Lucía.
Com um repertório variado, que inclui a maioria das peças escritas para violino (concertos com orquestras, sonatas e peças com piano e música de câmara), Malikian também interpreta peças de compositores modernos como Franco Donatoni , Malcolm Lipkin, Luciano Chailly , Ladislav Kupkovich, Loris Tjeknavorian, Lawrence Romany e Yervand Yernakian. Ele também toca recitais para violino solo, notadamente os Vinte e quatro Caprichos de Niccolò Paganini, as Seis Sonatas de Eugène Ysaÿe e as Sonatas e Partitas de Jean-Sébastien Bach.
Malikian foi aclamado em inúmeras competições, incluindo primeiros prémios em competições internacionais: “Felix Mendelssohn” em 1987 em Berlim e “Pablo Sarasate” em 1995 em Pamplona, bem como outros prémios nas competições “Niccolò Paganini” (Génova), “Zino Francescatti” (Marselha), “Rodolfo Lipizer” (Gorizia), “Jeunesses Musicales” (Belgrado), “Rameau” (Le Mans), “International Artists Guild” (Nova York) e “International Music Competition of Japan”. Em 1993, recebeu o “Prêmio por Dedicação e Realização” do Ministério da Cultura da Alemanha (…)
Ara Malikian mora em Madrid, onde foi solista da Orquestra Sinfónica de Madrid. Desde 1995 toca em duo com o pianista Serouj Kradjian, também de origem arm´rnia, com quem gravou o ciclo completo de Sonatas para piano e violino de Robert Schumann e o álbum Miniatures . Manikian também gravou vários álbuns com as empresas BMG, Auvidis, Trittico Classics e Elite Music .
Também trabalha em estreita colaboração com o guitarrista flamenco José Luis Montón, com quem lançou os álbuns Manantial e De la felicidad . Trabalhou com a cantora libanesa Fairuz, os dançarinos de flamenco Joaquín Cortés e Belén Maya e o pianista de jazz Horacio Icasto. Também trabalhou com compositores de cinema como Alberto Iglesias, com quem gravou a trilha sonora do filme Fala con Ela, dirigido por Pedro Almodóvar , e Pascal Gainge para a música do filme El otro barrio, do diretor Salvador García Ruiz.
Malikian foi nomeado duas vezes para Melhor Performance Clássica em 2007, um prémio concedido pela Academia Espanhola.
Participou também como artista convidado no filme Além do Flamenco, dirigido por Carlos Saura em 2016 .” (Wikipedia: Ara Milikian, excertos traduzidos da versão em língua francesa).

Discografia:
Le quattro stagioni (1995)
750 Jahre Wölpinghausen (1996)
Miniatures (1996)
Bow on the String (1997)
500 motivaciones (1999)
All Seasons for Different (2000)
Robert Schumann (2000)
24 Caprices for Solo Violin by Paganini (2003)
Sarasate (2003)
Six Sonatas for Solo Violin by Ysaÿe (2003)
Sonatas and Partitas for Solo Violin by Bach (2003)
El arte del violín (2004)
Manantial (2002/2004)
The Four Seasons by Vivaldi (2004)
De la felicidad (2005)
Tears of Beauty (2006)
Meeting with a friend (2007)
De los Cobos / Montsalvatge (2005)
Lejos (2007)
Conciertos románticos españoles de violín (Orquesta sinfónica de Castilla y León-Alejandro Posada y Ara Malikian-2010)
Con los ojos cerrados (Ara Malikian y Fernando Egozcue Quinteto- 2011)
Chirstmas mood (2011)
Pizzicato (2013)
15 (2015)
La Increíble Historia de Violín (2016)
Ara Malikian. Symphonic at Las Ventas (2017)
Royal Garage (2019)
Petit Garage (2021)
Ara (2022)

Sarabanda e folias

A alusão ao popular e ao carnavalesco no artigo precedente lembrou-me as sarabandas e as folias, músicas e danças de origem popular e festiva que se aristocratizaram adquirindo um enorme sucesso nas cortes europeias, designadamente nos séculos XVII e XVIII.

Stanley Kubrick é conhecido pelo recurso a músicas clássicas nos seus filmes. A sarabanda de Handel foi uma das eleitas para Barry Lyndon (1975).

As folias, ditas de Espanha, mas de origem portuguesa, ainda inspiram compositores e intérpretes. Seguem as versões de Gregorio Paniagua, uma das minhas preferidas, e de Sergei Rachmaninov, erudita, lenta e longa.

George Frideric Handel – Sarabande Suite in D minor (HWV 437). Entre 1703 e 1706. Main title from Stanley Kubrick’s BARRY LYNDON soundtrack. Lucca Philarmonic Orchestra. Live recording: 2nd June 2014
Gregorio Paniagua – La Folia de la Spagna. Atrium Musicale de Madrid. Harmonia Mundi France, 2022
Sergei Vasilievich Rachmaninoff – ariations on a Theme of Corelli Op. 42. Written in 1931. Recording: Live in Lugano, Switzerland, 1968(?)

Aqui há gata!

À Sushi

Em França existem mais lares com gatos do que com cães desde há cerca de uma década. A urbanização tende a favorecer os felinos. Na Península Ibérica ainda predominam os caninos, o que não impede o anúncio espanhol “Get Apprrrrroved!” de apostar nos felinos, em conformidade, aliás, com o nome da marca: Lynx.

Marca: Lynx. Título:  Agência: Catnip. LOLA MullenLowe. Direção: Andreas Nilsson. Espanha, março 2025

Desodorizante com efeito Casanova

No Carnaval nada parece mal.

Nas últimas décadas, o Ocidente tem-se tornado, não descoberto mas encoberto, cada vez mais puritano. Nos mais diversos domínios, publicidade incluída. O nu e sexo, com ou sem erotismos ou eufemismos, desapareceram praticamente dos anúncios. Subsiste uma marca, a Lynx (ou Axe, consoante os países) que insiste na brejeirice, apostando no mágico “efeito Casanova” do seu desodorizante.

Os dois primeiros anúncios estrearam este fevereiro. O terceiro, de 2003, já adotava o mesmo esquema. O último, sem foco no baixo corporal, a falta de decoro menos ostensiva.

Marca: Lynx. Título: Basket. Agência: LOLA MullenLowe Madrid. Direção: Lionel Goldstein. Espanha, fevereiro 2025
Marca: Lynx. Título: Cinema. Agência: LOLA MullenLowe Madrid. Direção: Lionel Goldstein. Espanha, fevereiro 2025
Marca: Axe. Título: Pour un effet assuré. Direção: Armando Bo. Argentina, 2003
Marca: Lynx. Título: Hot since ’95. Agência: Oliver. Direção: Richard Skinner. Reino Unido, 2020

A balada do arco-íris

Até os fenómenos naturais mais efémeros se conjugam para unir o Minho e a Galiza.

Moledo do Minho 1. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves
Moledo do Minho 2. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves

Está bom tempo para dormitar, embalados, por exemplo, pela “Berceuse” (1879) de Gabriel Fauré.

Gabriel Fauré – Berceuse Opus 16. Violin: Shishi Zhou; Piano: Chewon Park. Shishi’s Graduation Recital, Master of Music. New England Conservatory’s Brown Hall. February 23, 2016

A vela apagada

Importa combinar visão panorâmica e sentido do detalhe (Edgar Morin, La Métamorphose de Plozevet : Commune de France, 1967)

Nota: A resolução das imagens é bastante aceitável. Carregar nelas para as aumentar.

Deixei, propositadamente, para mais tarde a análise das três pinturas com a Anunciação atribuídas a Robert Campin e à sua oficina. Duas incluem a já mencionada miniatura do Menino Jesus com a cruz, mas justificam as três uma atenção especial.

Subestimado demasiado tempo pela História da Arte, Robert Campin (nascido em 1375 e falecido em 1444, em Tournai, na Bélgica, conhecido também como Mestre de Flémalle) é hoje considerado como “o primeiro grande pintor flamengo”, pioneiro da Escola de Flandres e, com Jan van Eyck, do Renascimento do Norte.

Afrescos de Masaccio e Fra Angelico

Introduziu um realismo, que frisa o naturalismo, minucioso e detalhado, com figuras humanas expressivas. As suas obras rivalizam com as dos primeiros artistas do Renascimento Italiano. Compare-se “A Santíssima Trindade” (c. 1428) e “O Pagamento do Tributo” (c. 1425), de Masaccio, ou “A Anunciação” (c. 1425-26), de Fra Angelico, dois dos primeiros artistas do Renascimento Italiano, com “A Missa de São Gregório” (1415), “O Noivado da Virgem” (1420-30) e a “Anunciação” de Bruxelas (1415-25), da sua autoria.

Robert Campi: “A Missa de São Gregório” e “O Noivado da Virgem”

Robert Campin consta ainda entre os primeiros artistas a utilizar a pintura a óleo, em vez da têmpera. Presumivelmente, antes de Jan van Eyck. A nova técnica melhora a duração, o realismo, a profundidade, o brilho e a gradação das cores.

Protagonista político, encabeçou, em 1423, uma revolta de artesãos contra a o poder aristocrático, tendo desempenhado vários cargos de governo e administração até 1428. Este envolvimento valeu-lhe uma punição em 1429 com “multa, obrigação de fazer uma peregrinação a Saint-Gilles en Provence e interdição de exercer qualquer função pública”. Em 1432, acusado de adultério, é condenado a exilar-se de Tournai. Este “estado de desgraça” junto do poder contribuiu para o “apagamento” de que foi vítima durante quase cinco séculos.

Com alguma preguiça, para a apresentação das três pinturas da Anunciação atribuídas a Robert Campin, vamo-nos socorrer da descrição facultada pelos museus onde estão expostas.

“A Anunciação” do Museu do Prado

Robert Campin (Oficina). A Anunciação. Óleo. Ca. 1420-25. Museu do Prado

A pintura representa a Anunciação segundo o relato de São Lucas (1:26–38). O Arcanjo Gabriel, enviado por Deus, visita Maria para anunciar que será a mãe de Jesus. A conceção é simbolizada pelos raios, que emanam do topo da composição, onde Deus Pai aparece iluminado e rodeado por uma corte de anjos, e se estendem até Maria. Alguns dos elementos iconográficos habituais da Anunciação, como a pomba do Espírito Santo, estão ausentes, mas outros estão incluídos, por exemplo, o lírio num vaso em primeiro plano à direita. Maria, reclinada nas almofadas de um banco, está absorta na leitura das sagradas escrituras e ainda não sentiu a presença do anjo.

Apesar da solenidade do espaço eclesiástico onde se desenrola a cena, o banco, o livro e, sobretudo, o armário aberto conferem-lhe uma certa atmosfera quotidiana privada. A Virgem usa um volumoso manto azul que se estende artificialmente sobre o chão em numerosas dobras e contém uma inscrição indecifrável na borda. O anjo traz na mão direita um bastão e veste uma capa de chuva vermelha de orla larga com decoração em volutas de motivos vegetalistas e letras alternadas, mais estreita e simples na bainha (…)  O anjo também possuía um halo de raios, agora bastante desgastados, que era representado numa perspetiva oblíqua e não frontal, de acordo com a sua posição. A cena sucede numa espécie de átrio ou entrada de uma igreja gótica de desenho impossível que não parece representar um tipo particular (…)

Em 1985, o catálogo [do museu] reconheceu a identificação do Mestre de Flémalle como Robert Campin, e atribuiu o painel a este último, assinalando expressamente, como acontecia desde 1933, que não havia unanimidade quanto à sua atribuição. Recordou novamente as diferenças de qualidade com o Noivado [ver imagem info)], assinalando a possibilidade de ter sido um dos primeiros trabalhos executados em colaboração com um assistente (…). apesar de manifestar conhecimento de algumas das principais criações do Mestre de Flémalle e tentar imitar alguns dos seus pontos fortes, como o equilíbrio composicional, a obtenção de uma perspetiva correta e o uso eficaz do simbolismo arquitetónico, esta Anunciação não alcança a criatividade requintada encontrada nas melhores obras do mestre. O estilo de pintura também é muito diferente. Esta pintura pode, portanto, ser atribuída a um seu seguidor e datada de alguns anos depois de o mestre ter produzido as suas principais obras. (Museo del Prado, A Anunciação: https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the-annunciation/52a6820f-892a-4796-b99e-d631ef17e96a; consultado em 12.01.2025).

“A Anunciação” dos Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica

Robert Campin (Master of Flémalle). A Anunciação. Óleo. 1415-25. Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica. Bruxelas. Talvez o original do exposto no Metropolitan Museum of Art (MET)

Nesta obra, a Anunciação ocorre num interior de classe média, algo inteiramente novo na arte da época. Até então, a cena era retratada dentro ou no pórtico de uma igreja. Seguindo a tradição, o Arcanjo Gabriel entra na sala pela esquerda. Em sinal de humildade, a Virgem Maria está sentada num piso de ladrilhos encostada a um banco comprido. A borda de seu casaco é decorada com uma inscrição, outra inovação adicionada pelo Mestre de Flémalle. O texto parece ser inspirado na Salve Regine, um hino medieval popular [ver o vídeo no final deste artigo]. Os gestos da Virgem Maria mostram sua aceitação: a mão direita apoiada em seu estômago e os olhos castamente abaixados. Nos joelhos de Maria e na mesa está um livro aberto. Este motivo pode inspirar-se num tratado sobre a verdadeira devoção de por volta de 1400, segundo o qual a Virgem estava a meditar nas Sagradas Escrituras quando Gabriel entrou na sala. Os livros também indicam que ela é detentora da sabedoria divina. (…) As janelas podem representar profetas que previram a vinda do Messias. Outros objetos aparentemente comuns da vida cotidiana possuem um significado mais profundo. A pequena escova perto da lareira simboliza a purificação da mancha do pecado e o lírio branco (…) a virgindade de Maria. (…) Os lustres e as velas representam a Virgem e Cristo; o fato de não estarem acesos sugerem que a conceção já ocorreu. A escultura em madeira representando São Cristóvão levando o Menino Jesus através do rio é um detalhe curioso. O motivo é um bom exemplo das inconsistências cronológicas frequentemente encontradas em pinturas dos primitivos flamengos. Como a cena principal retrata a Anunciação, o Messias claramente ainda não nasceu. (Roel Slachmuylders in ‘Musée d’Art Ancien. Oeuvres choisies’: https://artsandculture.google.com/asset/the-annunciation-master-of-fl%C3%A9malle-robert-campin/qQFSi4Q3kb6IsQ?hl=en; consultado em 12.01.2025).

Tríptico com a Anunciação. Retábulo de Mérode (MET)

Atribuído a Robert Campin e sua oficina. Tríptico com a Anunciação. Retábulo de Mérode. Óleo. Ca, 1427-1432. Metropolitan Museum of Art (MET)

Acabado de entrar na sala, o anjo Gabriel está prestes a dizer à Virgem Maria que ela será a mãe de Jesus. Os raios dourados que entram pelo óculo esquerdo carregam uma figura em miniatura com uma cruz. Na ala direita, José, que é noivo da Virgem, trabalha em sua carpintaria, fazendo furos numa tábua (…) Na ala esquerda, o doador ajoelhado parece testemunhar a cena central pela porta aberta. Sua esposa ajoelha-se atrás dele, e um mensageiro da cidade aguarda no portão do jardim. Os proprietários teriam comprado o tríptico para usar em orações privadas (…).

Entre as pinturas neerlandesas antigas mais célebres, sobretudo pela observação detalhada, riqueza da imagens e excelente condição — este tríptico pertence a um conjunto de pinturas associadas à oficina de Tournai de Robert Campin (ca. 1375–1444), às vezes chamado de Mestre de Flémalle. Documentos indicam que ele contratou pelo menos dois assistentes, o jovem Rogier van der Weyden (ca. 1400–1464) e Jacques Daret (ca. 1404–1468). Evidências estilísticas e técnicas sugerem que o retábulo foi executado por fases. A Anunciação, que se inspira numa composição da oficina um pouco anterior, não decorre provavelmente de uma encomenda. O comprador encomendou posteriormente os painéis laterais, que parecem ter sido pintadas por dois artistas. Ainda mais tarde, na década de 1430, presumivelmente após o casamento do comprador, os retratos de sua esposa e do mensageiro foram adicionados. As janelas do painel central, originalmente cobertas com folhas de ouro, foram pintadas com um céu azul, e os escudos heráldicos foram adicionados posteriormente. (The Metropolitan Museum of Art, Annunciation Triptych (Merode Altarpiece: https://www.metmuseum.org/toah/works-of-art/56.70).

Chegados a este ponto, convém acrescentar alguns comentários, a não ser para legitimar a autoria do artigo.

Três pinturas antigas com a Anunciação

Como foi avançado na descrição do Museu do Prado, Robert Campin inovou, ao nível da forma, no equilíbrio composicional, nos volumes, na profundidade e na perspetiva.No que respeita ao conteúdo, o livro, da sabedoria, e o lírio, da pureza, mantêm-se uma constante, mas alguns motivos característicos de obras mais antigas (ver três exemplos acima) nem sempre são contemplados, pelo menos de um modo imediato e direto: a pomba, o menino e a cruz, na Anunciação do Museu do Prado; e o Deus Pai, os raios de luz, o menino, a cruz e a pomba, na Anunciação do Museu de Bruxelas. Por seu turno, o tríptico da Anunciação do Metropolitan Museum of Art (MET) inclui a miniatura com o menino a carregar a cruz, mas não explicita nem o Deus Pai, nem os raios de luz, nem a pomba.

As pinturas da oficina de Robert Campin distinguem-se das precedentes, antes de mais, pela riqueza, profusão e minúcia dos detalhes. Trata-se de um atributo, e contributo, do Renascimento do Norte, fonte de um realismo até então inédito, cujo auge naturalista é alcançado por Jan van Eyck (ver, por exemplo, ao lado, o detalhe do Adão do Retábulo de Ghent, de 1432).

Reconhecer que o realismo aumenta não significa que o investimento no simbólica diminua. Pode até intensificar-se e tornar-se mais profundo, oferecendo-se mais diversificado, inesperado, rebuscado e, porventura, dissimulado.

Sob este prisma mais fino, a obra de Robert Campin, além de deslocar a cena para um interior doméstico, inova também em termos de conteúdo.

Na Anunciação dos Museus Reais das Belas-Artes da Bélgica, a pomba do Espírito Santo não ressalta à vista. Mas deteta-se pelo menos duas vezes. Desviando o olhar, repara-se numa pomba pintada no vaso com os lírios; concentrando-o, divisa-se na janela vertical do lado esquerdo o vulto de uma pomba, acima de uma roseira. A pomba lá está (ou estava, caso tenham ocorrido alterações).

Se, para além da vista, abusar da objetividade, delirar um pouco, então os reflexos da manga do braço direito da Virgem dão a impressão de esboçar uma pomba. Passa-se, assim, da ausência à multiplicidade. Fabulações? Recorde-se, porém, que na arte, tal como na publicidade, um motivo pode gerar os efeitos desejados sem ser identificado pelos destinatários, sem assomar à consciência. Os artistas já o sabiam e aplicavam há mais de quinhentos anos.

Este preciosismo mesquinho na observação das imagens eletrónicas cansa e magoa a vista, ao ponto de obrigar a uma espécie de jejum digital, a suspensão temporária mas frequente do recurso ao computador.

Na mesa, um candelabro com uma vela apagada. Acesa, a vela significa a presença e a luz de Cristo. No caso da Anunciação, a sua chegada como “luz do mundo”. A chama também pode ser associada ao Espírito Santo no momento da Encarnação. Apagada, a vela sugere uma presença divina imaterial e impercetível. A vela apagada parece indicar que a conceção está consumada, ao jeito da Virgem Maria, discreta e humildemente.

Não se observa nenhuma miniatura com o Menino Jesus em voo picado. Em contrapartida, aparece transportado por São Cristóvão numa pequena escultura em madeira, descentrada, por cima da lareira. Não desencantei vestígios alusivos à cruz. A não ser que… A não ser que se tome a sério o requinte de criatividade do simbolismo de Robert Campin, em particular, e dos artistas do Renascimento do Norte, em geral.

O motivo de São Cristóvão com o Menino Jesus no ombro remete para a ideia da cruz. Cristóvão (do grego Christophoros, “aquele que carrega Cristo”), “ao carregar o Menino Jesus, está simbolicamente a carregar a cruz de Cristo, cruz que representa o sacrifício e o apelo para seguir Cristo mesmo na adversidade (…) Assim como Cristo carregou a cruz para redimir os pecados da humanidade, São Cristóvão carrega Cristo, que por sua vez carrega o peso do mundo”. A cruz é o fardo redentor por excelência.

Tríptico com a Anunciação. Retábulo de Mérode. Ca. 1427-1432. Metropolitan Museum of Art. Detalhe

No Tríptico da Anunciação, ou Retábulo de Mérode, do Metropolitan Museum of Art, a miniatura com o menino Jesus a carregar a cruz destaca-se,  junto às claraboias, no canto superior esquerdo, habitualmente reservado ao Deus Pai irradiante.

Sobre a mesa, um castiçal com uma única vela, ainda fumegante, acusando o efeito do “sopro divino”. A conceção pelo Espírito Santo acaba de se consumar.

Na Anunciação de Bruxelas, descobriam-se pombas, mas não cruzes. Em contrapartida, na Anunciação do tríptico do MET, descobrem-se cruzes, mas não pombas.

Na Anunciação de Bruxelas, descobrem-se pombas, mas não cruzes. Em contrapartida, na Anunciação do tríptico do MET, descobrem-se cruzes, mas não pombas.
Embora a jarra pareça a mesma em ambas as pinturas, uma pequena rotação, no tríptico, resulta suficiente para impedir uma identificação cabal; estará lá, mas oculta quanto baste. A exemplo da vela fumegante, o pintor alude à pomba, mas cuida de a encobrir.

O motivo da cruz aparece na miniatura, mas também, com boa vontade, no painel do lado direito, com São José a trabalhar como carpinteiro [repare-se que os tempos insistem em baralhar-se: Maria e José compartilham o mesmo espaço, vivem juntos, apesar de o casamento seja posterior à Anunciação]. As ferramentas na mesa estão, propositada e artificialmente, dispostas de feição a compor três cruzes, as cruzes do Calvário, de Cristo e dos dois ladrões.

O corpo fala! Na generalidade das pinturas da Anunciação, a postura da Virgem, especialmente das mãos, tende a partilhar significados convencionais. A mão erguida e aberta com a palma para a frente exprime surpresa; as mãos cruzadas sobre o peito, aceitação; a mão direita pousada no peito junto ao coração, congratulação. (Crono)logica mas nem sempre efetivamente, a sucessão, por fases, seria: palma da mão levantada, surpresa pela interpelação; mãos cruzadas, aceitação do desígnio divino; e mão direita junto ao coração, congratulação pela bem-aventurança.

O corpo fala. A posição das mãos nas pinturas com a Anunciação

A pintura do museu do Prado não contempla nenhuma destas alternativas. Absorta na leitura de um livro envolto numa toalha branca, símbolo de pureza, a Virgem “ainda não sentiu a presença do anjo”. A Anunciação está prestes a começar.

Na Anunciação dos Museus Reais de Bruxelas, a vela apagada sugere que a conceção já foi consumada. Maria volta a estar concentrada na leitura, mas com a mão direita sobre o peito, congratula-se pela bem-aventurança. Embora o Arcanjo Gabriel esteja retratado, a interação com manifesta-se concluída. A Anunciação já aconteceu.

No tríptico do Metropolitan Museum of Art, a fase propriamente dita da Anunciação parece concluída. A vela fumegante, os raios de luz e o Menino Jesus a caminho sugerem que a descida do Espírito Santo e a conceção estão em curso, senão já consumadas.

Adotando numa perspetiva policrónica (Edward T. Hall, A Linguagem silenciosa, 1ª ed. 1959), com justaposição e cruzamento de espaços e tempos, pode admitir-se que os episódios retratados nas pinturas do Prado e do MET resultam baralhados, ao ponto de a postura da Virgem, absorta na leitura e sem interagir com o Arcanjo, tanto poder sugerir que a Anunciação, propriamente dita, ainda não começou ou já terminou.

Portanto e em suma, a César o que é de César, a Campin o que é de Campin.

Despeço-me com um convite à escuta do hino medieval Salve Regina e um desafio para acender ou apagar a vela.

Patrick Lenk. Salve Regina. Salve Regina Monastic (Chant of the Mystics). 2019

Carrancudo, barbudo e com a vista cansada.

Prometi não cortar a barba antes de terminar este artigo. Sem lhe ver o fim, fiquei cada vez mais obcecado e apressado. Decidi colocar uma versão sem revisão. Tomar-me-ia demasiado tempo.

Sobram dois aspetos positivos: desisti convictamente de deixar crescer a barba e experimentei, pela primeira vez, esticar os pelos do bigode.

Amanhã, será outro dia. Preciso preparar-me para a apresentação do Boletim Cultural de Melgaço no próximo sábado.

Isaac Albéniz

Isaac Albéniz (1860-1909), compositor e pianista que revitalizou a música tradicional espanhola, não parou de viajar e mudar de residência. Dedicou os movimentos da Suite Española Nº1, para piano, a várias regiões entre as quais Granada, Sevilha e Astúrias. Habituámo-nos a ouvi-los dedilhados na guitarra. Seguem, respetivamente, as interpretações de Adam del Monte, Gohar Vardanyan e Julia Lange.

Isaac Albéniz – Granada. Suite Española Nº1, 1886. Versão guitarra interpretada por Adam del Monte, 2013
Isaac Albéniz – Sevilha. Suite Española Nº1, 1886. Versão guitarra interpretada por Gohar Vardanyan, colocada em 2013
Isaac Albéniz – Asturias. Suite Española Nº1, 1886. Versão guitarra interpretada por Julia Lange, 2016