A pretexto do Dia Internacional da Felicidade, 20 de março, a turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, produziu o vídeo Felicidades: Condições e Momentos, uma compilação de textos, fotografias, curtas metragens, videoclips e anúncios produzidos ou escolhidos pelos alunos. Ao integrar a generalidade das propostas, resulta uma obra heterogénea. Não é de ninguém em particular, antes uma soma de iniciativas. Coube-me a coordenação e a montagem. Com a participação a ultrapassar as expetativas, o vídeo dura 1 hora e 4 minutos. É um gosto partilhá-lo.
Em bosque de medíocres, resulta difícil a qualidade vingar. Se existe algo de que os incapazes são capazes é secar, derrubar ou queimar qualquer árvore que se distinga.
“El Empleo” (o Emprego) – Curta-metragem de animação com direção de Santiago ‘Bou’ Grasso & Patricio Plaza. Fondo Nacional de la Artes. Argentina, 2008
A Minda enviou-me a curta metragem de animação “Tragic story with happy ending” (França, 2005), da autoria da portuguesa Regina Pessoa.
Regina Maria Póvoa Pessoa Martins (Coimbra, 16 de Dezembro de 1969) é uma realizadora de animação portuguesa. É membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e vencedora de diversos prémios de animação internacionais como o Annie Awards e o Anima Mundi.
O seu filme Kali, o Pequeno Vampiro foi considerado Património Mundial pela UNESCO (…) A sua curta-metragem História Trágica com Final Feliz é o filme português mais premiado de sempre, tendo obtido mais de 35 prémios (…) O seu nome encontra-se em terceiro lugar, na lista dos 50 melhores filmes de animação dos últimos 25 anos, compilada pelo Animac – Festival Internacional de Cinema de Animação da Catalunha em 2021. (Wikipedia, 27.02.2026).
Andar às voltas com a felicidade propicia recompensas como esta.
Regina Pessoa – Tragic story with Happy ending. França, 2005.
Com duas décadas de experiência em design, Kelly Boesch é pioneira em termos de linguagem visual com recurso à IA. Alcançou mais de 1,5 milhão de seguidores e 60 milhões de visualizações por mês em diversas plataformas. Encara a IA como uma interlocutora poderosa, que expande os limites da criatividade conjugando a arte humana e com a capacidade de aprendizagem da máquina.
Como o asno de Buridan no meio da ponte, hesitamos entre dois vídeos de sua autoria: “I found happiness” e “Be Kind”. Além da felicidade, o primeiro ilustra a dança e o segundo, a fantasia. Ambos duram três minutos. Com um limite máximo assumido de 4 minutos para qualquer autor, não é possível contemplar os dois.
Não quer dar uma ajuda?
Kelly Boesch – I found happiness. AI Surreal Dance Video. Kelly Boesch AI Art. Posted 17.12.2025
Kelly Boesch – Be kind. AI Music Video about Joy. Kelly Boesch AI Art. Posted 02.11.2025
Rever-se no olhar dos outros é um consolo; não sentir o mérito reconhecido, uma desgraça. Pensei incluir os subtemas inclusão e reconhecimento no vídeo dedicado à Felicidade. Mas a duração de cerca de 1 hora já duplica o previsto. Sinal de que a participação ultrapassou as expetativas. Impõe-se filtrar e cortar. Com alguma frustração. Os três vídeos seguintes, como muitos outros, ficam, assim, de fora. Coloco-os neste último reduto. Sensibilizam!
Jerome Ruillier – Por 4 esquinitas de nada. 2004. Adaptado por Mayte Calavia con Alumnos del CEIPEl Espartidero de Zaragoza. Colocado em 01.04.2011
Inclusão e Educação – Um vídeo impactante. Produção: Naked Heart Foundation, Rússia, 2020. Colocado pelo Prof. Paulo Henrique em 26.11.2020
Paro | Follow Your Dreams | HP. Para o Dia Internacional da Mulher. Colocado em 08.03.2018
Sugerida por Teresa Carneiro, a curta metragem de animação “Happiness”, de Steve Cutts, é fabulosa (creio ser o adjetivo mais apropriado). Como escreve a Teresa, esta miragem de felicidade pode ser encarada como resultante de uma opção viciada: “A ‘Felicidade’ dos Ratinhos retrata a forma como a maioria dos seres humanos a tenta obter, de forma errada, a todo o custo e apenas conseguem viver uma vida sem sentido – o problema”.
Mas também pode exprimir um cenário ou uma situação limite do “mal-estar” incubado numa certa civilização (Sigmund Freud), mote, aliás, de muitos filmes de ficção científica (ver o vídeo “A Verdade Que Freud Revelou Sobre a Felicidade – E Que A Sociedade Não Quer Que Você Saiba”, de Mente em Progresso, sugerido por Amélia Carmen Cardoso).
Em Sociologia da Arte e do Imaginário, estamos a produzir um vídeo sobre a felicidade. As propostas e as iniciativas fusionam numa partilha que compensa. Como cita a aluna Teresa Carneiro, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Emanuel Lizarte).
A Cláudia Aponte sugeriu a curta metragem #GiveInToGiving. Unanimidade quanto ao interesse; divergência quanto à interpretação. O que altera a atitude, a abertura, do protagonista? O pedido da velhinha ou a ameaça de morte? Qual é o ponto de viragem: a mão que agarra o braço ou a que sai do bolso? Qual é causa eficiente e qual é causa coadjuvante (que apenas ajuda a eficiente)?
Será a consciência da morte? Retira a mão do bolso apenas perante a iminência de atropelamento. Será a consciência da carência alheia? Neste caso, a mensagem, rara, seduz: para além da oferta de ajuda, o pedido também pode ser semente de felicidade. O gesto da velhinha, a fonte; o risco, a circunstância…
Sobra, ainda, outra conclusão: ambos são causa; ponto final, parágrafo. Esta solução oferece-se como salomónica apenas em aparência: ao contrário do rei, não se toma posição.
Resta ponderar o comentário do próprio autor da curta metragem. Para que lado pende?
Ao celebrarmos o Dia Mundial da Bondade em 13 de novembro, vamos refletir sobre como podemos fazer a diferença. Vamos estender a mão a quem precisa de ajuda e nos voluntariar para causas que nos transformam para melhor, assim como transformam o mundo. Conecte-se connosco hoje mesmo e comece! (Emirates NBD)
#GiveInToGiving. Emirates NBD. Colocado em 12.11.2018
Tudo o que é humano é de todos, por todos, com causa em todos. Também poderíamos perguntar: que circunstância(s) levou a que as mãos se escondessem nos bolsos? O que o leva a andar curvado e com pavor de tudo o que mexe no olhar? Quando a velhinha lhe pega no braço, o olhar fica em sobressalto, mas o corpo aceita. Ela já não é motivo para ter medo. A iminência da morte? Sim, claro. Dos dois. Ele não mexeu a mão em que a idosa se apoiava. Ela já era a extensão da humanidade. A agulha deixou que a linha se enfiasse. A partir daí, todos os pontos contam, mesmo para consertar rasgos, sem pudor. (Comentário de Almerinda Van Der Giezen, 13.02.2026)
A pretexto das aulas de Sociologia da Arte e do Imaginário, tenho refeito, aumentado e melhorado, alguns materiais de apoio. É o caso do vídeo O Meu Carro É Barroco que contempla os anúncios a automóveis mencionados no texto “Dobras e fragmentos: a turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis”, publicado em 2009, no livro Vertigens. Para uma sociologia da perversidade (Coimbra: Grácio Editor, p. 47-63). Após tantos anos, resulta possível a leitura do texto acompanhada pelo visionamento dos anúncios. Graças às novas ferramentas, com maior nitidez e resolução. Porventura, um regalo para a vista, o ouvido e a mente.
My Car Is Baroque, by Albertino Gonçalves. 1st edition: 2007. Expanded edition: January 22, 2026
“Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim”. Bom ano! “For better, that’s fine, for worse, that’s enough already”. Happy New Year! (Portuguese song).
Euflorie. Let Flowers Do The Talking. República Checa, ca. 2004