Ratoeira
Sugerida por Teresa Carneiro, a curta metragem de animação “Happiness”, de Steve Cutts, é fabulosa (creio ser o adjetivo mais apropriado). Como escreve a Teresa, esta miragem de felicidade pode ser encarada como resultante de uma opção viciada: “A ‘Felicidade’ dos Ratinhos retrata a forma como a maioria dos seres humanos a tenta obter, de forma errada, a todo o custo e apenas conseguem viver uma vida sem sentido – o problema”.
Mas também pode exprimir um cenário ou uma situação limite do “mal-estar” incubado numa certa civilização (Sigmund Freud), mote, aliás, de muitos filmes de ficção científica (ver o vídeo “A Verdade Que Freud Revelou Sobre a Felicidade – E Que A Sociedade Não Quer Que Você Saiba”, de Mente em Progresso, sugerido por Amélia Carmen Cardoso).

A mão estendida como semente de felicidade

Em Sociologia da Arte e do Imaginário, estamos a produzir um vídeo sobre a felicidade. As propostas e as iniciativas fusionam numa partilha que compensa. Como cita a aluna Teresa Carneiro, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Emanuel Lizarte).
A Cláudia Aponte sugeriu a curta metragem #GiveInToGiving. Unanimidade quanto ao interesse; divergência quanto à interpretação. O que altera a atitude, a abertura, do protagonista? O pedido da velhinha ou a ameaça de morte? Qual é o ponto de viragem: a mão que agarra o braço ou a que sai do bolso? Qual é causa eficiente e qual é causa coadjuvante (que apenas ajuda a eficiente)?
Será a consciência da morte? Retira a mão do bolso apenas perante a iminência de atropelamento. Será a consciência da carência alheia? Neste caso, a mensagem, rara, seduz: para além da oferta de ajuda, o pedido também pode ser semente de felicidade. O gesto da velhinha, a fonte; o risco, a circunstância…
Sobra, ainda, outra conclusão: ambos são causa; ponto final, parágrafo. Esta solução oferece-se como salomónica apenas em aparência: ao contrário do rei, não se toma posição.
Resta ponderar o comentário do próprio autor da curta metragem. Para que lado pende?
Ao celebrarmos o Dia Mundial da Bondade em 13 de novembro, vamos refletir sobre como podemos fazer a diferença. Vamos estender a mão a quem precisa de ajuda e nos voluntariar para causas que nos transformam para melhor, assim como transformam o mundo.
Conecte-se connosco hoje mesmo e comece! (Emirates NBD)
Tudo o que é humano é de todos, por todos, com causa em todos. Também poderíamos perguntar: que circunstância(s) levou a que as mãos se escondessem nos bolsos? O que o leva a andar curvado e com pavor de tudo o que mexe no olhar? Quando a velhinha lhe pega no braço, o olhar fica em sobressalto, mas o corpo aceita. Ela já não é motivo para ter medo. A iminência da morte? Sim, claro. Dos dois. Ele não mexeu a mão em que a idosa se apoiava. Ela já era a extensão da humanidade. A agulha deixou que a linha se enfiasse. A partir daí, todos os pontos contam, mesmo para consertar rasgos, sem pudor. (Comentário de Almerinda Van Der Giezen, 13.02.2026)
Flores cantantes. Singing Flowers
“Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim”. Bom ano!
“For better, that’s fine, for worse, that’s enough already”. Happy New Year! (Portuguese song).
O enterro da cabeça na areia

Com a modernidade, a cultura descobre-se cada vez mais dependente da economia e da política. Como diria Pascal, “sabe-se isso em mil coisas”: nas teorias, nos usos e nos costumes. Se outrora a postura das elites culturais era o contraposto, agora é o disposto, a fatalidade e o desgosto convertendo-se em vontade e vaidade. E o catavento emerge como figura totémica. O cenário complica-se quando os agentes culturais permanecem provincianos (agacham-se em bicos de pés) e paroquiais (encolhem-se e enredam-se em casulos e teias intramuros).
“Pequenos deuses caseiros”, gravitam ao redor de olimpos terrenos. Cortesãos, apressam-se a beijar as mãos estendidas pelos senhores providenciais. Ser é (a)parecer e agradar. Agitam as asas como quem promete voo, mas não saem do chão. Nos momentos de verdade, enterram a cabeça na areia.
Não me tomem muito a sério. Escrevo para o lado que estou virado, consoante o estímulo que acaba de me impressionar. Por exemplo, a curta-metragem animada “The Ostrich politic”, de Mohamad Houhou. Para exacerbar, o tempo apresenta-se com ar seco e luz crua.
Por quem Deus nos manda avisar!
Estamos em vias de celebrar o nascimento do Menino e acabam de cair no sapatinho quatro anúncios que se querem de consciencialização:
- Ameaçam-nos ambientes, presépios, de desorientação (Vodafone);
- Os amigos imaginários existem e são, porventura, benéficos (Disney);
- Mas a presença dos pais é insubstituível (Ikea);
- E ter um irmão pode fazer a diferença (Waitrose).
Abanar o esqueleto

Na semana passada, proporcionou-se mostrar The Skeleton Frolic aos alunos de Sociologia da Arte e do Imaginário. Trata-se de uma animação, desenhada por Ub Iwerks em 1937, que integra a série Color Rhapsodies da Columbia Pictures. Entretanto, o Fernando lembrou-se de The Skeleton Dance, o “original inspirador”. Desenhado também por Ub Iwerks, inaugurou, há quase um século, em 1929, a série Silly Symphonies criada por Walt Disney.
Agonístico

Ocidentalização do oriente ou ocidente orientalizado? Ou um oriente, animada e delirantemente, bel(ic)o?
A canção “Let’s just crash” (2nd Opening Theme of TV Anime GACHIAKUTA), de Mori Calliope estreou ontem, dia 3 de novembro de 2025.
Um mimo filial, espécie de vacina contra a fossilização do espírito.
Fantasmas do Mês dos Medos
O anúncio mexicano “Todo por Cheetos”, da Pepsico, inaugura brilhantemente e com sentido de oportunidade o mês dos medos. Associado à série Merlina, da Netflix, foi supervisionado por Tim Burton.

Mano a mano, pasito a pasito, a publicidade leva o Tendências do Imaginário um pouco por todo o mundo. Inclino-me, contudo, a contornar as geografias que tresandam a ódio (por todos os contentores e conteúdos, incluindo as vacinas) e a excesso de higienização (com overdoses de salvadores e detergentes). Não me cativam as misérias alheias sublimadas em emblemas pessoais de trazer ao peito.
Prefiro dirigir o olhar, cansado e limitado, para os centros e eixos passíveis de decidir o (meu) futuro, com ou sem candidatos a prémios da paz. Pelo caminho, sobram paladinos genuínos da generosidade, cujas maçãs caem menos vítimas de ventos adversos e mais por apodrecimento interno. “Hoje é domingo, ai que preguiça! Hoje é domingo, não vou à missa!”
Entroncamento auspicioso

Um dia, faz 43 anos, no Carrefour (encruzilhada), o preço e a qualidade encontraram-se, encetando uma história de amor feliz sem fim à vista, a não ser que, por capricho do mercado, o ponto de encontro, o Carrefour, feche as portas, como aconteceu em Braga, deixando saudades, pelo menos, aos francófilos.

