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As cores do desejo

Lenskart.com. Suzie. Índia, Julho 2015

Este anúncio indiano é invulgar. Como diria o Principezinho, “o essencial é invisível aos olhos”. Uma das graças que o Criador nos concedeu consiste em pintar o mundo com as cores do desejo. Quando, invisuais ou não, vemos a princesa que sonhamos, ela dá-nos a mão para pintar o mundo.
Para além das cores do desejo, o Criador dotou-nos, também, com o “apanágio do riso”. O anúncio inscreve-se, com sucesso, num registo cómico. Um jovem com deficiência visual toma a cadela por namorada. Mas um dia, um novo par de óculos desfaz o encanto.
Acontece aos normais rir-se a um espelho invertido; dos deficientes, dos corcundas, dos surdos, dos cegos, dos coxos, dos feios e demais aberrações. Faz parte da nossa “natureza imbecil” (Blaise Pascal).

Desencanto. Tendências do Imaginário, 28.08.2015

Mentes ofuscantes

No Oriente, não é apenas a Tailândia que nos surpreende com o humor extremo e insólito. A Índia também dá o seu pé de dança com anúncios extravagantes, hilariantes, fascinantes e outros adjetivos terminados em “antes”, tais como ofuscantes.

A Happydent desenvolveu na Índia, entre 2005 e 2009, uma campanha publicitária luminosa, com um humor absurdo que lembra o surrealismo.
No primeiro anúncio, de 2005, durante uma sessão fotográfica, um homem, que mastiga uma pastilha elástica Happydent, substitui, ao rir, o flash.
O segundo, datado de 2007, é um anúncio monumental. Num palácio, um jovem corre aflito. Entra numa sala, sobe para o candeeiro, mostra os dentes e faz-se luz. Graças ao efeito Happydent, o jantar pode começar.
No terceiro anúncio, de 2009, um pastor perde um cordeiro. As defesas dos elefantes mergulhadas em água com Happydent iluminam a busca nocturna.

Dentes brilhantes. Tendências do Imaginário, 27.08.2014

Quase nadas e esculturas gigantescas

CIF – O Cristo Redentor, 2014
Pequenos nadas. Tendências do Imaginário, 26.08.2015

Os dois infinitos

Fotografia por João Gonçalves. Holanda, Agosto 2026

O meu filho mais velho, o João, descobriu um novo entretenimento: tirar fotografias noturnas ao infinito. Um deslumbramento. Ao contemplá-las, acode-me um extenso pensamento de Blaise Pascal sobre os dois infinitos. Não me canso de o reler. Junto dois excertos em pdf. Como se tornou raro publicar artigos de raiz, aproveito a ocasião para acrescentar três vídeos dos Dvein, de Barcelona.

Adobe / CGI VFX Animated Music Video – “The Vein / Magma” by – Dvein. 2013
Dorna ‘Purity’ TVC / Director’s Cut. Agência: Ogilvy Frankfurt. Direção: Dvein. Alemanha, 2015
CGI VFX Short Films – “River Island x JP Braganza” – by Dvein. White Lodge. 2015

Saxophone in Rock

Gerry Rafferty. City to city, 1978

Acordar com um saxofone escocês: Gerry Rafferty.

O saxofone de Baker Street. Tendências do Imaginário, 22.08.2020

Reciclagem de moscas

Rutland Psalter. Manuscrito iluminado do século XIII (por volta de 1260), feito em Londres
O papa-moscas. Tendências do Imaginário, 20.08.2019

Anúncios e anedotas com excrementos

Caricatura de Alonso(1871-1948) – Um penico cheio!… Primeiro quartel do séc. XX
Apontamentos escatológicos. Rebaixamento, 20.08.2015
Apontamentos escatológicos II. Criatividade, 20.08.2026

A Lenda da Cerveja Aloirada

O artigo Loiras com malte, de 2014, inclui dois anúncios criativos, ambos para a cerveja australiana Pure Blonde: “Pardon”, de 2010, que culmina com um arroto de cerveja que provoca a queda de um paraíso; e “A River of Blonde”, de 2013, que recorre a uma solução algo frequente: multidões a formar fluídos. O exemplo clássico deste tipo de efeito é o anúncio viral “Big Ad”, de 2005, da cerveja, também australiana, Carlton Draught.

Imagem: Giuseppe Arcimboldo (atribuído a) – Herodes, ca. 1566

Loiras com malte. Tendências do Imaginário, 19.08.2014
Carlton Draught – Big Ad. Agência: George Patterson and Partners, Melbourne. Austrália, Agosto 2005. Leão de Ouro, Cannes 2006. [Recuperado e gravado em 19.08.2026]

Nascer na publicidade hipermoderna

MTS. Internet Baby. Creativeland Asia. Índia, 2014

Comparando as imagens do parto medieval com os vídeos actuais, constata-se uma mudança do olhar. As iluminuras medievais são sérias e realistas, os vídeos são fictícios e cómicos. Na Idade Média, o parto não dava vontade de rir. O parto bem-disposto é apanágio da Modernidade Avançada (…) Na Idade Média, tinha-se medo de não ter filhos e temia-se a morte durante o parto. Na modernidade, tem-se receio de ter filhos e os riscos de mortalidade durante o parto são ínfimos…

Seguem quatro anúncios deveras delirantes no artigo O parto na Modernidade Avançada, colocado no dia 18 de agosto de 2015.

O parto na Modernidade Avançada. Tendências do Imaginário, 18.08.2015

Arte indigesta

Tenho alguns pequenos princípios de estimação. Por exemplo, ofereço o que gosto, não o que gosta necessariamente quem recebe. Partilhar uma parte de mim, não dele. Faço-o sem qualquer intenção de converter. Não tenho costela de missionário.

O público do Tendências do Imaginário mostra menos aptência pelos artigos dedicados à arte. Pelo menos, imediatamente. Preferem música e publicidade.

Hoje, nos artigos Dar à luz na “idade das trevas” e Varas há muitas, a arte veio ao de cima. O resultado não surpreende: quebra nas visualizações. Pois insisto, como quem não nota, correndo o risco de exasperar.

A obra Zdzislaw Beksinski é francamente indigesta. Não se presta nem para aperitivo, nem para digestivo, nem para refeição. Perturbadora, estranha-se e volta a estranhar-se. Deixei a publicação do respetivo artigo, Filhos do Apocalipse, para esta hora, entre o jantar e a ceia.

Zdzislaw Beksinski (1929-2005) [é] um dos principais, senão o principal, artista polaco contemporâneo. Classificou-se a si próprio, numa primeira fase, como barroco e, em seguida, como gótico. Não obstante, é um expoente da arte grotesca, o mais estranho e visceral que se pode conceber. As suas obras, além de desconcertantes, são tenebrosas. Na sua pintura, o morrer sobrepõe-se à morte, num mundo moribundo, sem remissão. Um mundo em que nem sequer a morte redime. As figuras, simultaneamente mortas e vivas, são amálgamas, fluídas e deformadas, de carne, ossos, ramificações e excrescências.

Anexo, também, o artigo Greve da escrita, de 2016, para tentar desanuviar um pouco. É certo que a pintura “Dustheads”, do Jean-Michel Basquiat, não ajuda a desvanecer, mas as canções e a voz de Lizz Wright são capazes de fazer milagres.

Filhos do Apocalipse. Tendências do Imaginário, 16.08.2018
Greve da escrita. Tendências do Imaginário, 16.08.2016