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Sexídio e calças de ganga

Pablo PIcasso – Figuras à beira mar (O beijo). 1931, Museu Picasso de Paris

São apenas palavras à solta, desatinadas, escritas no mesmo dia, 19 de julho, há uma dúzia de anos, em 2014, junto à praia, com o mar pasmado.

Pró criativo. Futebol e natalidade

Ao basculhar o passado do blogue, constato, pela presença do tema do futebol, que julho costuma ser o mês do mundial. Não tenho relevado os artigos correspondentes, mas Futebol e natalidade merece distinção. Pela ponta de humor prazenteiro com que aflora um dos principais problemas do mundo ocidental: a baixa natalidade.

Chamar a música

Sara Tavares – Chamar a Música. Festival da Canção 1994

A par da imagem e do pensamento, a música constitui, desde o início, uma das apostas do blogue Tendências do Imaginário. Embora crucial, o principal critério de seleção não é nem o meu gosto nem o dos seguidores. O intuito decisivo consiste em mostrar a imensa diversidade de músicas notáveis (não necessariamente notórias) independentemente do género ou da proveniência. Espelha a insatisfação com as paradas, os intérpretes e os críticos que nos são servidos pela comunicação social predominante.

As músicas dos artigos The earth is my grave (de 17 de julho de 2014) e Vozes (de 17 de julho de 2019) são bastante diferentes. Identifico-me com o cantor norte-americano Don McLean e aprecio o compositor belga Nicholas Lens.

Umbigos

Salvador Dali. Metamorfose de Narciso, 1937. Tate Modern de Londres

Segundo Sigmund Freud, à fase oral, segue-se a fase anal; pelos vistos, há quem fique bloqueado entre as duas, ao nível do umbigo, na fase umbilical (a partir de Guy Bedos)

Junto os artigos Umbilicados, narcisistas e egoístas (16.07.2018), Avatar narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016).

Diagonalização do Poder

Padrãodo Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Leste. Por Walrasiad

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)

O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

Padrão dos Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Oeste

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Michel Sardou – Le France. Michel Sardou, 1976

Que contento estoy!

Alguém se lembra do boneco Macario de um programa de humor da televisão espanhola dos anos oitenta? Celebrizou a expressão “Que contento estoy”. Pois, que contento estoy! Por um lado, terminei um prefácio que se arrastava; por outro, Bruno Aveillam, o meu realizador preferido de anúncios publicitários, acabou de colocar três corações no meu artigo Beleza Tranquila, de 13 de junho de 2026.

Imagem: Starlux puzzle. Macario. Detalhe

Em jeito de celebração, resgato três “artigos do dia” com anúncios notáveis: O sorriso dos alimentos, de 2020; Do You Fantasy?, de 2014; e Uma espécie de spoiler, de 2012, este último com um anúncio dirigido referido pelo próprio Bruno Aveillan. Acrescento um pequeno excerto de um episódio do programa “Jose Luis Moreno y su Macario”.

Facebook. Página de Albertino Gonçalves, 11.08.2026
Jose Luis Moreno y su Macario. TVE 1, Espanha, décadas de oitenta e noventa.

Des-graças

Francisco de Goya – Duelo a garrotazos, 1820 – 1823. Museu do Prado

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.

The Gloaming. Curta-metragem dirigida por Nobrain e produzida por Autour de Minuit. França, 2010

O fumeiro e a cesta dos pregos

Outrora, brincava-se com o fumo; hoje, exorciza-se. Da inspiração para a expiração. “Na publicidade dos anos sessenta, os cigarros faziam bem à saúde e o fumador era um homem de sucesso (…) Nos anos 2 000, o tabaco é um veneno e o fumador, um cadáver em potência.”

Imagem: Biblioteca Escolar do Agrupamento de Sande, 2015

Recoloco dois artigos a este título exemplares: “Consolo tóxico”, de 2020, e “Arcanjos e anjos da guarda”, de 2015.

Surrealismo grotesco

Durante a sunset party da Academia Sénior do Município de Braga. Fraião, 27.06.2026. Fotografia de Maria Afonso

Ontem, selecionei quatro “artigos do dia” (27 de junho). Recoloquei apenas dois: “A roseira dos cravos”, de 2014, e “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter”, de 2016, ambos com imagens medievais. Divertido numa sunset party com os alunos de Cidadania, da Academia Sénior do Município de Braga, adiei “Matar o vício”, de 2018, e “A ceia dos pobres (eventualmente chocante)”, de 2013, para o dia seguinte. Ainda considerei colocá-los fora de horas, enquanto Portugal empatava com a Colômbia, mas sabia que arriscava provocar pesadelos…

“Matar o vício” e “A ceia dos pobres” relevam de uma espécie de surrealismo grotesco, mais próximo da conceção de Wolfgang Kayser (Das Groteske. Seine Gestaltung in Malerei und Dichtung, 1957) do que da de Mikhail Bakhtin (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, 1941).

Na versão de Wolfgang Kayser, o grotesco gera um sentimento corrosivo de estranheza, em que o mundo familiar se revela, insolitamente, ameaçador e inquietante. Sério e visceral, provoca confusão, desorientação, mal-estar e angústia. Os quadros da chamada fase negra de Francisco de Goya representam um bom exemplo.

Em Mikail Bakhtin o grotesco é, pelo contrário, carnavalesco, animado por um movimento de rebaixamento coletivo, cómico e regenerador. Embora fantástico, desconcertante e excessivo, tende a resultar afirmativo e esperançoso.

Os vários livros de François Rabelais com os gigantes Gargantua e Pantagruel como protagonistas oferecem-se, agora, como um exemplo eloquente.

Em “Matar o vício”, o ambiente dos anúncios da revista Men’s Health é fantasmático, claustrofóbico e sinistro, com a figura do duplo, o outro eu, a insinuar-se como um intruso ambíguo, perturbador e ameaçador, senão fatal.

Com “A ceia dos pobres”, transitamos da publicidade para o cinema. O filme Viridiana (1960), de Luis Buñuel, encena uma paródia da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, que frisa a blasfémia.

O filme Um Cão Andaluz (1928), de Luis Buñuel e Salvador Dali, destaca-se como um marco incontornável da história do cinema. Não se pode afirmar que propicie boa disposição. Deveras criativo, desconcerta e impressiona, cravando-se, indelével, na memória. Um cúmulo emblemático do surrealismo grotesco ao jeito de Kayser. Não aconselhável a pessoas sensíveis.

Surrealismo grotesco, eis uma noção que pode manifestar-se interessante!

Profanação


Valentin de Boulogne, Expulsão dos Mercadores do Templo, 1618-22. Galerias Barberini.

Publicado há dez anos, em 22 de junho de 2016, o artigo Obscenidades revela, a pretexto do anúncio “The Bicky Beef Miracle”, um duplo movimento de contágio: do sagrado pelo profano e do profano pelo sagrado. Segue o artigo revisto.