Anedotário: Pelos Cabelos
Nada como ser careca para não perder cabelos
Ontem, fui cortar o cabelo só, com os meus tamanquinhos, não acompanhado. A primeira vez em anos. Um pequeno passo para a autonomia, a passagem do cabo Bojador rumo ao da Boa Esperança. Fui só porque não consegui arranjar companhia. Há necessidades que vêm por bem.

No dia, 22 de setembro de 1922, assinalei o regresso ao meu barbeiro. Desta vez, uma reconquista.
“Costuma dizer-se que o homem a ser fiel a alguém, então é ao barbeiro. Volvidos três anos, consegui regressar ao meu jardineiro de cabelos preferido. E sinto-me outro. Nem arquivo, nem sabedoria; nem restaurado, nem novo. Apenas com a minha calvície a parecer a clareira de uma floresta bem cuidada.” (O jardineiro de cabelos: https://tendimag.com/2022/09/16/o-jardineiro-de-cabelos/).
Durante décadas, dispus-me a ir de Braga a Melgaço para cortar o cabelo! Creio não ser um caso isolado de fidelidade ao “jardineiro de cabelos”. No que respeita a este tipo de desvario, não sou um caso isolado.
Deu-me para perder tempo a escrever trenguices. Ainda bem que tenho tempo para perder e prazer em fazê-lo. Apenas arrisco abusar do vosso. Neste aspeto, também não sou o único a olhar para o céu.
Não, não sou o único
Não sou o único a olhar o céuE quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará
Enfim, ao desperdiçar gozosamente tempo a esculpir nuvens, receio resultar algo inoportuno em relação aos meus ex-colegas que se encontram, como dizem, acelerados na reta final. Antigamente, eramos supostos ser corredores de fundo, agora parecem ser quase todos sprinters.

Afinal, estás mesmo velhote, ó Albertino…
(como diria o outro, é só fazer as contas, mas já deves ter mais de 150 anos…)
Um abraço
aan
https://youtu.be/HCTunqv1Xt4?t=4